29 de outubro de 2007
Mestre
Professor: profissão perigo
Por Josafá Santos
15 de outubro. Deveria estar orgulhoso por ser o homenageado pelo dia destinado à profissão que abracei, deveria estar comemorando com os meus colegas de ofício, mas não estou. Nem eu nem meus colegas, pelo menos uma imensa maioria, não temos hoje o que comemorar, ainda que orgulhosos da profissão que abraçamos. Ser professor vem se tornando um misto de ofício perigoso e insistência masoquista. Quase um ato suicida. Do pior tipo. Do tipo que, aos poucos, lentamente, mata a alma. O corpo físico, nem se diga.
Poderia falar das muitas estatísticas que apontam o alarmante (e alguém se alarma com isso?) quadro de profissionais de educação com sérios problemas de ordem neuro/físico/emocional/psicológicas, em decorrência das péssimas condições de nosso trabalho. Não bastasse o salário indigno à função exercida, somam-se outros tantos cravos conhecidos, fincados nessa pesada cruz a carregar-se: as salas de aula criminosamente superlotadas, as (inúmeras) escolas fisicamente ainda mal aparelhadas, a falta de recursos, o que nos força a aulas semi-medievais, ainda na base da saliva, quadro e giz; o barulho ensurdecedor, lancinante, destrutivo, que emana de todos os recantos da escola, das salas de aula, dos corredores, do pátio, da rua, o barulho, ah, o barulho! Nossa única arma contra ele é o nosso grito, cada vez mais rouco, pois quase aos gritos, ou aos gritos de fato, temos de dar aula, única forma de nos fazer ouvir ou, muitas vezes, respeitar nesse campo de batalha que têm se tornado as salas de aula. Aos que se recusam a, gritando, perder a voz em poucos anos, e esses, os que perdem a voz, são muitos, resta a difícil arte de educar os ouvidos e corações alheios, buscando-se-lhes provar que é possível aos seres humanos se comunicarem vocalmente sem que um fique surdo ou sem que o outro perca o dom da voz ou da razão. Literalmente falando.
Educar nunca foi tão perigoso. Somamos a tudo dito acima o ensinar-se a muitos que, simplesmente, não querem aprender. E muitos não o querem não por desvio de caráter ou por indolência íntima, mas porque foram ensinados, e muito bem, antes de chegar à escola, que estudar é algo ruim. Tiveram bons professores. Falo dos pais desestruturados, filhos por sua vez de outras “famílias” mal geridas, num ciclo involutivo quase sem fim. Falo de um encontro casual, de um descuido contraceptivo que o destino fez transformar-se numa “família”. Sem a base afetivo/emocional/estrutural necessária, sem o planejamento mínimo, duas pessoas que mal se conheciam se fazem, em nove meses, os primeiros tutores de um ser que aos 6, 7 anos é mandado para um lugar chamado escola. Escola que muitas vezes é vista e usada ora como creche, ora como o porto “seguro” das ruas violentas, ou simplesmente como o local onde seu rebento vá receber alguma porção de comida que seja ao longo do dia e onde será entregue a alguém que o forme como homem, como cidadão, como ser humano, já que para isso são pagos os professores. Dever da família? Que família?
Há ainda uma outra gama de seres, os que não tendo perspectiva nas ruas, e nela também não tendo limite algum, limite também que, não encontrando em casa, se portam na sala de aula da mesma indigna forma que se portariam em seus domínios, buscando se impor pela tirania. Aos que aceitam, dá-se o antigo preceito da suserania/vassalagem; aos que não aceitam, resta o embate, sempre desgastante, quando não perigoso. Por falar em embate, a escola tornou-se, com raras exceções, um local de batalhas, num campo minado. E muitos já são os mutilados dessa guerra. Numa outra análise, pode-se falar da escola como um hospital não admitido. Nela, muitos são os portadores dos mais variados tipos de patologias (emocionais, psicológicas, afetivas e físicas), sem que se lhes dê o tratamento adequado e necessário. Ao professor, esse que “abraçou o magistério como um sacerdócio”, cabe a múltipla função de ser ao mesmo tempo: pai, mãe, irmão, psicólogo, guia espiritual e médico. E, não raro, ser também da polícia. Sim, nas escolas também existem armas e drogas. E gente disposta a usá-las.
Muitos acharão pessimista o meu artigo, carregado de excessiva violência verbal. Violência? Violência é que nós, educadores, temos vivido e morrido a cada dia em nossas unidades de ensino. Chegamos ao absurdo de começar a admitir o conceito da “agressividade aceitavelmente permitida”. Os palavrões, os desacatos, os desrespeitos em sala de aula, nos corredores, nos pátios, nas áreas livres; as ameaças, veladas ou não, dirigidas a quem trabalhe em educação, tornam-se a cada dia um fato comum, “natural e perfeitamente aceitável” e que, portanto, deve ser por todos aceito. Tem se tornado o professor um refém dentro de seu local de trabalho. Em muitos casos, com medo entramos em nossas escolas, com medo nos sentimos, ao sair delas, um vergonhoso e inaceitável sentimento de alívio nos toma conta da alma. Não passamos pelos bancos das universidades para, no exercício de nossa carreira, sentirmos isso.
Educador há doze anos e cidadão há 35, nunca vi em minha vida um gari a varrer a rua e ser xingado, ofendido. O mesmo digo de um policial a pé ou em sua viatura, fardado ou à paisana; de um delegado em sua delegacia, de um dentista, de um médico, de um engraxate, de um mecânico, de um feirante ou de um ambulante, durante os afazeres de seus ofícios. Aos professores, entretanto, criaram a fábula medonha de que estes seres suportam tudo, e que são eles os “detentores da extrema mansuetude e paciência”. Não sabem os que tal asneira professem como verdade, que a “paciência” diante desses casos, cada vez tão mais citados, muitas vezes nada mais é do que o simples medo, ou a anulação enquanto ser, travestidos de calmaria, de santificada resignação. Muitos já sãos os estressados, os roucos, os mudos, os surdos, os depressivos, os enfartados, os fartos (ah, os fartos do ofício!), entre nós, professores. Mas também muitos já são os agredidos, os mutilados, os ameaçados de morte e por fim os mortos de fato. Mas esses números quase nunca aparecem. Especialmente nas propagandas dos partidos e políticos eleitos, ou dos que lutam para se eleger. Para ambos, a educação é, e sempre será, o “futuro da nação”, refrão já roto de tão usado, uma falácia que não causa mais efeito algum. Para estes é claro que os problemas existem, mas também não são tão graves a ponto de merecerem real atenção.
Essa técnica, aliás, a de esconder a cabeça num buraco, tal qual se diz da avestruz diante de um inimigo ou em dias de tempestade, é também norma típica dentre muito educadores (em tempo: a história da avestruz covarde é fictícia. Nem ela é um animal tão estúpido assim) “Problemas? Que problemas? Problemas? Minha escola? Problemas? Eu? Eu não tenho problema algum...” Admitir um mistério implica resolvê-lo, o que implica muito trabalho, ou no mínimo uma mudança significativa de postura diante de si, do mundo, da vida. E muitos professores (sic) simplesmente não querem isso. Optaram (aí sim, resignadamente) por aguardar de forma ansiosa pelo dia de sua sonhada aposentadoria para, então, deixarem de ser professores.
O que ainda salva a nós, professores, nesses dias de eterna tempestade nesse imenso mar de calhaus são as boas presenças e lembranças dos nossos (ainda, muitos) bons alunos, que nos fazem acreditar que o nosso sonho de um mundo digno ainda é possível. Mas há de se dizer: desses bons alunos, um número cada vez menor se vê abraçando a docência como destino. Fica a pergunta: sem professores, onde estará o nosso futuro?
{Correio Caros Amigos}
27 de outubro de 2007
Pistols
Os pistoleiros e mandantes de crime no Brasil
Por Juliano Domingues
O fenômeno da pistolagem no Brasil, ao contrário do que se imagina, não está relacionado somente com os interiores das regiões Norte e Nordeste, nem está localizado em um passado remoto, e nem se relaciona apenas com questões de conflitos de luta pela terra.
A certeza vem ao ler o livro “O Nome da Morte”, de autoria do jornalista Klester Cavalcanti, na obra ele narra a história de Júlio Santana, um pistoleiro que em 35 anos matou exatamente 492 pessoas, em diversos lugares do país.
Em entrevista à Radioagência NP, o jornalista conta de sua relação com Júlio Santana e deixa claro, a partir da reflexão de fatos recentes como a morte da missionária Dorothy Stang, como o fenômeno ainda se dá no Brasil.
Radioagência NP - Você conversou com Júlio Santana por telefone durante sete anos, como foi encontrar um homem que matou quase 500 pessoas?
Klester Cavalcanti - A imagem que eu construí passando sete anos falando com ele por telefone era muito próxima da imagem real. Não a imagem física, mas a humana da pessoa. Um cara que por mais louco que pareça, um assassino de aluguel, era um cara bem tranqüilo, com humor bem próprio e muito íntegro em relação às coisas. O que eu encontrei no Júlio Santana é um cara que tem um orgulho meio estranho de dizer que nunca matou ninguém na vida porque ele quis matar, seja por vingança, briga ou questões pessoais. Todas as 492 pessoas que ele matou, ele fez porque alguém pagou para ele matar.
Radioagência NP - O coronelismo ainda é muito forte principalmente no interior do país. O Júlio, que de certa forma faz parte desse sistema, o que ele é? Ele é vítima? Ou é cúmplice?
Klester Cavalcanti - Eu acho que ele é cúmplice. O que motivou o Júlio a aceitar o convite do tio para virar pistoleiro foi a vontade de ganhar o que o tio tinha - uma moto, um barco ou uma casa igual a que o tio tinha. Eu não acho que as pessoas são vítimas. O Júlio quando matou a primeira pessoa tinha 17 anos, ele era tão bandido quanto ele é hoje. No livro, eu conto que ele matou um garoto de 13 anos com um tiro na cabeça. Esse cara é um criminoso, mas não é um animal. Mas uma coisa é certa, se o Júlio não fosse matador, todas as pessoas que ele matou estariam mortas do mesmo jeito. Porque os mandantes dos crimes, se não tivessem contratado o Júlio, teriam contratado o João, o José ou Severino.
Radioagência NP - A maioria dos fatos relatados no livro aconteceram na região norte e no passado. Mas hoje, pessoas como a missionária Dorothy Stang continuam sendo mortas por pistoleiros. Disse você que o fato é real e atual, mas que a mídia não aborda o fenômeno com a gravidade e seriedade de termos que ele realmente merece. Qual a sua opinião sobre isso?
Klester Cavalcanti - A gente tem casos bem mais próximos que mostram como isso acontece. Por exemplo, a morte do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, foi morto há quanto tempo? Até hoje não foi esclarecido. Foi morto de um jeito que fica meio óbvio que ali foi um caso encomendado e depois executado por assassino de aluguel. A gente tem crimes assim no Brasil inteiro, a imprensa mostra esses casos e passa para outro. O caso da Dorothy Stang ficou tanto tempo em evidência e voltou agora [por causa do novo julgamento], porque ela era uma religiosa americana. O mesmo empenho que o Governo Federal mostrou para pegar o mandante do crime da Dorothy Stang tem que ser feito para pegar os mandantes dos crimes de todos os agricultores que morrem no Brasil todos os dias, porque quando matam um agricultor em Marabá (PA) ninguém mostra.
Radioagência NP - O que você tem a dizer sobre a impunidade no Brasil?
