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Pelúcia FUCKCIA
 


                                                                                   

Por Jean Louis Tarrou

Imagens: Sandro Rib + Divulgação

 




  Quando a banda Gerador Zero sobe aos palcos, sempre chama atenção a "guitarra-pelúcia" de Mary Fê, responsável por guitarradas e ruídos diversos no trio eletrônico. E não é que Mary tem seu próprio projeto solo chamado, pasmem, Pelúcia FUCKCIA. A banda é uma evolução do antigo projeto de Mary, chamado Reino Perdido, e é completada por Maurice Velte e Peter Strauss, a dupla responsável pelo som eletrônico do Ouvintes, outra banda carioca.

 

 


     

                     Mary Fê                  Maurice Velte             Peter Strauss

 

 

 

  Na terça-feira, dia 6, a Pelúcia FUCKCIA fez sua estréia no Teatro do Jockey do Rio de Janeiro com um espetáculo inusitado. Com ajuda de projeções de vídeo, animações e narrações, o show contou a história de uma banda expulsa de um fictício "Reino Perdido" (não é à toa esse nome...) que chega ao nosso mundo, viram estrelas pop, passam pela inevitável separação da banda, carreiras solo e se reformam para dar início à previsível queda, que segue à ascensão. O espetáculo é uma paródia ao patético trajeto de tantos artistas pop, devorados pela indústria e ideologia de mercado que domina o meio cultural. Os próprios membros da banda atuam como empresário, crítico de música, fãs e executivo de gravadora em depoimentos de um documentário fake sobre a banda. Os vídeos passam no telão, dando um importante toque de humor e sarcasmo ao espetáculo.

 

 

 

   

 A banda em ação, na última terça-feira, no Teatro do Jockey

 

 

 

  As músicas acompanham as diversas fases da história da banda. O começo é formado por um set eletro-rock, com bases programadas, guitarras e baixo. Representa a aparição da banda como fenômeno pop. Logo depois, os integrantes do Gerador Zero fazem uma participação especial como músicos que acompanham Mary em sua carreira solo e tocam a música "Pretensão", uma composição antiga da cantora. E então o empresário arquiteta a volta do trio Pelúcia FUCKCIA com uma não menos pretensa "turnê de churrascarias". Nesse set, a banda conta com bateria tocada no teclado (!!!) e uma sonoridade que, apesar de tosca, funciona para as composições. E finalmente, o sumiço da banda que se dá com um set de músicas tocadas na clássica formação: voz, guitarra, baixo e bateria. A Pelúcia FUCKCIA faz o caminho inverso do sucesso e finaliza sua história tocando rock de garagem. São composições muito variadas que o Pelúcia FUCKCIA apresenta com referências das mais diversas, aproveitando não apenas músicas antigas de Mary Fê, como também composições mais recentes escritas pelo trio durante 2003.

 

 

 

         

           Maurice                    Peter e Mary Fê                              O trio

 

 

 

  O espetáculo mistura boas medidas de música, teatro e humor em uma história que faz uma acertada crítica à autodestruição que ocorre no meio musical onde, infelizmente, a qualidade musical e criatividade são os últimos na lista de prioridades, tanto de "artistas", como dos figurões do meio. A banda volta a apresentar o show na próxima terça, dia 13 de janeiro, no mesmo Teatro do Jockey, a partir das 21h.

 

 

 

 

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