29 de outubro de 2008
Beabá (1)
Esta é a primeira das 06 (seis) reportagens feitas sobre a educação no Brasil pela Radioagência Notícias do Planalto e que serão reproduzidas pelo Dissonância. A série tem o nome “Educação no Brasil. Qual a situação atual e os rumos para a educação no país?”.
Os temas apresentados serão os seguintes:
a) Sistema público de educação;
b) Analfabetismo;
c) Educação infantil;
d) Educação no campo;
e) Cotas para negros nas universidades;
f) Mercantilização do ensino.
Sistema público de educação
Por
Danilo Augusto
O método de educação e as escolas são os principais elementos no processo de aprendizagem e formação das pessoas. Para se ter uma escola que possa suprir as necessidades de uma sociedade, é preciso se atentar a elementos que vão além da sala de aula. Informações sobre a situação da educação pública de ensino parecem desafiar essa lógica.
Baixos salários, superlotação de salas de aula, desvalorização profissional e falta de propostas pedagógicas de qualidade são alguns dos muitos problemas enfrentados pelo sistema de ensino público do Brasil.
De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), de cada 100 alunos matriculados no Ensino Fundamental, apenas 53 conseguem concluí-lo. Informações do Ministério da Educação (MEC) mostram que 47% dos professores da rede pública que dão aula até a 4ª série não têm o diploma universitário. Mas o que mais preocupa, de acordo com os profissionais da educação, é a falta de verbas para o setor.
O Brasil investe na educação menos de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) – que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo país. De acordo com o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Franklin de Leão, o valor é irrisório tendo em vista que a Argentina, com pouco mais de 45 milhões de habitantes, destina 6% do seu PIB para financiar o setor:
“A reivindicação dos movimentos sociais, dos movimentos dos trabalhadores da educação e da sociedade é de atingirmos 10% do PIB para financiar a educação pública. Claro que isso é dentro de um processo, de um período. Hoje podemos dizer que existem grandes dificuldades por causa desse pequeno financiamento. Problemas que acabam resultando nos níveis baixíssimos e vergonhosos quando encontramos ou fazemos alguma avaliação da educação brasileira.”
A falta de financiamento atinge primeiramente a sala de aula. Os baixos salários que são oferecidos para os professores acabam desestimulando e obrigando os professores a exercer jornadas duplas ou triplas de trabalhos. No estado da Bahia existe uma situação que causa indignação: os salários oferecidos pelo governo são de aproximadamente R$ 350. Valor inferior ao do salário mínimo. Regina Rodrigues, que leciona há dez anos em cinco escolas da zona sul da cidade de São Paulo, também reclama da maneira de como o profissional da educação é tratado:
“É uma questão imprescindível que o professor deva ganhar bem. Por que um político ganha muito bem? E por que um professor ganha muito pouco? O professor é um formador de opinião. Qual foi a pessoa que nunca na vida teve um professor? Isso tem que mudar. Educação é saúde e tem que estar em primeiro lugar.”
Recentemente, os professores de todo o país tiveram uma conquista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o Projeto de Lei que cria o piso nacional do magistério destinado aos professores da educação básica, no valor de R$ 950. O valor passa a valer a partir de janeiro de 2009. Mesmo com a aprovação existem setores que estão contestando o Projeto. A Presidente da Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel, estranha que a maior opositora do piso no estado de São Paulo seja a secretária de Educação, Maria Helena Guimarães de Castro. Ela afirma que este fato mostra que o estado não trata a educação como uma prioridade:
“A educação no estado de São Paulo é mantida para dar conta da demanda e não da qualidade de ensino. Por isso não é prioridade. Se fosse prioridade a secretária não estaria fazendo essa briga em cima do piso salarial nacional, dizendo que vai ter que gastar. Ela não está gastando. Ela está investindo. Tudo que se despender para a educação deve ser entendido como investimento e não como gasto. A educação no estado não é tratada como prioridade.”
A declaração da sindicalista vai de encontro com os números divulgados por pesquisadores brasileiros da área, em parceria com as organizações internacionais. De acordo com informações do Ipea, o governo federal investiu, em 2005, cerca de R$ 1,8 bilhão em educação – o equivalente a 0,14% do PIB daquele ano. Já a Campanha Nacional pelo Direito à Educação calcula que em 2007, os governos federal, estadual e municipal deveriam aplicar pelo menos 1% do PIB a mais em educação básica, ou seja, algo em torno de R$ 26 bilhões.