Klester Cavalcanti - Morre gente todo dia no Brasil em crimes relacionados com a questão agrária. Todos os estados têm registros de trabalhadores rurais sendo assassinados e para a vergonha maior, a impunidade do mandante é de 100%, nenhum mandante até hoje foi preso. O mandante da morte da Dorothy agora está prestes a ficar livre, o pistoleiro agora está dizendo que matou a missionária porque quis e ninguém o mandou fazer aquilo. É óbvio que o mandante falou para o pistoleiro o seguinte recado: se você me entregar, eu mando matar a sua família, e se você me livrar, quando você sair, eu lhe dou uma grana. É claro que é isso, todo mundo sabe e ninguém faz nada!
Radioagência NP - Conte um caso que exemplifica isso.
Klester Cavalcanti - Por exemplo, o Júlio me contou de quando ele comandou uma chacina em Rondônia em que matou seis pessoas, ele tinha um caderno onde ele anotava os nomes das vítimas e mandantes. Eu liguei para o pessoal da CPT, pedi que eles averiguassem e eles me confirmaram tudo. Eu consegui descobrir coisas que nem ele sabia. Teve um caso em que ele matou um sindicalista chamado Nativo a mando do prefeito em uma cidade de Carmo do Rio Verde (GO). Eu consegui o processo judicial e descobri que, muito tempo depois, o prefeito chegou a ser julgado como mandante do crime, mas foi absolvido por falta de provas. E agora a gente tem um livro com um cara que diz que foi ele que matou o Nativo, a mando do prefeito, sim, senhor! Então tudo está confirmado e a polícia e a justiça não fazem nada!
{Radioagência Notícias do Planalto}
26 de outubro de 2007
2 Che
Che, el gen de la rebeldía
A 40 años de su muerte (se cumplen el 9 de octubre), Ernesto Che Guevara sigue siendo el ícono más grande de rebelión ante la injusticia que haya aparecido desde entonces. Más allá de los errores que pudo haber cometido en el terreno militar o político, no es posible encontrar una figura donde se conjuguen incorruptibilidad, valentía y desprendimiento personal como en el Che. Esa inédita síntesis es, sin dudas, la que permite que supere el paso del tiempo.
Por Eduardo Aliverti
Si bien se registran críticas a ciertas decisiones que tomó en el plano militar –se dice que haber dividido la columna a su mando en el último tramo en Bolivia, fue un grave error desde el punto de vista estratégico–, a algunos aspectos de su gestión al frente del Banco Central y del Ministerio de Industrias de Cuba, y a sus duras medidas disciplinarias –fusilamientos incluidos–, es imposible encontrar, por derecha o por izquierda, quien ponga en duda su honorabilidad, su intachable conducta, su desprendimiento, su austera forma de vida aun siendo funcionario.
Por esa razón, el Che se constituye como una figura totalmente diferente, que cuenta además con un ingrediente no menor, quizás más obvio, pero indispensable para completar las características de mito insuperable: joven, hermoso y muerto antes de los 40 años combatiendo en tierra ajena por el internacionalismo. Virtualmente imposible de ser superado en términos de concentrar en una sola figura todas esas peculiaridades.
Solo en esa línea de pensamiento se puede hallar cierta explicación acerca de que la del Che sea una presencia que no solo se mantiene vigente, sino que se muestra en cada una de las manifestaciones, marchas y protestas que en el mundo se desarrollan. En todas ellas, si se quiere buscar un denominador común, ese es el Che.
En una reciente participación televisiva en la que debía “defender” al Che Guevara, promoví los valores que esgrimió a lo largo de su vida y su actuación como líder revolucionario, pero de ninguna manera considero que encarne al argentino tipo, o al “patrón genético nacional”. Se da en este plano una contradicción. Hay una cantidad de elementos que suelen vincularse con la “argentinidad”, como la trampa o la picardía, que no tienen absolutamente nada que ver con Guevara. Por otra parte, si se toman en cuenta su placer por la lectura, por la cultura, la afición por el deporte, uno podría definir que era argentino, y yo diría, más bien porteño.
Tampoco puede negarse, lo dijo el propio Fidel Castro, que el Che siempre pensaba en la Argentina como desembarco final. Fidel lo explica en una nota que le hiciera Gianni Miná, transformada en libro y video titulado Cuando pienso en el Che porque así comienza su respuesta Fidel. Una respuesta de cuatro horas, por cierto. En esa entrevista, hace 20 años, Fidel recuerda la promesa formulada en México al Che, acerca de que una vez que triunfara la revolución en Cuba, nada le impediría acudir con su espíritu revolucionario allí donde el mundo lo requiriese. Fidel contesta, y creo que esto también lo hace admirable, sobre el carácter temerario de Guevara, incluso hace un cuestionamiento a su arrojo, a ese ir todo el tiempo al encuentro de la muerte. Al verse cercado en Bolivia debió cuidarse, escapar, dice Castro, y aclara que bajo ningún aspecto se lo dejó solo, sino que, por el contrario, no fue posible colaborar más con él en esas circunstancias. Y afirma también Fidel que el triunfo o no de una decisión no define su justicia: si no hubiésemos triunfado en Cuba, aclara, si nos mataban a todos en el desembarco del Granma, no habría significado que estábamos equivocados. Y concluye que el Che no estaba equivocado en Bolivia, aunque yo creo que, íntimamente, Fidel piensa que el Che sí se equivocó en Bolivia.
Desde el presente y hasta donde da la vista no se percibe la posibilidad de que surja una figura con las características épicas del Che, y mucho menos en esta etapa mundial en la que la victoria del mercado, la filosofía del egoísmo y la antisolidaridad difícilmente permitan la aparición de una personalidad de esas características. Que se impuso además a las de otros revolucionarios, derrotados por el tamaño alcanzado por Guevara en términos de consideración mundial, honorabilidad y puesta del cuerpo en defensa de un ideario. Por caso, el Che superó una prueba muy dura, casi imposible: venció al marketing, que no logró vaciar de sentido su imagen. Cada pibe que lleva una remera, un escudo, un tatuaje del Che invita a pensar en quién fue esta figura que conserva el poder de concentrar semejante grado de admiración. Quizás esa sea la palabra clave a 40 años de su muerte: por fuera de toda polémica, no hay personaje en la Argentina que sea tan admirable como él. Por eso creo que hay mito para rato.
Aun en este mundo unipolar, de concentración globalizada, Guevara seguirá presente. En cada lugar del mundo donde el espíritu de rebeldía, siempre latente, requiera de un referente, allí estará el Che.
{Red Voltaire}
25 de outubro de 2007
Fear of the Black Planet
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Africano é menos inteligente, diz James Watson, Nobel por ter descoberto a estrutura do DNA
Uma entrevista do biólogo James Watson, 79, com declarações racistas anteontem a um jornal britânico atraiu uma enxurrada de críticas de cientistas, sociólogos, políticos e ativistas de direitos humanos.
Watson, ganhador do Prêmio Nobel por ter descoberto a estrutura do DNA juntamente com Francis Crick, em 1953, afirmou ao jornal britânico "The Sunday Times" que africanos são menos inteligentes do que ocidentais e, em razão disso, se declarou pessimista em relação ao futuro da África.
"Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [dos negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não", afirmou o cientista. "Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade." A reportagem é do jornal Folha de S. Paulo, 18-10-2007. A notícia também é destaque dos jornais El País e Clarín, 18-10-2007.
A declaração verbal foi apenas um jeito um pouco menos delicado de expor o que ele já havia escrito em seu recém-lançado livro "Avoid Boring People" (Evite Pessoas Chatas): "Não há razão firme para crer que as capacidades intelectuais de pessoas geograficamente separadas evoluam de maneira idêntica. Nosso desejo de considerar poderes iguais de raciocínio como uma herança universal da humanidade não vai se prestar a isso."
Pessoas que apontaram erros na declaração de Watson afirmam que a reação ao cientista precisa ser contundente. O cientista chegou ontem a Londres para divulgar seu livro, e já foi recebido com críticas - teve uma palestra cancelada no Museu de Ciência de Londres.
"Isso é Watson no nível mais escandaloso", disse Steven Rose, fundador da Sociedade para Responsabilidade Social em Ciência do Reino Unido. "Ele já havia dito coisa parecida sobre mulheres, mas eu nunca o ouvira entrar no terreno do racismo. Se ele conhecesse literatura sobre o assunto, saberia que está totalmente enganado cientificamente, além de socialmente e politicamente."
Dono de opiniões polêmicas, Watson ganhou o apelido de "Honest Jim". Em seu livro "Genes, Girls and Gamow", Watson se declarou favorável a um tratamento genético para deixar mulheres feias mais bonitas.
Em outra ocasião, defendeu o direito ao aborto, se as grávidas pudessem saber se a criança nasceria homossexual.
Entre os cientistas que reagiram de maneira mais dura contra Watson estão os próprios geneticistas.
"Definitivamente, isso não faz sentido nenhum e é totalmente estapafúrdio", disse Sérgio Danilo Pena, da Universidade Federal de Minas Gerais. "É uma falácia de autoridade. Ele não é especialista no estudo de evolução de populações humanas. Ele estuda biologia molecular pura."
Pena, cujo trabalho sobre populações brasileiras contribuiu em grande medida para derrubar o conceito biológico de raças humanas, afirma que a maioria das pessoas "não vai levar Watson a sério", mas que ele pode "inflamar os ânimos" daqueles que já são racistas.
Sobre a situação da África, Pena diz que nem sequer é uma questão de inteligência. "O Watson confunde uma situação histórica e social da África com uma situação biológica", disse. "O que acontece é que os africanos foram vítimas de uma colonização brutal por parte dos europeus".
{Instituto Humanitas Unisinos}
8 de outubro de 2007
Che - Um
A lenda Che. Introdução ao mito
Por que razão Che se transformou em um mito? É o que Jorge Auliciano em artigo para o El País, 30-09-2007, procura desvendar. Segundo ele, esse processo de mitificação de Che começou antes de sua morte, com o que já tinha de mítico a revolução cubana e os seus heróis. Mas o sacrifício converteu Che num emblema de gratuidade, de férrea adesão a ideais, exatamente numa sociedade na qual esse desapego estóico e carregado de princípios parece cada vez mais um objeto de museu.
O autor, considera ainda que contribuiu para consolidar a imagem de um Che mítico e lendário duas fotos históricas, a do fotógrafo cubano Alberto Korda e a do fotógrafo boliviano Freddy Alborta. A tradução é do Cepat.
Eis o artigo.
A conjugação de uma derrota sublime, de um crasso erro tático e estratégico e de duas imagens que se difundiram quase que simultaneamente fizeram de Ernesto Guevara um símbolo de gratuidade, coragem, absoluto desapego, inclusive pelo objetivo e emblema de uma vitória metafísica.
A história deve ainda dizer muito sobre as razões que levaram Guevara e seus ideais a um beco sem saída na selva de Ñancahuazú no sudeste boliviano. A forma, inclusive, como Che caiu nas mãos do exército boliviano, ferido, andrajoso, com uma arma avariada, deveria ser tão significativa como o seu corpo estendido sobre uma maca colocada sobre uma espécie de tanque de lavagem no hospital de Vallegrande.
“Não se preocupe, capitão, tudo acabou”, é o que Guevara teria dito a Gary Prado, segundo esse, no momento em que se entregou. Prado hoje é general e anda em cadeira de rodas, baleado nas costas por um erro quando despejava, anos depois, ultra direitas que ocuparam um poço petroleiro. Esse “tudo acabou” não significa mais do que a confissão quase sarcástica de uma impotência que nunca foi explicada.
Não é a frase que Guevara pronunciaria desde o terreno do mito, lugar para o qual foi depois das rajadas de fuzil automático disparadas pelo sargento Mario Terán, no momento em que se encontrava prisioneiro em uma escola do povoado de La Higuera. As palavras que o mito pronuncia são: “Aponte bem e dispare. Você vai matar um homem”. Terán foi quem as repetiu para a posteridade. Elas ressoam hoje de uma maneira estranha. Guevara parece estar dizendo: “Você vai matar um valente”, mas também: “Vai matar um homem, não a sua lenda”.
Como se construiu esse mito?
Hoje, os camponeses dessa região da Bolívia fizeram um santuário não no lugar em que foi fuzilado – a escolinha de La Higuera – mas no local de Vallegrande em que foi exibido o seu cadáver. Os camponeses, que na época não se uniram a ele e tampouco o apoiaram, o têm como um santo. É o que sobrou da verdadeira religiosidade que ainda inspira o Che. O restante é um aluvião de imagens, das quais não é possível estabelecer o conteúdo nem o significado. Milhares de jovens que nem haviam nascido quando Che morreu, o carrega em imagens sobre suas camisetas, em tatuagens, nos adesivos em automóveis - não são socialistas e nem o serão e ignoram quase tudo sobre o tipo de revolução que Che queria.
Che partiu de Cuba em 1965. Perdeu ali várias batalhas políticas ou não foi demasiado apto para travá-las. Em 1967, o ano da sua morte, o editor marxista Giangiacomo Feltrinelli, que em 1972 morreu vítima de uma explosão enquanto, supõe-se, tentava sabotar uma torre de alta tensão próxima de Milão, obteve de presente uma foto de Alberto Korda, de 1960. O fotógrafo cubano a tirou em um ato de rua quando Che se aproximou da mureta de um palanque para olhar a multidão. Não gostou e deu a Feltrinelli, que viu na foto a imagem de uma espécie de anjo sombrio e visionário. Em poucas semanas vinha à tona o primeiro pôster de Che. A imagem virou milhares de cartazes e cartões-postais. Meses depois, Che morria.
Quase simultaneamente outra foto se sobrepôs a de Alberto Korda, a foto tirada de Che pelo fotógrafo da UPO, Freddy Alborta, em Vallegrande, foto que associa Che a imagem de Cristo. As fotos de Freddy Alborta; a pintura de Andrea Mantegna, A lamentação sobre Cristo Morto, de 1940; e a pintura de Rembrandt, A lição de Anatomia do doutor Nicolas Tulp, de 1632; tornaram aquela morte uma iconografia do martírio. Um certo modo de vincular estas imagens produzidas pela pintura e a história deram conteúdo a discussões que se sucedem desde que o escritor inglês John Berger relacionou o quadro de Rembrandt com as fotografias de Vallegrande.
Na realidade, os fatos, as causalidades, a pintura, a religião católica, parecem ter se misturado para que a imagem de Guevara saísse da historia e entrasse no terreno do mito, no preciso instante em que morreu. O anjo de 1960 e o mártir de 1967 são dois rostos de um mesmo sacrifício, posto que a foto de Korda deu a volta ao mundo já impregnada do ar sacrifical da foto de Alborta.
Décadas depois, o cineasta argentino Leandro Katz, no seu documentário El día que me quieras (1997), pergunta ao fotógrafo boliviano sobre as fotos da morte e esse diz: “Comoveu-me o olhar de Guevara. Tinha a impressão de estar fotografando a um Cristo. Não era simplesmente um cadáver, era algo extraordinário”. Se Alborta sentiu realmente que se movia por um “entorno” místico, então estava instintivamente unido à corrente pictográfica que desde o Renascimento acrescentou um poder sobrenatural às imagens do Cristo e do corpo de Cristo.
Nem o comando militar, nem Terán que não feriu o rosto de Che, nem o agente da CIA Félix Rodríguez, que ordenou que se evitasse a desfiguração do rosto, poderiam prever como a câmera do fotógrafo cavaria na escuridão até encontrar um corpo humano abatido e um olhar sobre-humano a ponto de ser comparada com a cena de um Cristo sob a cruz, e com uma obra de Rembrandt, nas quais luzes e sombras unem a carne detestável e perecível, o cheiro de morte e hospital, com um hálito cósmico. Há muita poesia nisso, mas uma poesia da qual se "alimentaram" sucessivas gerações. A lente fotográfica, a arte mecânica do século, produziu o efeito da grande arte, desde o inicio até o final do mito de Che.
O resto é literatura. E o que vem depois, uma reprodução ao infinito de uma silhueta que não tem conteúdo propagandístico, uma vez que não há o que propagandizar, nem político, mas meramente ideológico em conceito de mistificação.
A imagem de Che estirado o fez imortal. De nada serve hoje dizer que a sua incursão na Bolívia foi um fracasso militar e político, uma sucessão de erros de trágicas dimensões para ele e para o movimento revolucionário. A questão pela qual Che morria não era importante. O estadunidense Peter Bourne, em sua biografia "Fidel", destacou a causa pela qual, mesmo no fracasso político, a morte de Che é éticamente vitoriosa: “Che, um revolucionário purista, romântico, acreditava que estar moralmente correto era, em última instância, mais importante do que conseguir a vitória”.
Há idéias que a imagem de Che já não atinge. Idéias que, por sua vez, seria muito difícil dos jovens que carregam a imagem de Che compreender. São de um período da história cujo discurso resulta incompreensível. Na "A vida vermelha" (1997) o ensaísta mexicano Jorge Castañeda anota: “As idéias de Che, a sua vida, a sua obra, inclusive o seu exemplo, pertencem a outra etapa da história moderna, e como tais, dificilmente recobrarão algum dia a sua atualidade. As principais teses teóricas e políticas vinculadas a Che – a luta armada, o foquismo guerrilheiro, a criação do homem novo e a primazia dos estímulos morais, o internacionalismo combatente e solidário – carecem virtualmente de vigência. A Revolução Cubana – seu maior triunfo, seu verdadeiro êxito – agoniza ou apenas sobrevive graças à rejeição de boa parte da herança ideológica de Guevara. Mas a nostalgia persiste”.
O “clima da época” se apresenta em uma história que ao longo dos anos parecia desmesurada e impossível. Tinha o selo da Revolução Cubana, que também, em princípio, parecia impossível e que foi considerada no mundo da esquerda como um sucesso excepcional, a luta contra os Estados Unidos, a congênita debilidade do exército cubano, a bandeira nacionalista enraizada na ilha e uma coragem fora do comum.
{Instituto Humanitas Unisinos}
27 de setembro de 2007
Mil debates depois...
Leis de incentivo à cultura estão concentradas nos grandes centros urbanos
Por Juliano Domingues
Menos de 6% dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros possuem alguma legislação destinada ao incentivo à cultura. As informações são do Suplemento de Cultura da Pesquisa Informações Básicas Municipais divulgado nesta semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com a pesquisa, as leis de incentivo à cultura estão concentradas nas cidades que possuem mais de 500 mil habitantes. Dos 36 grandes centros urbanos brasileiros, 27 investem em cultura.
No Brasil, as leis de incentivo à cultura, com destaque para a Lei Rouanet, trabalham de modo a oferecer abatimento de impostos para os empresários que investirem em algum projeto cultural. No entanto, de acordo o integrante do Coletivo de Cultura do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Rafael Villas Boas, este processo faz com que o investimento em cultura fique completamente à mercê dos interesses de mercado.
“Objetivamente isso não nos interessa. Transfere para o poder privado o poder de decisão sobre o que investir. O recurso de impostos públicos é revertido para a publicidade da imagem própria das empresas privadas e produção popular fica completamente à mercê dos interesses de mercado”.
De acordo com Rafael, isso explica o fato de que os investimentos estão concentrados justamente nas cidades com maior população.
“Onde tem mercado consumidor é onde essas empresas investem a sua verba que seriam públicas em investimento publicitário. E aí você tem absurdos como o Circo de Soleil, que vem ao Brasil com recursos da lei Rouanet. E o Bradesco além de fazer toda a publicidade, cobra R$ 200 a R$ 300 por ingresso”.
{Radioagência Notícias do Planalto}
17 de setembro de 2007
La Marca
Militares recorrem de anistia a Lamarca
O Clube Naval, o Clube Militar e o Clube de Aeronáutica, que representam respectivamente oficiais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, entraram com ação contra a União perante a Justiça Federal do Rio, para pedir a anulação da portaria do ministro da Justiça, Tarso Genro, que concedeu anistia política post-mortem ao capitão Carlos Lamarca - com promoção ao posto de coronel e proventos de general-de-brigada, além de reparação econômica no valor de R$ 902.715,97, em favor de sua viúva, Maria Pavan Lamarca. A reportagem é do jornalista José Maria Mayrink para o jornal O Estado de S. Paulo, 14-09-2007.
Com data de 10 de setembro de 2007 e assinada pelo advogado Emílio Antônio Sousa Aguiar Nina Ribeiro, a ação requer também que sejam anuladas mais duas portarias que concedem indenização suplementar de R$ 100 mil à viúva e mais R$ 100 mil, igualmente em caráter indenizatório, a sua filha Cláudia Pavan Lamarca. A ação requer ainda que, declarados nulos os atos administrativos do ministro da Justiça, sejam sustados os pagamentos deles decorrentes e devolvidos aos cofres públicos os que já tiverem sido efetuados.
Os autores argumentam que, conforme o Decreto 3.998, de 5 de novembro de 2001, só será promovido post-mortem o oficial que, “ao falecer, satisfazia as condições de acesso e integrava a faixa dos oficiais que concorriam à promoção pelos critérios de antiguidade ou de merecimento”. Sustentam, assim, que o Conselho de Anistia não pode fazer a promoção, mesmo com o referendo do ministro da Justiça.
O advogado relembra a trajetória de Lamarca para contestar a promoção: “O ex-capitão Carlos Lamarca se afastou voluntariamente do Exército, a fim de participar ativamente da guerra revolucionária destinada a implantar no Brasil a chamada ditadura do proletariado comunista. O seu termo de deserção tem a data de 13 de fevereiro de 1969. Além disso, roubou armas do Exército para alimentar a insurreição armada, participou do extermínio de muitos e assassinou, com requintes de tortura e perversidade, o tenente Alberto Mendes Júnior, que teve o crânio esfacelado a coronhadas por ordem de Lamarca, tão-só por ter aquele se oferecido para trocar de lugar com os seus subordinados que tinham sido emboscados e presos pela tropa de Lamarca.”
A ação transcreve trechos de discurso que o senador Gerson Camata (PMDB-ES) pronunciou no Senado em 6 de junho deste ano a respeito desse histórico. Lamarca, disse o senador, “era um oficial do Exército, do que, tendo desertado, roubou armamentos e, com esses armamentos roubados, formou uma guerrilha não destinada a combater a ditadura militar, mas destinada a implantar no Brasil um regime pior do que a ditadura militar, um regime comunista radical, de esquerda, financiado pelo sr. Fidel Castro”.
Na ação, Nina Ribeiro, que foi aliado do governador Carlos Lacerda na Assembléia Legislativa do então Estado da Guanabara, afirma que “a esdrúxula promoção post-mortem não tem qualquer lastro ou fundamento ético e, muito menos, valor jurídico, legal ou administrativo”.
Lamarca, que servia num quartel de Quitaúna, em Osasco, quando desertou do Exército para entrar na luta armada, foi comandante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), da Var-Palmares e do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), pelos quais combateu no Vale do Ribeira (SP) e no sertão da Bahia, onde foi emboscado e morto por tropas do Exército, em setembro de 1971. Nascido no Rio, em 27 de outubro de 1937, casou-se em 1959 com Maria Pavan, com quem teve dois filhos - César e Cláudia.
{Instituto Humanitas Unisinos}
12 de setembro de 2007
El neoliberalismo en México
Los niños y las niñas, nunca primero
Por la Redacción de APM
Más de tres millones de mexicanas y mexicanos de escasa edad desempeñan algún trabajo. La explotación de menores no es exclusiva del país azteca pero sí deja huellas dolorosas.