Outros elementos também reforçam a falta de compromisso dos governos com a educação. Várias queixas dos profissionais de ensino estão relacionadas com a falta de infra-estrutura nas escolas, jornadas excessivas de trabalho e superlotação das salas de aula. Rui Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia, faz outras denúncias e relata a situação da rede de ensino do estado:
“Na Bahia 85% das escolas públicas não têm bibliotecas, 95% não têm ginásio ou quadra esportiva. Não existem concursos públicos para professores há mais de 20 anos e o salário base aqui é de R$ 324. Ou seja, abaixo do salário mínimo, o que causa revolta nos profissionais.”
A péssima administração do sistema educacional também é relatada pelo professor da rede pública de ensino do estado de Minas Gerais, Antonio Rodrigues. Ele comenta as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia dentro de uma sala de aula:
“Não há um projeto político pedagógico interno que atenda o professor, o aluno. Que possa promover a inserção da comunidade no espaço público da escola, para fazer com que a comunidade seja mais participativa. Temos que fazer uma leitura social do problema. O governo fala que investe, mas ele cobra muito da contrapartida do professor do que da contrapartida dele, do próprio estado.”
O sistema pedagógico de ensino, há tempos, também é questionado pelos educadores. O exemplo pode ser visto dentro da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996. O sistema de Progressão Continuada pode até elevar a auto-estima do aluno que não passa mais pelo trauma da repetência, mas os frutos desta nova política mostram que hoje muitas crianças chegam a 8ª série sem saber ler e escrever adequadamente. Maria Isabel faz uma breve avaliação dos resultados desse sistema que, segundo ela, foca somente na avaliação:
“Na verdade a Progressão Continuada não deveria focar somente na avaliação. E sim, todo o processo. Avaliar o processo e se atentar nas condições de trabalho dos professores, condições de ensino e aprendizagem e organização curricular. Todo esse conjunto de medidas ele dá condições para que ocorra de fato a Progressão Continuada. A avaliação é apenas um dos elementos. Nesses quase 16 anos de governos do PSDB – no estado de São Paulo – a avaliação não é feita pelo processo, está apenas centrada no resultado. Não houve uma preocupação com a qualidade de ensino.”
As críticas dos educadores também estão relacionadas com a falta de participação dos mesmos dentro do processo de elaboração da proposta pedagógica. O diretor de uma escola estadual da cidade de Itaquaquecetuba, no estado de São Paulo, Roberto Santos, afirma que a proposta educacional do estado é excludente e não permite a participação das pessoas que realmente estão envolvidas e comprometidas com a educação:
“A proposta curricular do governo estadual foi feita em um “pacotão”, não deu direito de profissionais e pessoas que estão mexendo com educação no dia-a-dia de minimamente ser chamados. Sentimos que foi feito a toque de caixa e isso não é bom. Não é bom para a educação.”
Para completar, um relatório elaborado pela Câmara de Educação Básica (CEB) do Conselho Nacional de Educação, divulgado no último ano, o Brasil possui uma defasagem de 235 mil professores para o ensino médio. As disciplinas mais afetadas, segundo o relatório, são as de Física, Química, Matemática e Biologia.{Radioagência Notícias do Planalto}
28 de outubro de 2008
Lunfa
Reprodução
Don Lunfardo: el maestro del suburbio
Su espíritu arrabalero recorre las calles de Buenos Aires a través de las voces. El habla cotidiana lo trasformó en el medio de expresión de las clases populares que lo mantienen vigente.
Por
Jesica Salvatierra
Y dijo aquel lunfa: ”Me pregunta, amigo, que es pa mí el lunfardo. ¿Lenguaje?... ¿Chamuyo?... Es una caricia con perfume a yuyo / y es un sentimiento que nació conmigo”.
(Roberto Juan Beraldi)
En Plaza Miserere, pleno corazón de Buenos Aires, un muchacho joven escucha en su reproductor de mp3 una banda de rock, mientras se fuma un pucho. Una mujer espera impaciente el bondi. Un pebete juguetea intranquilo al lado de su madre y un señor trajeado se dirige en busca de algún yiro para desaparecer en un oscuro bulín.