De acuerdo con cifras oficiales, en México 3.3 millones de niños y niñas de entre seis y 14 años desempeñan alguna actividad laboral. Uno de cada seis menores entre esas edades. El fenómeno tiene como origen la exclusión, la pobreza y la desigualdad social; es decir, el modelo económico vigente.
Así lo revela un artículo del destacado analista de la prensa mexicana, Carlos Fazio, distribuido la semana pasada por la agencia latinoamericana de noticias Prensa Latina.
La explotación del trabajo infantil no es privativa de México. Tampoco es exclusiva de los países subdesarrollados, sino que constituye un grave problema en las naciones industrializadas donde dicha mano de obra, por lo general presente en el agro, es producto de la migración internacional.
En Estados Unidos, por ejemplo, las condiciones de trabajo para los menores que se ocupan en tareas agrícolas no difieren de las existentes en México, pues viven en una situación de casi esclavitud, al cumplir jornadas extenuantes por tres dólares la hora, menos del mínimo estadounidense, afirma Fazio.
Según un informe de la Organización Internacional del Trabajo (OIT), la mano de obra infantil ocupa a cerca de 218 millones de niños en el mundo, de los cuales 132 millones se dedican a la agricultura, una de las tres actividades más peligrosas, junto con la minería y la construcción.
En el campo, esos niños jornaleros crían ganado, recogen cosechas y cultivan hortalizas, por lo que deben manejar pesticidas peligrosos y trabajar con maquinaria poco segura. También se emplean en las ciudades, muchas veces en horarios nocturnos, en la limpieza de oficinas, bares o en el empaque de periódicos, e incluso caen en las redes de la explotación sexual comercial.
En el caso mexicano, señala el artículo divulgado por Prensa Latina, cada año 300 mil niños y niñas, en su mayoría indígenas de los estados de Oaxaca, Guerrero, Chiapas, Veracruz, Puebla y Michoacán abandonan sus comunidades para emigrar con sus familias a las zonas agrícolas en el norte del país, particularmente a Sinaloa y Baja California, en busca de trabajo e ingresos.
De acuerdo con cifras oficiales, de los 200 mil jornaleros que levantaron la zafra - la cual concluyó recientemente en Sinaloa -, 12 mil eran menores. Sin embargo, especialistas afirman que el número de los niños jornaleros hortícolas asciende a 20 mil.
En los campos, las condiciones de vida son precarias. Los jornaleros viven en la pobreza extrema, hacinados en galerones que cuentan con una letrina para el uso de 20 familias.
Además, vaya paradoja, los menores no cuentan con seguro social porque la Constitución mexicana prohíbe el trabajo infantil, subrayó el connotado periodista de la prensa mexicana.
Los agricultores aducen que emplean niños porque los padres lo solicitan. La pregunta es por qué, si piden aumento salarial y mejores condiciones laborales, no se los dan.
Más de 90 por ciento de los hijos de la población jornalera migrante no asiste a la escuela. Y para quienes sí lo hacen, un problema adicional es que al pasar de una escuela a otra, o de un estado a otro, suelen perder su nivel de escolaridad. Además, sufren un cambio profundo en sus costumbres, cultura e incluso idioma.
Esos niños se suman a otros cinco millones de jóvenes que en el país no estudian ni trabajan. Por lo que, sin hipérbole, México está en riesgo de perder toda una generación de niños y jóvenes, destacó Prensa Latina.
El rector de la Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), Juan Ramón de la Fuente, les llama "la generación del desencanto".
En un país que se ubica entre las 12 economías más grandes del mundo, y que se dice democrático, no parece ético y menos justo que ese sea el destino de una quinta parte de los mexicanos menores de 20 años. Un destino que, de no modificarse, los condena a la delincuencia, la emigración masiva, la drogadicción, los embarazos no deseados, el comercio informal o la explotación sexual infantil.
Aparejado a ese sombrío panorama, un nuevo fenómeno, que crece en forma alarmante ante el aumento de la pobreza y la falta de empleo en México, es el de la migración de niños solos a Estados Unidos.
Se estima que, cada año, 150 mil niños intentan pasar la frontera sin la compañía de familiares o ayudados por "polleros", de los cuales 60 mil son deportados.
Según Fazio, “el trabajo infantil es un fenómeno tan antiguo como la especie, pero se ha fortalecido desde los orígenes de la Revolución Industrial y se ha consolidado en la más reciente fase del capitalismo, impulsado por la feroz competencia global y las consignas neoliberales de incrementar rentabilidad, productividad y competitividad a costa de lo que sea”.
Poco difieren las tristemente célebres legiones de niños empleados en las minas inglesas de carbón del siglo XIX con las labores que realizan hoy los menores, trabajadores en los campos de San Quintín, del norte de México, o en las maquilas de ropa de la marca deportiva Nike, de Indonesia.
Eso es así porque las políticas neoliberales encontraron un terreno especialmente fértil en las deficiencias regulatorias y en la corrupción de los gobiernos de nuestros países.
En el caso de México, no debe pasar inadvertido que el grupo gobernante pretende "flexibilizar" las disposiciones del artículo 123 constitucional y de la Ley Federal del Trabajo con el fin de hacer más atractiva para los capitales depredadores - esto es, más barata y explotable - la fuerza de trabajo local, y que ese designio entraña riesgos de desprotección adicional, especialmente severos, para los menores que trabajan.
De allí que condenar el trabajo infantil, sin denunciar también las causas profundas que lo generan, sea un acto de hipocresía.
Tales causas se encuentran en el mismo modelo económico inhumano que se aplica en México durante el último cuarto de siglo y al cual mantiene fidelidad inamovible la actual administración de Felipe Calderón, puntualizó el autor de la nota distribuida por Prensa Latina.
{Agencia Periodística del Mercosur}
11 de setembro de 2007
Comiendo tierra
Desmontar el mundo
Por Alberto Morlachetti
(Avellaneda, Argentina)
Walter Benjamin describía el progreso como una tempestad que llevaba la Historia hacia la catástrofe. Theodor Adorno - en el mismo sentido y en plena guerra mundial - observaba que el nazismo no es una recaída a un tiempo de barbarie ancestral, sino producto de una dialéctica negativa de la propia civilización occidental y que el desarrollo industrial y técnico se transformaba en regresión social y humana.
Adorno y Horkheimer dirigían sobre el mundo una mirada melancólica y sombría. Creían que todas las relaciones humanas y sociales se transformaban en relaciones mercantiles y la cultura en un producto industrial de consumo. En los años cincuenta, Adorno escribía que el nazismo vivía todavía y subrayaba que la amenaza no era - a sus ojos - la de una vuelta del fascismo contra la democracia, sino más bien la de una supervivencia del fascismo en la democracia.
En plena crisis económica de 2002, el pequeño Diego había sido retratado por el diario La Nación como una de las imágenes “estelares” de la pobreza y la desnutrición en Quitilipi, provincia del Chaco. A cinco años de aquella publicación, la historia de este niño regresa para mostrar que todo sigue igual en su vida, incluso sus medidas físicas, aunque ahora tiene 12 años en lugar de siete. La muerte anidó la espera en su cuerpo - como palomas breves - una docena de olvidos.
Sabina Romero - su madre - observa a su hijo y dice: “Se la pasa comiendo tierra”. “¿Tienen otra cosa para comer?”, le preguntó el cronista del mismo diario. “Está así nomás; en todo el día, la criatura no come nada. Hoy no comimos en todo el día porque no hay”. Tampoco sus hermanos, expresó con naturalidad Sabina, que parece resignada como los Tobas o Wichis que viven entre hambrunas, muriendo por docenas, agonizando por centenas en territorio chaqueño o en la sombra siempre amenazante de Auschwitz.
El hambre, como un perro ciego, muerde - sin rostro y sin nombre - en el patio endiablado de la miseria y transforma la música de la existencia en un desencuentro de ternuras imposibles. Dónde posar el pie, dónde el poema. Sí, desmontar el mundo donde mueren los retoños inocentes, sería la tarea del hombre.
{Agencia Pelota de Trapo}
6 de setembro de 2007
À memória e à verdade
Reprodução/Cia da Memória
Anistia: após 28 anos, esperança de solução para os desaparecidos
O livro-relatório lançado pelo governo federal pede mais investigações para tentar localizar os restos mortais dos desaparecidos políticos durante o regime militar
Tatiana Merlino
Para recuperar a história de cerca de 400 militantes políticos vítimas da ditadura militar no país, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) lança o livro “Direito à memória e à Verdade - Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos”. A obra relata o trabalho da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos – instituída pela Lei nº 9.140 de dezembro de 1995 – que, durante 11 anos, trabalhou na busca de solução para os casos de desaparecimentos e mortes de opositores políticos por autoridades do Estado durante o período de 1961 a 1988.
O livro, lançado na data em que a Lei de Anistia, de 28 de agosto de 1979, completa 28 anos, é o primeiro documento oficial do governo federal a relatar as condições em que os opositores da ditadura civil militar foram torturados e mortos.
Em entrevista ao Brasil de Fato, o ministro da SEDH, Paulo Vannuchi – organizador da publicação –, afirma que "a partir de agora temos um livro oficial com carimbo do governo federal, que incorpora a versão das vítimas". Segundo ele, um dos desafios que ainda se colocam para a Comissão é a localização dos restos mortais dos desaparecidos durante o regime. No entanto, para que isso aconteça, ele lembra que "é preciso que haja um procedimento interno dentro das Forças Armadas, no sentido de que eles ouçam militares que participaram da repressão e que tenham informações para podermos cumprir esse direito milenar e sagrado das famílias de enterrar seus entes queridos".
Quem é
Cientista político e jornalista, Paulo de Tarso Vannuchi foi preso político entre 1971 e 1976 e um dos 34 signatários do amplo dossiê entregue ao presidente nacional da OAB, Caio Mário da Silva Pereira, em 23 de outubro de 1975, arrolando os nomes de 233 torturadores, descrevendo os métodos de tortura, as unidades onde eram praticadas e apresentando uma primeira lista geral dos assassinados desde 1964. É co-fundador e membro do Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae. Trabalhou na equipe que realizou, sob sigilo, o projeto de pesquisa “Brasil Nunca Mais”. Co-fundador do Instituto Cajamar, ao lado de Lula, Paulo Freire, Florestan Fernandes, Antonio Candido, Perseu Abramo e outros, e desde dezembro de 2005, secretário especial dos Direitos Humanos, que possui status de ministério.
Brasil de Fato – Como surgiu a idéia de fazer o livro?
Paulo Vanuchi – Quando eu cheguei na Secretaria, em dezembro de 2005, já havia a idéia geral de fazer um livro-relatório. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos foi instituída pela Lei nº 9.140 de dezembro de 1995 e começou a funcionar em 1996.
Esse é o primeiro documento oficial do Estado brasileiro que faz tal relato. Houve muitos trabalhos de jornalistas, especialistas, dossiês dos mortos e desaparecidos que tratavam do assunto, mas faltava um documento oficial. Ele registra toda essa informação que não estava sistematizada feita com base no trabalho da Comissão, a qual foi criada com três objetivos: formalizar o reconhecimento de que o Estado era o responsável pela morte de opositores políticos, promover a reparação indenizatória e reunir esforços para localizar restos mortais de aproximadamente 140 brasileiros cujos corpos não foram entregues aos seus familiares.
A Comissão trabalhou 479 casos, dos quais 118 foram indeferidos. Dos 353 deferidos, já havia 136 que estavam numa lista anexa à Lei. O livro resgata e documenta sem esconder nada, como o que ainda falta ser realizado, como a questão da localização dos corpos. Para que isso aconteça é preciso que haja um procedimento interno dentro das Forças Armadas, no sentido de que eles ouçam militares que participaram da repressão e que tenham informações para podermos cumprir esse direito milenar e sagrado das famílias de enterrar seus entes queridos. E isso envolve a necessidade de abrir arquivos e fazer uma narrativa.