Mientras tanto un cana persigue a un chorro que se robó alguna cartera. Al costado de la plaza un linyera camina escabio hablando solo al aire y maldiciendo a la vida. Los predicadores de Dios, por su parte, afinan su garganta para vociferar su recalcitrante chamuyo en el que pronuncian la palabra de Jesucristo, pero lo más importante, es que no se cansan de mandar a toda la gente al infierno. ¡Cosa de mandinga, esta!
Las entradas y salidas de los subtes convierten, a la gente que va y viene de laburar, en topos que confluyen para dar cita al gran ritual de adentrarse a las profundidades de la tierra, donde el aire es más denso. Una anciana, allí, pide algún cobre al pasar.
Hacia el lado Oeste, un obrero sentado en el cordón de un cantero se dispone a morfar su módica comida, mientras que juna a una mina con unas diminutas minifaldas. En el Norte, un chabon busca con la mirada impaciente a algún transa para comprar un raviol y un vendedor ambulante cuenta la guita entre sus dedos.
La urbe irrumpe en el escenario de repente y las voces del pueblo inician su mejor composición, el lunfardo. Este vocabulario forma parte de la recuperación de la calle, de la vivencia cotidiana y de la reivindicación de las clases populares. Conforma una magistral canción que cruza las estructuras muertas e inmóviles de la lengua, otorgándole un ritmo y colorido particular.
El lunfardo y las jergas en uso, no son idiomas ni dialectos, sino solamente léxicos de voces y locuciones que, aunque disponen de sustantivos, verbos y adjetivos, carecen de artículos, preposiciones, pronombres, adverbios y conjunciones, por lo que se ven obligados a utilizar los de la lengua española. Por eso, al ser solamente un vocabulario (un conjunto de palabras) alrededor de 5 mil, quizá, es imposible hablar en lunfardo pero sí es posible, en cambio, hablar con lunfardo.
Gracias a algunas palabras aportadas por los inmigrantes y otras que circulaban en la ciudad proveniente del gauchesco se formó esta jerga, que se ubicó en los lugares de interacción como los prostíbulos y los patios de los conventillos. Allí, algunas de las palabras extranjeras de diferentes orígenes, fueron escuchadas por los bravucones o compadritos, y comenzaron a ser utilizadas por ellos.
Don Lunfardo le dio vida a todo tipo de personajes oscuros y pintorescos al malevo o peleador, al compadrito o bravucón, al cafishio o proxeneta, a los yiros o prostitutas, al rufino o rufián, al gavilán o seductor, al linyera o vagabundo, al vigilante o policía, al chorro o ladrón, que compartían la calle de los arrabales de Buenos Aires a principios del siglo XX.
Esta jerga nació de las entrañas de los suburbios, pero fue extendiéndose por todas las clases sociales a partir de la difusión que le dieron las letras de tango, el teatro, fundamentalmente, los sainetes, cierto periodismo popular, y parte de la literatura que a través del folletín divulgó el vocabulario y lo popularizó.
El maestro del suburbio lleva en sus entrañas un ritmo, un compás, un tono, una locución y un ritual que lo hace capaz de representar diversas situaciones a través de las más ocurrentes metáforas fuera de las convenciones establecidas. Por eso se introdujo en la vida cotidiana de todos los habitantes sin distinción social.
Los duelos a cuchillo de los peleadores o malevos en el 1900 son representados por las letras de tango que llegan a ser descripciones históricas en lunfardo. Estas composiciones relatan sobre el desafió de los guapos pendencieros que juegan su mejor carta ante el rival, donde el padrino es la muerte y la gloria el triunfo. Macho es el que pelea y cobarde el que huye.
Los reñidores conocen la destreza de desnudar la navaja y embestir a su contrincante con un puñal mortal. El vencedor evitará ser abatido hasta la siguiente reyerta, pero la muerte siempre lo esperará empuñada filosamente por algún otro malevo. La suerte está echada perpetuamente con un trágico final.
En los cabarets, las prostitutas trabajan con sus clientes al compás de los tangos y el alcohol. Allí concurren los malevos, los compadritos, los extranjeros, los gavilanes en busca de alguna mariposa nocturna que los haga volar. La madama o regente del prostíbulo recibe a los anfitriones con una sonrisa y un trago de alcohol para endulzar sus labios.
Entre el murmullo, las risas, el baile, el frenesí de los huéspedes exacerbados por el alcohol y la música, los proxenetas simulan divertirse y tomar, mientras observan atentos a las prostitutas con sus clientes embriagados. El elixir de la vida es servido allí en bandeja de plata. La noche termina y los hombres vuelven a su casa.