A partir de agora temos um livro oficial que incorpora a versão das vítimas com o carimbo do governo federal. Não é uma iniciativa que tenda a gerar aplausos e contentamento das Forças Armadas, porém, nosso entendimento é de que a Comissão é de Estado e não do governo Lula. Ela atravessa quatro mandatos presidenciais com uma linha de continuidade.
Brasil de Fato – A localização dos restos mortais dos desaparecidos políticos prescinde da abertura dos arquivos militares.
Paulo Vanuchi – É preciso abrir todas as informações pertinentes. Em termos técnicos, os arquivos sobre a repressão política já têm mais de 25 anos e, pela lei brasileira, já estão “desclassificados”. A classificação pode ser entre reservado, secreto ou ultra secreto, de acordo com a lei 11.111, promulgada em 1995, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Como não houve nenhum procedimento de reclassificação desses arquivos, eles estão rigorosamente abertos e onde quer que eles apareçam não estão mais protegidos pelo sigilo. No entanto, a alegação de unidades militares mais de uma vez diligenciados pela Comissão é de que os arquivos foram destruídos com base na legislação vigente em cada época. Acontece que a legislação vigente em cada época sempre exigiu que, para destruir um arquivo, fosse assinado um termo de eliminação de arquivos, com testemunha. Se houve mesmo a destruição de arquivo, será necessário apresentar esse termo de destruição ou será preciso abrir uma sindicância para apurar quem foi o responsável pelo crime de destruição de um documento que não podia ser destruído. Há inúmeras publicações recentes que mostram que documentos estão indevidamente em mãos particulares, possivelmente de ex-participantes dos órgãos de repressão.
Brasil de Fato – O senhor acha que com a publicação do livro pode exercer uma pressão para a localização dos restos mortais dos desaparecidos?
Paulo Vanuchi – O livro expressa o ponto de vista de uma área do governo, que é de direitos humanos. Nessa área não restam dúvidas de que houve violações. Na própria apresentação do trabalho dizemos que nosso objetivo é o da busca da reconciliação. Mas ela não pode ser feita na omissão ou no silêncio. A democracia brasileira, os direitos humanos e o governo Lula firmam uma posição muito clara nesse sentido. Agora, evidente que, a partir desse livro, o encaminhamento de passos seguintes também depende muito do presidente e do ministro Nelson Jobim que, por sorte, é o autor da lei de mortos e desaparecidos quando ele era ministro da Justiça do governo Fernando Henrique.
Então, eu acho que o momento é muito importante. O tema passa a ter um documento oficial do governo brasileiro que evidentemente vai ser distribuído. O que não pode haver é silêncio com o argumento de que vai abrir feridas. Há um direito inalienável, que é o direito dos familiares. Aí não tem silêncio. Ou podem dar a desculpa de que os corpos não podem ser procurados porque eles já foram destruídos. Precisam contar quem destruiu, quantos foram. Eu tenho a convicção que nós não vamos localizar os 140 corpos, mas uma parte temos muita chance de localizar. A gente não pode permanecer nessa atitude de evasivas, de não empenho.
Brasil de Fato – O presidente da Comissão, Marco Antônio Rodrigues Barbosa, disse que o livro significa um “resgate à memória e o direito à justiça”. O documento também fala da interpretação da Lei de Anistia, que é considerada polêmica por muitos. A partir desse livro seria possível discutir a revisão da Lei de Anistia?
Paulo Vanuchi – Esse é um tema mais delicado e a Comissão seguiu um norte durante 11 anos. O foco é no trabalho de reconhecimento, de indenização e o objetivo humanitário de localizar os corpos. Não entro no tema da responsabilização.
O Marco Antônio, quando utilizou a palavra “justiça” pode estar falando de justiça no sentido de “eu não exijo que o torturador vá para a cadeia, mas eu exijo que a filha dele saiba que ele violentou sexualmente a presa política que estava no pau-de-arara”. Isso também é uma maneira de se fazer justiça. A Comissão firmou essa linha de 11 anos e, evidentemente, isso suscita uma possível crítica de familiares, de organizações de direitos humanos.
Podem dizer que “esse livro devia exigir a punição e terminar recomendando a abertura imediata de processo”. O livro podia falar “é possível fazer uma nova uma nova Lei de Anistia” ou também podia ignorar a polêmica sobre a Lei. Optamos por não esconder nada, como a existência de uma consistente polêmica. Juristas de importância sustentam que, por um lado, o crime de tortura é imprescritível e, de outro, existe o crime permanente da ocultação de cadáver.
Em tese, a Anistia absolve tudo com força de uma palavra chamada crimes conexos. E os juristas com muita fundamentação vão argumentar que, se o legislador quisesse absolver o torturador, a redação da Lei seria: “Estão anistiados os delitos políticos cometidos pelos opositores ao regime e também os eventuais crimes cometidos na repressão a esses opositores”. Aí seria claramente uma lei acobertando ou agasalhando essas violações. Como em 1979 preferiram por um caminho cínico, ficou combinado entre os parlamentares da época que a palavra “conexo” queria dizer isso. Nenhum tribunal internacional, nenhum grupo de legisladores, a quem for apresentada essa lei como arbitragem, vai dizer que a redação que ela tem é uma redação que absolve todos os violadores, degoladores, estupradores. O tema da anistia é um tema que pode ser suscitado pelos paralmentares, pelo Ministério Público e pela sociedade civil. O governo, com a análise política que todo governo faz, baseado no seu projeto estratégico e correlação de forças, preferiu manter a linha de continuidade dessa comissão, de não abrir esse tema. Então, depende se esse livro ajuda a acender um debate.
Brasil de Fato – Como o senhor vê iniciativas como a da família Teles, que entrou com uma ação civil declaratória contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de torturar a família no Doi-Codi?
Paulo Vanuchi – Vejo como uma iniciativa boa, corajosa, inteligente. É uma coisa muito sagaz do Fabio Comparato, que percebeu que se existe um argumento de que a Anistia anistiou, vamos driblar. Não é uma ação mais a reparação civil. A ação civil cria um direito que fica difícil comprovar. O argumento desapareceu e ele foi fazer atos de desagravo e pouco se articulou nessa linha de “estamos sendo vitimas de revanchismo”. A família pedia o reconhecimento de que ele os torturou. Querer chamar isso de revanchismo é evidentemente uma manobra de despiste. Acho que foi uma coisa muito positiva, muito importante.
{Agência Brasil de Fato}
4 de setembro de 2007
Tribus urbanas
Reprodução
La tribalización como resistencia
Por Rodolfo Etrea
(ANC-UTPBA)
Buenos Aires, 30 de agosto - Las tribus urbanas expresan, según Mario Margulis, una forma de sociabilidad y plantean una doble oposición al proceso de juvenilización y además a las propuestas sociales y culturales relacionadas con la imagen del joven "oficial", legítimo y heredero imaginario del sistema.
El proceso que denominamos juvenilización señala un complejo articulado de signos que atraviesan el contexto cultural de la actualidad. El avance de la cultura de la imagen y los lenguajes hegemónicos de la sociedad de consumo.
Se va articulando un proceso característico del mundo juvenil, tales como pautas estéticas, estilos de vida, consumos, gustos y preferencias, looks, imágenes e indumentaria.
En cuanto a la construcción imaginaria del joven "oficial", la moda, la cultura del consumo, la publicidad constituyen factores de incidencia en la reproducción de conductas. El joven legítimo es aquel que condensa las cualidades que los grupos dirigentes definen como requisito para la reproducción de vida, patrimonio y posición social, el buen hijo del sistema.
El joven legítimo es una construcción social que contiene múltiples discursos. Es una construcción equilibrada en el que aparece vigoroso, proteíco, deseable, natural, ahistórico, espontáneo.
Los jóvenes necesitan inclusión, pertenencia y reconocimiento, en síntesis una redución de la incertidumbre.
Cuando no poseen los requisitos exigidos para corporizarse en la imagen de los herederos, construyen refugios, ámbitos y enclaves simbólicos que ellos han creado y reconocen como propios.
Los vínculos entre los jóvenes tribales son breves y pasajeros. Los sujetos se recuestan en las tribus, que son organizaciones fugaces, inmediatas, calientes, donde prima la proximidad y el contacto, la necesidad de juntarse sin tarea ni objetivo, por el solo hecho de estar, según la expresión de Michel Maffesoli "estar juntos sin más".
La investigadora mexicana, Reguillo Cruz, en su libro "Emergencias de Culturas Juveniles" aporta datos históricos de "Tribus" en América Latina, emergentes del nuevo poder económico conocido como neoliberalismo, donde los jóvenes empezaron a ser "responsables" de la violencia en las ciudades. "Los chavos banda", "los cholos" y los "punks" en México, los "maras" en Guatemala y El Salvador, los grupos de "sicarios", "bandas" y "parches" en Colombia, los "landros" de Venezuela, los "favelados" en Brasil.
Este proceso no sólo se da en América Latina. "Los clikas" en EE.UU, integradas por minorías culturales, latinos y negros. Los "skinheads" en Inglaterra, movimiento de "autodefensa frente a la inmigración", los "blusoin noir" en Francia. El movimiento "anarco punk" y los más recientes "okupas" en España como movimiento de resistencia a los valores del neoliberalismo.
En Argentina existen decenas de agrupamientos urbanos juveniles adscriptos a estilos, géneros musicales e incluso a diferencias ideológicas.
La mayoría de estas "tribus" tienen una relación directa o indirecta con la cultura del rock y sus distintos subgéneros.
La división roquera del mundo, postulada por los cultores, plantea permanentemente una contradicción, un enfrentamiento, siempre actualizado, del cuerpo versus el alma, los "stones" versus los "beats", "redondos" versus "sónicos, "punkys" versus "hippies", etc.
También encontramos los "bailanteros" asiduos concurrentes a las bailantas donde se baila música tropical. Este género desemboca en otro subgénero llamado "cumbia villera" que se caracteriza por su notable y feroz pertenencia a su hábitat: la villa.
Resulta urgente "deconstruir" el discurso que a estigmatizado a los jóvenes, a los empobrecidos principalmente, como los responsables del deterioro y la violencia, ya que: "...la preocupación de la sociedad no es tanto por las transformaciones y trastornos que la juventud esta viviendo, sino más bien por su participación como agente de la inseguridad que vivimos y por el cuestionamiento que explosivamente hace la juventud de las mentiras que esta sociedad se mete a sí misma para seguir creyendo en una normalidad social que el descontento político, la desmoralización y la agresividad expresiva de los jóvenes estan desenmascarando" (Martín Barbero,1998).
(*) Publicada en Buenos Aires SOS
{Agencia Nacional de Comunicación}
14 de agosto de 2007
Sabotage?
Reprodução
Los servicios de inteligencia alemanes inquietos
por la evolución de sus homólogos franceses
En su edición del 14 de julio de 2007, el influyente boletín confidencial bávaro DeutschlandBrief asegura que los motines que sacudieron los suburbios de las grandes ciudades francesas en noviembre de 2005 fueron provocados, por debajo de la mesa, por los servicios secretos israelíes. Según esta publicación, los participantes en los motines disponían incluso de teléfonos codificados que les fueron entregados para que organizaran los disturbios sin que el contraespionaje francés pudiese interceptar sus comunicaciones.
El 3 de noviembre de 2005 estalló un motín en Cliché-sous-Bois luego de que la policía provocara accidentalmente la muerte de dos adolescentes y de que una bomba lacrimógena, que pertenecía o que había pertenecido a la policía, fuera lanzada dentro de una mezquita durante la oración del Ramadán. Los disturbios se fueron extendiendo progresivamente por todo el departamento, y más tarde por todo el país, prolongándose finalmente durante 3 semanas. Al quinto día de disturbios, el presidente Jacques Chirac suspendió diferentes libertades fundamentales y el Consejo de Ministros decretó el estado de urgencia. En definitiva, los disturbios terminaron con un saldo de numerosos heridos (56 de ellos entre las fuerzas del orden) y más de 9 000 automóviles incendios en toda Francia. Curiosamente, estos hechos, supuestamente provocados por problemas sociales muy bien conocidos y nunca resueltos, nunca fueron objeto de declaración alguna de autoría ni dieron lugar a ninguna forma de estructuración política.
En aquel entonces, la Red Voltaire pudo confirmar, por fuentes sindicales de la policía, que los principales incidentes fueron deliberadamente provocados y que agitadores habían estado distribuyendo tanques de gasolina y cocteles molotov. Fue precisamente debido a esas mismas informaciones que el presidente Chirac decidió instaurar el estado de urgencia.
DeutschlandBrief es editado por el Dr. Bruno Bandulet (ex director de la redacción del Welt y de Quick) y muy leído en los medios financieros y políticos alemanes. Tiene la reputación de estar vinculado al Servicio Federal de Inteligencia (BundesNachrichtenDienst — BND). Según el diario, Israel pretendía castigar la «política árabe» del presidente Chirac pero se vio sobrepasado por el éxito de su operación.
Al denunciar la mano del Mossad en la provocación y la amplificación de los motines, DeutschlandBrief compromete su propia credibilidad y traduce la inquietud de los organismos de inteligencia alemanes ante las recientes nominaciones de nuevos responsables de los servicios franceses realizadas por el presidente Nicolas Sarkozy.
{Red Voltaire}
10 de agosto de 2007
Esmola demais...
Reprodução
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Caros ocidentais, parem de querer salvar a África, pede escritor nigeriano
“Não existe um único africano que, como eu, não aprecie as ajudas provenientes do resto do mundo. Mas, perguntamo-nos até que ponto esta ajuda seja genuína, ou se não esteja sendo dada no espírito da afirmação de uma superioridade cultural”, escreve Uzodinma Ivveala, escritor nigeriano que vive entre Lagos e os EUA, no artigo publicado pelo jornal La Repubblica, 31-07-2007.
Eis o artigo.
No outono passado, pouco após meu retorno da Nigéria, me senti chamado por uma desenvolta estudante, uma loira que portava em torno da cintura um cordão de pérolas africanas com o tom de seus olhos azuis. “Salvemos o Darfur!”, gritava a moça de trás de uma mesa coberta com opúsculos que exortavam as estudantes a se mobilizarem imediatamente: “Take Action Now! Stop Genocide in Darfur!” [Ajam agora! Freiem o genocídio em Darfur!].
Dada minha aversão pela facilidade com que os estudantes dos colégios embarcam nas causas mais em voga, eu estava indo embora, mas a moça me bloqueou gritando: “Não quer ajudar-nos a salvar a África?”
Segundo me parece, nestes últimos tempos o Ocidente, oprimido pelos sentimentos de culpa pela crise que criou no Oriente Médio, se volta à África para redimir-se. Estudantes idealistas, celebridades como Bob Geldof e políticos como Tony Blair se sentem investidos na missão de levar a luz ao Continente Negro. E aterrissam aqui para participar de seminários e programas de pesquisa, ou para buscar crianças a adotar – um pouco como os meus amigos de Nova York, quando tomam o metropolitano para ir ao canil municipal procurar um cão desgarrado e levá-lo para casa.
Esta é a nova imagem que o Ocidente dá de si mesmo: uma geração sexy e publicamente ativa, que, para difundir a palavra privilegia as páginas centrais das revistas ilustradas com, em primeiro plano, a foto de alguma celebridade, sobre um fundo de africanos extenuados. E não importa se às vezes as estrelas empenhadas nos socorros têm fisionomias tão extenuadas – mesmo que voluntariamente – quanto aquelas dos famintos que querem socorrer.
O aspecto mais interessante seja talvez a linguagem usada para descrever esta África por salvar. A campanha publicitária de “Keep a Child Alive” (“Mantenha viva uma criança”), por exemplo, que escolheu “o slogan africano”, apresenta as fotos de celebridades ocidentais, em geral de pele branca, com a face pintada com “sinais tribais”, sob o título “I am African” em letras garrafais e, embaixo, em caracteres menores: “Ajudai-nos a frear a chacina”.
Mas, embora bem intencionadas, as campanhas deste gênero promovem o estereótipo da África como uma espécie de buraco negro de doenças e de morte. As notícias jornalísticas se concentram invariavelmente nos líderes corruptos do continente, nos senhores da guerra, nos conflitos “tribais”, no trabalho infantil e nas mulheres desfiguradas por abusos e mutilações genitais. Em geral estas descrições são, com freqüência, precedidas por títulos do tipo: “Bono conseguirá salvar a África?” Embora as relações entre o Ocidente e o continente africano não sejam mais abertamente baseadas em idéias nazistas, estes artigos têm muito em comum com os relatos dos tempos de ouro do colonialismo, quando os missionários europeus eram enviados à África para trazer-nos a instrução, Jesus Cristo e a “civilização”.
Não existe um único africano que, como eu, não aprecie as ajudas provenientes do resto do mundo. Mas, perguntamo-nos até que ponto esta ajuda seja genuína, ou se não esteja sendo dada no espírito da afirmação de uma superioridade cultural. Sinto-me aviltado quando tomo parte em manifestações de solidariedade onde o condutor recita a inteira ladainha dos desastres africanos, antes de apresentar algum personagem, em geral branco e opulento, que passa a elencar as suas iniciativas em favor dos pobres africanos famintos. Gostaria de desaparecer toda vez que escuto um estudante bem intencionado descrever as danças das aldeias como sinal de gratidão das populações pelos socorros recebidos. Ou quando um cineasta de Hollywood gira o enésimo filme sobre a África com um ocidental no papel de protagonista – enquanto nós africanos, que também somos seres humanos de carne e osso, somos usados a serviço das fantasias projetadas pelo Ocidente sobre si mesmo. Estas descrições, além de passarem em silêncio o papel proeminente do mundo ocidental em muitas das situações mais desastrosas do continente, ignoram o trabalho incrível que os africanos realizaram e continuam realizando para resolver os seus problemas.
Por que a mídia fala freqüentemente da independência “concedida aos Estados da África pelos dominadores coloniais”, esquecendo as lutas e o sangue derramado pelos africanos para conquistá-la? Por que será que o empenho de Bono ou Angelina Jolie pela África são objeto de desmedidas atenções, enquanto a obra de africanos como Nwankwo Kanu ou Dikembe Mutombo é praticamente ignorada? E, como se explica que no Sudão as exibições de cowboy de um diplomata EUA de nível médio recebam mais atenções do que os esforços de numerosos Países da União Africana, que enviaram ajudas alimentares e tropas e se empenharam em negociações extenuantes na tentativa de chegar a um acordo entre as partes envolvidas nesta crise?
Há dois anos trabalhei na Nigéria, num campo de acolhida para prófugos internos, sobreviventes de uma revolta que causou um milhar de mortos e em torno de 200.000 refugiados. A mídia ocidental, fiel à fórmula costumeira, transmitiu as notícias das violências, ignorando, todavia, as intervenções humanitárias em favor dos supérstites por parte do Estado e dos governos locais, que não puderam contar com muita ajuda internacional. Em muitos casos os assistentes sociais gastaram, além do seu tempo, também uma parte do seu salário para socorrer os conterrâneos em dificuldade. Este é o povo que trabalha pela salvação da África, como tantos outros em todo o continente, sem nenhum reconhecimento pelo seu empenho.
No mês passado, a cúpula dos oito países industrializados se encontrou na Alemanha com um grupo de celebridades para discutir, entre outras coisas, sobre como salvar a África. Eu auguro que antes do próximo encontro desta organização eles se dêem conta de uma coisa: a África não quer ser salva. O que a África solicita ao mundo é o reconhecimento de sua capacidade de encaminhar um crescimento sem precedentes, na base de uma verdadeira e leal parceria com os outros membros da comunidade global.
{Instituto Humanitas Unisinos}
7 de agosto de 2007
Uro versus Oaxaca
Reprodução
Oaxaca: A resistência cultural contra a repressão
Há pouco completou um ano a rebelião no estado de Oaxaca (México), contra o governador Ulises Ruiz Ortiz, o famigerado URO. Organizado na Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), o movimento viveu o período de repressão mais forte no final de novembro de 2006, conheceu o terror e a inevitável desmobilização.
Ao mesmo tempo, buscou criar espaços de resistência cultural e consolidar a representatividade da população das “colônias” (periferias) no movimento. Sem dúvida a APPO foi a organização mais interessante na História recente da América Latina, do ponto de vista da participação e do protagonismo do povo comum. A análise é do jornalista Pedro Carrano do jornal Brasil de Fato, 25-07-2007. Pedro Carrano esteve durante durante dois meses no México acompanhando a rebelião de Oaxaca. Nesse artigo, comenta a retomada de lutas do povo oaxaquenho.
Eis a análise.
No dia 16 de julho, o confronto entre a APPO e a polícia teve um novo capítulo: 10 mil estudantes, professores, membros e simpatizantes da Assembléia Popular foram impedidos de marchar até o auditório onde todos os anos é realizada a Guelaguetza, celebração da troca de produtos comunitária. Herdada dos povos indígenas locais, a Guelaguetza é tradicional do estado de Oaxaca. O povo oaxaquenho critica o caráter turístico e elitista que a celebração adquiriu, algo reforçado pelo governo de URO. Por isso, na semana passada, promoviam a “guelaguetza popular”. No dia 16, pretendiam marchar até o auditório oficial do evento como forma de protesto.
No último momento, URO enviou policiais ao local, que impediram a passagem dos manifestantes. Estavam juntas a polícia municipal, a preventiva, a polícia bancária e industrial. Houve confronto e bombas de gás lacrimogênio lançadas diretamente contra os corpos da população. Quatro ônibus foram queimados. Cerca de 40 pessoas, de ambos os lados, ficaram feridas. Outros 60 manifestantes foram presos.
Uma das razões alegadas pela perseguição do governo de URO contra os membros do movimento seria o envolvimento da APPO com o grupo guerrilheiro Exército Popular Revolucionário (EPR), algo nunca comprovado. E parece impossível, afinal a APPO completa um ano e o caráter pacífico é a marca do movimento, mesmo que o governo já tenha matado 26 pessoas até aqui. Prendido e torturado tantas outras.
Organizações sociais agora temem uma nova escalada de terror em Oaxaca. A Assembléia Popular exige a destituição de Ulises Ruiz Ortiz e o fim da repressão policial promovida pelo presidente Felipe Calderón. A comunidade internacional está convocada pela APPO a realizar ações em solidariedade para deter a política de terror contra os povos de Oaxaca.
Espaços de resistência criados “de baixo”
Em Oaxaca, a luta política é uma resistência cultural, e a cultura surge na velocidade da luta política. O movimento popular no estado de Oaxaca mostrou como pode ser viva uma cultura de resistência protagonizada pelo povo. A luta em Oaxaca completou um ano no dia 14 de junho, e é possível dizer que a população determinou as ações e a simbologia do movimento, principalmente nos seis primeiros meses de luta, quando o governador estava refugiado e o movimento tomava conta das ruas.
Começou com a greve da Seção 22 do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Educação (SNTE), por aumento de salários. Porém a Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca, a APPO, só tomou a forma definitiva com a entrada dos estudantes, dos indígenas, dos pobres e imigrantes das periferias (as “colônias”), abandonando as demandas corporativas, após a repressão orquestrada pelo governador Ulises Ruiz Ortiz, do Partido Revolucionário Institucional (PRI).