Estas letras de tango describen en todo su esplendor al siglo pasado. Una música nacida también en los arrabales que pasó al teatro, a los cabarets, a los salones y terminó por urbanizase, para quienes antes la rechazaban comenzaran a cantarla y bailarla.
En sus inicios, esta forma de expresión fue considerada como una música prohibida por su contenido sexual y erótico, pero ello no impidió que trasladase su habla lunfarda desde los suburbios al centro de Buenos Aires, como en los cafés de la calle Corrientes y Peñas de la Avenida de Mayo.
A comienzos de la década del 40 el tango sufrió un duro golpe cuando la presión de grupos puristas se hizo sentir y fue prohibido el lunfardo en la radio. Muchos autores debieron cambiar las letras de tango que contuvieran palabras lunfardas o resignarse a que no se difundieran.
A pesar de ello, el lunfardo ya estaba instalado en la sociedad producto del uso diario de la gente y con la llegada de Juan Domingo Perón al gobierno la censura fue levantada. Cuenta la historia que por ese entonces el tango “Cafetin de Buenos Aires” de Enrique Santos Discépolo, un hombre afín al peronismo, fue censurado por la Secretaria de Prensa y Difusión, como consecuencia de la proscripción del lunfardo.
A raíz de ello, las principales autoridades de la Sociedad Argentina de Autores y Compositores (SADAIC) pidieron una entrevista con Perón. En dicha entrevista el presidente saluda al escritor Alberto Vacarezz y le dice: “Don Alberto, me enteré que días pasados lo afanaron en el bondi”. Que el Presidente de la Nación utilizará el lunfardo, fue la demostración de que la prohibición era levantada.
A pesar de todas esas complicaciones, el lunfardo tiene continuidad actualmente. No sólo en el lenguaje coloquial o en las viejas letras de tango, sino que palabras como buzarda, rajá, tufo son utilizadas en las canciones de rock, mientras que pibe, cana, fierro, botón son empleadas en canciones de cumbia villera, volviendo al lenguaje marginal de sus orígenes.
Esta jerga sigue vigente en la música y en la lengua informal. La gente es la que impone y legitima el empleo del lunfardo cotidianamente en la comunicación, en el habla. Año tras año surgen nuevas expresiones populares. Algunas son pasajeras; en cambio, otras alcanzan la inmortalidad, como laburo, mina y morfi. El lunfardo es producto de la originalidad que el pueblo fue creando, instrumentada por los maestros del arrabal.
Mientras tanto, Don Lunfardo deambula por las calles de Buenos Aires, se adentra en lo profundo de la noche, cuando los ecos de las voces se van apagando al caer el sol. Deja en el aire un suspiro de suburbio. Una corazonada le dice que mañana volverá a resurgir con el murmullo de la gente, como cada día desde hace más de 120 años.{Agencia Periodística del Mercosur}
20 de outubro de 2008
Reed
Reprodução
Un periodista que estremeció al mundo (*)
Por Hernán Uribe
El estadounidense John Reed, quien fuera uno de los periodistas de mayor fama del Siglo XX, nació en Portland el 22 de octubre de 1887 y murió en Moscú un 17 del mismo mes tres días antes de cumplir 33 años cuando transcurría 1920 y sólo un año después de publicar su libro más célebre que con propiedad tituló “Diez días que conmovieron al mundo”, que es un notable reportaje acerca de cómo se instaló en la entonces Rusia el primer régimen socialista de la tierra.
Corresponsal en la Primera Guerra Mundial, que estalló en 1914, Reed llegó a Rusia en 1917 donde fue testigo de los sucesos que antecedieron a la toma del poder por los bolcheviques y de la propia Revolución de Octubre, nombre así asignado por el calendario ruso de entonces aunque en Occidente correspondía al siete de noviembre. “Diez días...” se editó por vez primera en Estados Unidos y lleva un prefacio de Lenin, en tanto que en la publicación en idioma ruso la prologuista es Nadezda Krupskaya, esposa del líder máximo de la revolución socialista y a la vez Comisaria (ministra) de Cultura.
El magistral texto ha permanecido hasta hoy como un ejemplo para la profesión periodística. En el prólogo, el autor apunta: “Durante la lucha mis simpatías no eran neutrales. Pero al trazar la historia de estas grandes jornadas, he procurado estudiar los acontecimientos como un cronista concienzudo que se esfuerza por reflejar la verdad”. Agrega: “Este libro es un trozo de historia tal como yo la he visto. Sólo pretende ser un relato detallado de la Revolución de Octubre, es decir, de aquellas jornadas en que los bolcheviques a la cabeza de los obreros y soldados de Rusia, se adueñaron del Estado y lo pusieron en manos de los Soviets”.
En el prefacio a la edición norteamericana Vladimir Ilich Lenin escribió: “Desde el fondo de mi corazón lo recomiendo a los obreros de todos los países. Desearía que este libro circulara por millones de ejemplares y fuera traducido a todas las lenguas, porque traza un cuadro exacto y extraordinariamente vivo de acontecimientos que tan gran importancia tienen para la comprensión de la revolución proletaria”. A su vez, Kruspskaya razonó: “El libro de John Reed ofrece un cuadro de conjunto de la insurrección de las masas populares tal como realmente se produjo […] En su género, el libro de Reed es una epopeya”. Remarca: “No suelen escribir así los extranjeros sobre la Rusia Soviética. O no entienden los acontecimientos o generalizan los hechos aislados. Verdad es que ninguno fue testigo personal de la revolución”.
Buen poeta y cuentista reputado, donde Reed brilló fue, empero, en el periodismo. En esta área, como lo confirman sus trabajos y como él mismo lo proclamara, no fue neutral, mas se atuvo al principio básico del oficio que es reflejar la realidad mediante una investigación científica –en el sentido de la objetividad– para el análisis de los orígenes y perspectivas de los sucesos. Max Eastman, coeditor de la revista The Masses, en la que trabajó Reed, afirmó en un homenaje a su memoria: “Reed conocía el frío tono de la voz del científico que ve las cosas como son. Fue un poeta que entendió la ciencia, un idealista capaz de enfrentarse con los hechos. Él se ubicó en el cenit de la profesión de periodismo en los Estados Unidos”.
A los 24 años se fue a México, donde reporteó la Revolución Mexicana desde 1911 hasta 1914 y esa experiencia la vertió en su libro “México Insurgente”, en el que narra sus vivencias con las tropas del general Pancho Villa. Años después esos reportajes servirían de base para una película hollywoodense del mismo nombre. Otros filmes, Reds (Rojos) y Campanas Rojas aluden asimismo a la vida de Reed. Su labor informativa en la Primera Guerra Mundial se encuentra en su obra “La guerra en la Europa oriental”, de 1916.
En el plano ideológico, se adivinará, optó por el marxismo y fue uno de los fundadores del Partido Comunista de Estados Unidos y luego miembro del Comité Ejecutivo de la Tercera Internacional, razón por la cual se encontraba en Moscú cuando lo atacó el tifus que lo mató. Incorporado a las batallas sociales, fue enjuiciado y encarcelado al tiempo que a su regreso a EE.UU. procedente de la Rusia Soviética se le aplicó la “Ley de Espionaje” aunque no fue condenado.
(*) Nota publicada en el portal de la FELAP{Agencia Nacional de Comunicación}
17 de outubro de 2008
Barrados
Há 40 anos, (não) acontecia o Congresso da UNE
Participantes do encontro clandestino de 1968 são homenageados no mesmo prédio em que ficaram detidos após polícia desarticular reunião
Eduardo Sales de Lima
da Reportagem
Todos os envolvidos na realização do emblemático Congresso da UNE de outubro de 1968 foram homenageados, no dia 10, no Memorial da Resistência, prédio onde funcionava o Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), em São Paulo. Entre eles, uma personagem desconhecida que não fazia parte dos 720 delegados que partiram naquele ano de quase todos os Estados do Brasil com destino a Ibiúna, no sul do Estado de São Paulo, para a realização do 30º congresso da entidade.
Na época, Neusa Ferreira de Sousa tinha 21 anos, e a União Nacional dos Estudantes (UNE) era considerada uma organização clandestina pela ditadura, desde 1964. Neusa, que era mãe de duas crianças de colo, somava-se aos 6 mil habitantes de Ibiúna, e era casada com Domingos Simões, com 52 anos na época, o ex-dono do sítio Murundu, local onde o congresso deveria ter acontecido.