O movimento em Oaxaca não alcançou uma mudança na base econômica da sociedade (sequer atingiu ainda a derrubada de URO), mas foi um exercício de politização para os oaxaquenhos, abrindo janelas permanentes de resistência, cultural e política. A toma de prefeituras atingiu a capital do estado, mas também outras 33 cidades, em 8 regiões diferentes.
A luta política em Oaxaca e os símbolos da Assembléia Popular foram criados enquanto a luta estava em curso, incorporando a necessidade do povo nas ruas. Três momentos foram determinantes. O primeiro deles foi a toma do canal estatal de televisão.
Aconteceu durante a Marcha das Mulheres, inspirada nas mulheres chilenas contra a ditadura de Pinochet. Na voz delas, o canal 9 estatal “não estava dizendo a verdade”, logo decidiram pedir uma entrevista nesse espaço “que lhes pertencia”, por ser público. Então 500 mulheres marcharam pacificamente até a emissora, mas encontraram as portas fechadas. Decidiram tomá-la. Os técnicos da emissora todos debandaram e elas mesmas tiveram que improvisar a nova programação. A toma dos meios de comunicação chegou a outras estações de rádio e gerou a necessidade de proteção das antenas de transmissão, atacadas na calada da noite pelos “comboios da morte”, grupos mercenários contratados pelo PRI de Ulises Ruiz.
Daí surgem as barricadas, símbolo do movimento (chegaram a ser 3 mil no auge da rebelião), gerando uma cultura de resistência à cultura oficial (marcada por clientelismo e perseguições do governo do PRI). No espaço das barricadas, ao contrário, pequenas assembléias populares eram colocadas em prática, onde “As pessoas tinham isto muito presente: não podiam dizer algo em nome das barricadas, a direção não podia tomar decisões sem antes falar com as pessoas. Sabemos que os líderes se vendem, então preferimos as bases, o que foi o mais marcante”, disse em entrevista ao Brasil de Fato, em dezembro de 2006, Marco Antônio, um artesão que se incorporou à barricada que protegia a antena da rádio La Ley.
Como a polícia da capital do estado estava aquartelada, a APPO tomou a responsabilidade pela segurança da cidade. Cada pessoa se tornou um sistema de inteligência contra os grupos paramilitares, bastava para isso um celular em mãos e um pouco de crédito para enviar mensagens. A queda de Ulises Ruiz era uma unanimidade, até mesmo entre setores conservadores da pequena burguesia e do comércio local.
Quebra de papéis sociais
Dentro das barricadas, onde uma pessoa podia ser um miliciano, um comunicador, etc, papéis sociais eram quebrados. Um narrativa que ilustra essa idéia era a barricada de “Símbolos Pátrios”, encontrada em uma área de casas de prostituição. Na madrugada depois do trabalho, as prostitutas incorporavam-se à vigilância da barricada. Esta mesma quebra de papéis sociais, no enfrentamento contra o poder, encontramos nas Juntas de Bom Governo zapatistas, onde não há o papel do “político”, ou na Polícia Comunitária, no estado vizinho de Guerrero, onde não há a figura da polícia.
O movimento em Oaxaca teria sido efêmero sem o vínculo com os trabalhadores. Não só pelo fato de ter sido desencadeado pelo sindicato de professores, mas também pela aproximação com setores como o dos motoristas, por exemplo. Os choferes de ônibus deixavam seus carros durante a noite reforçando as barricadas e às seis da manhã retomavam o trabalho. Cabe ressaltar que Oaxaca possui apenas 2 indústrias, assim que não estamos falando de uma classe trabalhadora industrial.
Espaços alternativos
O movimento contou com elementos culturais próprios, vindos da multidão, em uma resistência que, vinculada à luta política, não foi absorvida pela indústria cultural. As músicas do estilo chamado corrido, as frases espalhadas nos muros da cidade, as faixas e cartazes irônicos exibidos nas megamarchas do movimento, eram manifestações populares e criativas, surgidas com a própria transitoriedade das barricadas, como manifestação de resistência à cultura oficial.
A APPO criou espaços e festividades próprias para contestar as celebrações promovidas pelo Estado. A “Guelaguetza Popular”, de julho, foi uma entre tantas datas na qual o povo tenta retomar uma festa originária, mas que havia sido transformada em atração turística pelo governo do PRI. Aconteceu o mesmo com a “Fiesta de los Reyes” (Festa dos Reis) e a Fiesta de los Rábanos (Festa das Abóboras), na virada do ano, nas quais a população comparecia para legitimar a APPO.
As barricadas eram erguidas e deslocadas de lugar seguindo uma velocidade própria, conduzida pelas pessoas de “baixo”, como se diz. Tanto que, recentemente, no interior da APPO criou-se uma Assembléia Popular de Colônias de Oaxaca (APCO), composta por 71 entre as 200 colônias da capital, ao lado das outras 360 organizações com representatividade na APPO. Não houve separação ou recuperação na elaboração desta cultura popular, na qual o povo falou com a própria voz. Em Oaxaca, a luta política era uma resistência cultural, e a cultura surgia na velocidade da luta política.
{Instituto Humanitas Unisinos}
2 de agosto de 2007
Día de la Pachamama
Reprodução
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Homenaje a la Madre Tierra
La Pachamama es la más popular de las creencias de los pueblos originarios que aún sobreviven con fuerza en América Latina
Por la Redacción de APM
Para los pueblos ancestrales, agosto es un mes pernicioso, augurio de males y desgracias para la tierra. La leyenda indígena dice que es el tiempo de adoración a la Pachamama, la madre tierra. Época de agradecimiento por las cosechas y el buen tiempo, por los animales y la abundancia del suelo. Pero, la historia también afirma que es el tiempo en que la madre tierra sale a controlar a sus animales, castiga a quienes no cuidaron a sus animales y premia a lo que sí supieron hacerlo.
La ofrenda a la Pachamama es común a los pueblos andinos. El antiguo imperio Inca dedicaba un día especial para realizar sus ofrendas. Pacha es universo, mundo, tiempo, lugar, mientras que Mama es madre.
El 1 de agosto, en varios países de América Latina se revive el ritual de agradecimiento a la tierra, un rito que sobrevivió a la colonización española; traspasó fronteras y en la actualidad se introdujo en las creencias urbanas, y hasta políticas. Algunos candidatos electorales, le rindieron culto para que bendiga su futuro electoral, y la eligieron para lanzar su campaña.
Los rituales de esta tradición fueron variando con el tiempo, tomando distintas formas y enriqueciéndose con los legados culturales, históricos y sociales. Es así que de acuerdo a las costumbres ancestrales de cada pueblo, cambia el modo de celebración.
En la provincia de Salta, al norte de Argentina, la ceremonia apunta a recordar que todo lo creado proviene de la Tierra. Los habitantes recurren al sahumerio para ahuyentar los posibles males que hayan quedado dando vueltas en sus casas.
En el interior de la provincia también hay ofrendas y celebraciones, al igual que en otras ciudades del Noroeste argentino. En la provincia de Jujuy, luego de una comida comunitaria, se cava un hoyo y se da de comer y beber a la Pachamama, depositando hojas de coca, chicha, alcohol y cigarrillos. Luego se tapa el pozo con tierra, botellas de alcohol y vino. Para completar la ceremonia, los presentes se toman de la mano para expresar el espíritu de hermandad que reina, y danzan alrededor del hoyo ya tapado, al son de la caja, flauta y la copla.
Otras de las tradiciones son rituales preventivos para evitar los ataques de la tierra y los malos vientos, para que “no lo agarre la tierra al hombre y lo enferme”, aseguran los creyentes. Liliana Madrid de Zito Fontán, antropóloga, curadora, y directora del museo Pajcha en Salta, explica que la esencia de esta celebración se encuentra en el respeto por la tierra y el agradecimiento de sus frutos.
Y agrega que quienes creen en esa deidad “le tienen mucho respeto y a la vez miedo, porque en agosto es cuando sale la Madre Tierra a controlar sus animales, castiga a quienes no han sabido cuidarlos y premia a quienes lo han hecho bien. Pachamama es dueña de los pumas, la vizcacha, la vicuña, quirquinchos y los suris, los animales del campo”.
Más allá de la ciudad o país que lleve adelante los rituales, la Pachamama demuestra la resistencia de los pueblos originarios, la defensa de sus creencias y cosmovisiones. Es la supervivencia de la cultura e historias ancestrales, la sobrevida de una visión compleja que une al hombre y a su verdadera cuna: la Tierra.
{Agencia Periodística del Mercosur}
28 de julho de 2007
Brusselim
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Gustos
Por Rolando Pérez Betancourt
Un espectador bastante mayorcito me detiene en la calle y comienza a hablar entusiasmado de películas de artes marciales salidas a un ritmo de producción de cuatro por semanas, de esas que otros amantes del cine, con marcada acrimonia, denominan "de patás y piñazos".
Por supuesto que el término deja afuera los filmes significativos del género, en donde no faltan verdaderas obras de arte y del entretenimiento.
Pero al amigo espectador de lo que le interesa hablar es de las verdaderas películas de patás y piñazos, de ¡las buenas!, las que construyen sus argumentos sobre la base exclusiva de la escasa capacidad imaginativa y con un 90 por ciento del metraje dedicado a las escenas de violencia. Él conoce títulos y nombre de actores vinculados con "lo último de lo último", pero quiere saber más y ante el "lo siento, pero no es mi fuerte" se asombra.
Herido en la integridad profesional le digo que una vez fui tan amante como él de ese cine, menciono todas las películas de Bruce Lee (cuyo verdadero nombre fue Yuen Kam Lee, trato de impresionar), reconstruyo ante sus ojos la trama de Operación Dragón, de 1973, película que contribuyó a extender la práctica del kung fu en el mundo...
- Prehistoria - responde concluyente - hay que renovarse. ¿Pero cómo fue que lo dejó?
Muchos lectores pudieran contestar la pregunta de similar manera: la repetición y lo más de lo mismo del espectáculo, la asfixia de argumentos que en verdad nunca lo fueron, la violencia machacada sin ningún tipo de catarsis, resultaron, entre otras, las causas del cansancio. Hoy pueden verse, pero desde otras perspectivas: las coreografías en las luchas, que suelen resultar excelentes, y las gracias y hasta carcajadas, que sin proponérselo, suelen emanar de esos combates asumidos por los apasionados del género como ¡algo muy serio!
¡Cada quien que vea y disfrute las películas de sus preferencias!, le digo al amigo, cual campeón del desembarazo, y le estrecho la mano en la despedida. Pero por qué, sin renunciar a sus tan queridas patadas y piñazos, no prueba también a ensanchar el gusto, a catar algo nuevo. Y le relaciono una serie de magníficos títulos, de diversas nacionalidades, que por estos días se estrenan en los cines y en la televisión.
Sonríe él como mejor respuesta, aclara amable que entiende el asunto y hasta lo ha hecho, pero "la de este lunes por la tarde no me la pierdo".
{Granma}
16 de julho de 2007
La Copa América desde Argentina
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La insoportable levedad de verte por TV
Por Víctor Ego Ducrot
Desde Buenos Aires
La paciencia tuvo que ser. Apenas balbucean en su especialidad. ¿Por qué encima se las dan de opinadores políticos? A ciertos enviados de la tele gaucha habría que sacarles tarjeta roja.
El tango esta vez bailó al ritmo de samba. Por suerte para los argentinos no fueron más de tres. Otra vez Brasil puso las cosas en su lugar. Son los mejores, y como decían los niños de mi ciudad cuando jugaban a las escondidas, punto y coma el que no se escondió se embroma. Perdimos y a otra cosa.
Vayamos ahora al tema que queríamos tratar. Como el fútbol concita la atención (y la pasión) de millones de seres humanos en todo el planeta, las grandes cadenas de televisión no pierden la oportunidad de hacer aquello más les gusta hacer: facturar gigantescas sumas en dólares en concepto de publicidad y contrabandear mensajes políticos, las más de las veces sin siquiera constatar si lo que dicen se ajusta a la realidad, un trámite que se enseña a cumplir en las más elementales escuelas de periodismo.