“Eu pensei bem e disse para mim mesma que se era para trabalhar pela democracia e pela liberdade do nosso país, eu iria à luta. Meu marido também não mediu esforços”, conta ao Brasil de Fato a ex-dona do sítio, hoje com 61 anos, que acabou perdendo o imóvel por ter ficado anos foragida – já que por causa do auxílio aos estudantes, ela e o marido posteriormente foram perseguidos e presos.
“No período da realização do Congresso, eu permanecia na cidade de São Paulo para comprar os alimentos que iriam abastecer os jovens, enquanto o meu marido transportava esses mantimentos.”
Na chuvosa manhã de 12 de outubro de 1968, Domingos estava indo para o sítio com a perua lotada de pães e leite para os estudantes. “Ele voltou correndo para São Paulo e me falou assim:
“
Neusa, nós temos que sumir. O sítio já foi descoberto. Pega as crianças. Não há tempo para nada, vamos embora.” Duzentos e quinze policiais da Força Pública juntamente com agentes do DOPS haviam cercado o sítio.
Dois dos 720
Milton Dota, então estudante da faculdade de Direito da USP, relata o que, segundo ele, foi o principal motivo da descoberta do Congresso. “Pegaram o jipe e foram até a cidade comprar comida. Pararam em uma padaria e compraram todo o pão que tinha. Em seguida, foram em outra padaria e compraram todo o pão e chocolate. Só que um delegado de polícia da cidade, que ia corriqueiramente à padaria comprar seu pãozinho, ouviu do padeiro a presença de um moço cabeludo e barbudo que comprara todo o pão. Aí, ele foi à outra padaria e ouviu o mesmo. Desconfiado, o delegado ligou para o DOI-CODI.”
Dota havia sido escolhido pela Diretório XI de Agosto, junto com mais dois alunos da faculdade de Direito, para ser delegado em Ibiúna. De forma clandestina, acompanhado do militante paulista, hoje ministro da Comunicação Social, Franklin Martins no mesmo carro, notou, assim que chegou ao sítio, que a estrutura organizada para o congresso não comportava tanta gente. Ele conta que, pelo fato de o sítio ser afastado da cidade, a alimentação era muito racionada.
Mesmo com o Congresso tendo sido interrompido poucos minutos antes de a polícia chegar, o estudante Jean Marc Van der Weid, membro da Ação Popular (AP), já havia sido eleito para a presidência da UNE. Ele havia sido condenado pela auditoria do Exército na cidade do Rio de Janeiro duas semanas antes da realização do Congresso. “Vim para São Paulo, um lugar em que eu era menos conhecido pela polícia e fiquei clandestino junto com o Luís Travassos, então presidente da União Estadual dos Estudantes”, lembra o ex-estudante de engenharia química da UFRJ. Jean chegou à Ibiúna numa segunda-feira. Seu número de entrada era o 99. Jean e Dota eram filiados à Ação Popular (AP).{Boletim Brasil de Fato}
15 de outubro de 2008
Locos
Contra la manicomialización, a favor del Hospital Público
Los “locos” están encerrados en hospitales psiquiátricos –que son, en realidad, cárceles- sin que hayan cometido ningún delito. Silenciados por los muros, son pocos los que reclaman por ellos. Sin embargo, el arte aparece como una forma de recuperar la identidad perdida.
Por Héctor Rosa
Deambulan por largos pasillos sucios de un edificio que los conducen a un destino común: la deshumanización. Una vez que ingresan, yo no son personas: no son padres, ni hermanos, ni tíos, ni siquiera hijos. Son entes a los que, por sobre todas las cosas, hay que medicar; considerados peligrosos para la sociedad “normal”, los locos estuvieron (y están) privados de la libertad, sin juicio, sin condena y sin fecha de salida.
Hay puertas, muchas puertas, a cada costado del pasillo de baldosas amarillas que, con suerte, destilan olor a lavandina. Dentro, Diego ya no es Diego, Ernesto ya no recuerda su nombre; otro individuo, flaco y encorvado, intenta levantarse de la cama con mucho esfuerzo, como si fuera más difícil que subir el Himalaya.
La mayoría ha perdido su identidad, les han robado lo que los diferenciaba del de al lado, apenas resaltan algunos ojos negros azabaches o algún barbudo; no importa dónde naciste, cómo es tu familia, hincha de qué equipo sos o si realizaste alguna profesión. Desde que entrás al manicomio, sólo sos un loco.
Y en este mundo de locos, quienes mayor poder tiene son los psiquiatras, convertidos en policías y jueces al mismo tiempo, pues son ellos quienes deciden el encierro y lo hacen cumplir. Los locos, convertidos en objetos, son entes privados de sentimientos y pensamientos; encerrados para “devolverles la razón”, se los medica con psicofármacos que los transforman en entes imposibilitados de pensar.
Una ráfaga de luz, en un cuarto muy oscuro
Para que este individuo/objeto recupere su capacidad como sujeto, el arte se convierte en el camino más preciso, la diagonal que nos acerca al centro del corazón. El Frente Artistas del Borda, realizando una modificación sencilla pero profunda, un cambio de vocabulario, convirtió al loco/internado en tallerista/artista. Esta organización, formada por representantes de distintas expresiones artísticas y por psicólogos, viene luchando hace más de veinte años por la desmanicomialización.
Término de moda en los últimos meses, y en boca de personas muy poco confiables, sugiere que la persona con sufrimientos mentales debe y puede vivir como un ciudadano/ser libre relacionado con los otros, sus semejantes. Nada peor para quien tiene sus lazos afectivos en crisis, que cortárselos definitivamente.
Muy lejos de la “propuesta” macrista de cerrar el hospital psiquiátrico, el Frente de Artistas del Borda ha publicado el siguiente mensaje:
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* COMUNICADO DE PRENSA (emitido originalmente en Abril de 2008)
El Frente de Artistas del Borda en referencia al anunciado Plan de Salud Mental del Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires, quiere fijar su posición pública.
Desde 1984 el Frente de Artistas del Borda trabaja en la defensa del Hospital y la Salud Pública desde un proceso de desmanicomialización.
Buscamos a través de las distintas disciplinas artísticas y creativas revincular con la comunidad a las personas con sufrimiento mental; así como también, generar espacios de reflexión y organización para modificar el imaginario social y las estructuras institucionales con respecto a la locura.
Para el Frente de Artistas del Borda, DESMANICOMIALIZAR:
ES dignificar la atención de la salud mental.
ES transformar el vínculo entre el profesional y la persona internada.
ES implementar internaciones cortas en Hospitales Generales o Centros de Salud Mental.
ES dignificar a los trabajadores del hospital.
ES procurar la atención ambulatoria.
ES ejercer el derecho a consensuar un tratamiento adecuado.
ES recuperar los lazos familiares y sociales de los internados.
ES garantizar la vivienda.
ES garantizar el trabajo.
ES mejorar la utilización de los recursos económicos.
ES brindar más información, apoyo y contención a las familias.
ES informar y trabajar con la comunidad.
ES convertir al manicomio en un hospital general con un área de salud mental.
ES consensuar las políticas en salud mental.
DESMANICOMIALIZAR:
NO ES cerrar el hospital público.
NO ES dejar en la calle a las personas internadas.
NO ES dejar a los trabajadores de la salud sin sus puestos de trabajo.
NO ES privatizar la atención de la salud pública.
NO ES sobremedicar.
NO ES encerrar.
NO ES segregar.
NO ES ejercer violencia física, psíquica ni química.
NO ES depositar a las personas.
NO ES abandonar ni desamparar.
NO ES judicializar la internación.
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Pero, para que esta lucha tenga un futuro asegurado es necesario que toda la sociedad sea consciente de que el sujeto que sufre este tipo de padecimientos mentales debe ser reincorporarlo a la vida cotidiana. Hay que fortalecer los lazos sociales que fueron quebrados durante su encierro.
Los psiquiatras y psicólogos deben trabajar en recuperar al paciente afectado por el consumo habitual de psicofármacos.
El Estado debe garantizar el desarrollo económico de estas personas, darles la oportunidad de que trabajen y brindarles el apoyo profesional adecuado: con psicólogos, trabajadores sociales y médicos. Debe incentivar el resultado positivo que producen las experiencias artísticas y creativas en la recuperación de la salud mental.
Los “locos” están ocultos en las instituciones psiquiátricas, les han robado su identidad, convirtiéndolos en entes anónimos, prohibiéndoles su humanidad. Fueron encerrados, en su mayoría, sin haber cometido ningún delito; sin ser enjuiciados, sin condena, cortando sus lazos afectivos, drogándolos e impidiéndoles que puedan recuperarse ya que, casi el 100%, nunca reconquista su libertad. La sociedad, tiene una fuerte deuda con ellos.{Agencia Rodolfo Walsh}
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