La transmisión en directo de la Copa América Venezuela 2007 fue hegemonizada aquí por el Canal 13 de aire y la señalTorneos y Competencias, en el cable.
De una forma u otra, detrás de esos grandes emprendimientos siempre se encuentra el poderoso consorcio mediático del Grupo Clarín, el mismo que en las últimas semanas recrudeció su política editorial contra el gobierno de Néstor Kirchner porque están en juego gigantescos negocios en torno al papel prensa y al proceso de digitalización en la TV. Pero eso es harina de otro costal.
El Canal 13 – de propiedad directa del Grupo Clarín- cuenta con un comentarista estrella que hace décadas le explica a los “idiotas” televidentes que, por ejemplo, la pelota se estrelló en un palo del arco rival, unos segundos después que millones de “idiotas” vieron justamente eso, como la pelota se estrellaba en un palo. Sus sesudos análisis sólo compiten con sus silencios, toda vez que – y con mucha frecuencia – el tablero del fútbol se ve invadido por actos de violencia, corrupción y entuertos con el poder político.
Por su parte, Torneos y Competencias hizo un despliegue monumental, con periodistas, técnicos y productores distribuidos a lo largo y a lo ancho de toda la Copa América.
Entre los primeros se “destacaron” algunas voces juveniles y chillonas que, entre relator y comentarista, competían a la hora de afirmar sandeces; sandeces que, en términos objetivos, fueron funcionales a la campaña que las grandes corporaciones mediáticas y la Sociedad Interamericana de Prensa (SIP) se esfuerzan en desplegar contra Venezuela, después que el gobierno del presidente Hugo Chávez apelara a la Constitución y a las leyes de su país para no renovarle la concesión a la cadena RCTV.
Entre las joyitas de esa corona de lata mediático – futbolística se pueden citar las siguientes: “que barbaridad, parece que el gobierno castrista repartió entradas para que estén llenos los estadios”; “estamos en una país en el que la libertad de expresión esta bajo sospecha”; “tené cuidado que aquí hay más policías que gente”; “ja, ja, mirá a estos venezolanos que no entienden nada”; “y…aquí la gente va a la cancha para criticar a Chávez”…y la enumeración podría seguir, pero proponemos deteneros en las mencionadas hasta aquí.
Parece que los amigos relator y comentarista no saben que en Venezuela no gobierna Fidel Castro sino Hugo Chávez…o será que el vocablo “castrista” fue utilizado, una vez más, con intención descalificadora.
Efectivamente, esa siempre fue la semántica de la SIP, que ya huele a viejo, a aquellas campañas de la pasada década del ´60, cuando estaban de moda los reportajes de revistas como Life y Selecciones, ambas instrumentos de la inteligencia estadounidense en tiempo de la llamada guerra fría.
¿En qué quedamos, los estadios se colmaron gracias a las entradas repartidas por el gobierno o por las masas de indignados venezolanos que aprovecharon las gradas para manifestarse contra el presidente Chávez?
¿Y si los estadios se transformaron en tribunas antigubernamentales, en donde queda entonces la teoría de la falta de libertad de expresión?
Sin lugar a dudas, estos jóvenes relatores y comentaristas adolecen de severos problemas en lo más elemental de la estructura lógica, y en ese sentido merecen atención y criterio comprensivo, pero por qué los televidentes – que no son idiotas – deben ser sometidos a semejante agresión.
Sucede, y esto que sigue no debe quedar en el tintero, que esas expresiones como las otras ya citadas, esconden un trasfondo aún más grave que el que surge de la obvia desinformación que padece cierta clase de periodistas deportivos: esconden un tan profundo como ignorante y ofensivo desprecio por lo distinto, por lo que no se conoce.
Esos son los mensajes preferidos por la estrategia manipuladora de las grandes corporaciones mediáticas.
En el fondo, y más allá del disgusto futbolero de los argentinos, la Copa América dejó una enseñanza que poco tiene que ver con el arte de la pelota: cuando los consorcios periodísticos hablen de democracia y libertad de expresión, no les creamos, o por lo menos detengámonos a pensar…en qué andarán estos muchachos.
{Agencia Periodistica del Mercosur}
26 de junho de 2007
União Européia
¿Qué pasa en Estonia?
por Viacheslav Titiokin
Estonia, país báltico, ex-república soviética y recientemente nuevo miembro de la Unión Europea está siendo utilizado como laboratorio por nefastas fuerzas políticas que reintroducen métodos nazis a fin de crear caos dentro de esta pequeña nación multiétnica.
Estonia como las otras repúblicas bálticas, sirve de punta de lanza en la nueva estrategia militar de la OTAN contra Rusia.
Foto arriba: Jóvenes neonazis haciendo el saludo hitleriano. Esta ideología está siendo utilizada y manipulada por algunos estados europeos a fin de crear caos, odios y discriminación racial entre las comunidades sociales para engendrar conflictos que puedan servir a intereses políticos.
Entrevista con Dmitri Klensky, uno de los líderes del movimiento «Nochnoi dozor» («Vigilia nocturna»)
Noche en vela
Sobre lo que pasó hace 1 mes en Tallin (N. del T: el 26 de abril de 2007 fue retirada del centro de Tallin, capital de Estonia, una estatua que conmemoraba la liberación, por tropas soviéticas, de la ocupación nazi del país. A raíz de este hecho se produjeron serios disturbios en la ciudad. La siguiente entrevista aporta interesantes informaciones que pueden ayudar a entender mejor dichos acontecimientos).
Pregunta Viacheslav Titiokin: Los acontecimientos de hace 1 mes en Tallin (capital del país), por lo que parece, serán todavía largo tiempo centro de atención, no solo en Rusia y Estonia, sino también en la Unión Europea. ¿Cuál es el origen del conflicto?
Respuesta Dmitri Klensky: Los disturbios fueron provocados desde el poder. En la época soviética este monumento era el centro de actos oficiales. Pero el pueblo, por su propia iniciativa, no acudía allí particularmente. El soldado de bronce se convirtió en punto de atracción a partir del año 1991, cuando comenzó el aplastamiento sistemático de los sentimientos nacionales rusos. Y la presión sobre ese monumento comenzó ya en esos tiempos: quitaron la verja que había alrededor de la tumba (que acompañaba al monumento), se plantaron árboles, colocaron cerca una parada de trolebús.
Contraviniendo el derecho internacional quitaron del monumento las placas con los nombres de los soldados caídos. Después colocaron la inscripción: «Caídos en la Segunda Guerra Mundial» (con el sentido implícito, se dice, de que debía ser también un monumento a los «legionarios» de las SS nazis).
Pero todo esto parecía poco. El 9 de mayo del año pasado el poder provocó enfrentamientos entre las personas que acudían tradicionalmente al monumento con flores y algunos «nacionalistas» que venían con la intención de profanar el monumento. Es decir, que la leña para echar al fuego del conflicto interétnico se iba apilando desde hacía tiempo. Y lo que ocurrió en los días 26 y 27 de abril, desde mi punto de vista, fue un mini incendio del Reichstag (N del T: el Reichstag, o Parlamento de Berlín fue incendiado en 1933, según parece , por los nazis, que, sin embargo acusaron a los comunistas del hecho, aprovechando para ilegalizarlos y hacerse así con el poder, con más facilidad, en las subsiguientes elecciones).
Arriba: Foto del «Soldado de Bronce» monumento eregido en Tallin, capital de Estonia, para conmemorar la liberación del país de la ocupación nazi durante la Segunda Guerra Mundial. Abajo: el mismo monumento ultrajado por los neonazis.
Viacheslav Titiokin: ¿Por qué considera eso?
Dmitri Klensky: Mire usted, las destrucciones de la noche del 26 de abril ocurrieron en el mismo centro de Tallin. Para entonces la ciudad estaba literalmente atestada de policías. Los trajeron de todo el país. En sus localidades de origen solo quedó un tercio de las dotaciones policiales habituales. Y, de repente, en el centro de la ciudad, exactamente a 300 metros de la Plaza Tönismägi (donde estaba el monumento), y la policía, durante hora y media no reacciona. Además, ahora, en Internet empiezan a aparecer fotografías de las destrucciones, con apelaciones a la población a identificar a los participantes e informar a la policía.
Si hay fotografías, eso quiere decir que los correspondientes servicios actuaban en el mismo centro de los acontecimientos. Es decir, que el poder no podía no saber lo que estaba pasando. ¿Por qué, entonces, no reaccionaron ante los destrozos? ¿No sería porque les venía bien? Y he aquí que, en la segunda noche, ya no hubo destrucciones (N del T: «pogromos» en el original). Pero si que hubo salvajes apaleamientos de jóvenes (N del T: por parte de la policía).
Lo mismo que había pasado ya en 1999, cuando las acciones de protesta de jóvenes contra la agresión a Yugoslavia y en 2003, cuando la intervención en Irak. El objetivo era mostrar que los manifestantes eran unos bárbaros salvajes, aislarlos de la masa del pueblo. En la prensa se corrió la voz de que todo esto lo montaron los «cerdos rusos». Pero pronto quedó claro que en los destrozos también intervino la juventud estonia. Y, en general, los que saquearon tiendas y volcaron vehículos, no eran del número de los defensores del soldado de bronce. Algunos extraños grupos de gente aparecieron después de que empezaran los choques con la policía. Pues al principio todo estaba bastante tranquilo, y al anochecer los ánimos empezaron a encenderse. Empezaron las refriegas con la policía en la plaza. Pero lo de las destrucciones es harina de otro costal...
Viacheslav Titiokin: ¿Qué sucedió con los detenidos?
Dmitri Klensky: Fueron detenidas cerca de 1200 personas, y arrestadas en firme unas 50. Eso significa que cogían a la gente por la calle indiscriminadamente. A los escolares, que ya estaban maniatados en el suelo, les molían a patadas. A los detenidos los instalaron en el puerto, en lo que era prácticamente un campo de concentración, donde no había ni las más elementales condiciones para la estancia durante largas horas de semejante masa de gente.
Los métodos que se les aplicaron fueron realmente dignos de la Gestapo. Obligaban a la gente a permanecer sentados en cuclillas. Esa postura es físicamente imposible de resistir durante mucho rato. Era una forma de tortura. Pero cuando la gente ya no podía soportarlo y se levantaba, les golpeaban salvajemente por «insubordinación». De acuerdo a los relatos de los que padecieron estas palizas, aquello era puro sadismo.
Sin embargo sólo llego a ser ampliamente conocido el caso de brutalidad contra el corresponsal del canal de televisión «Euronews», un alemán ya entrado en años. Resultó ser una persona de no achicarse por nada e intervino en defensa del cámara que le acompañaba, un ruso. Por eso le apalearon ferozmente.
¡Pero lo que es remarcable (y característico de la posición de la Unión Europea), es que, cuando surgió la cuestión de la violencia sobre un ciudadano extranjero, los poderes estonios inmediatamente adujeron la declaración del embajador de la República Federal Alemana (RFA) en Tallin, que vendría a decir que Alemania no tenía reclamaciones que hacer a Estonia!
Viacheslav Titiokin: ¿Los dirigentes de la organización «Nochnoi dozor» sufrieron persecución?
Dmitri Klensky: Sí, dos de nuestros activistas, Dmitri Linter y Max Reva, así como un estudiante de secundaria simpatizante nuestro, Mark Siryk, se encuentran a día de hoy en la cárcel. Les acusan de organizar disturbios masivos. Pero eso es un absurdo, pues ellos no organizaron nada.
El poder no tiene ni la más mínima prueba de actividades ilegales de «Nochnoi dozor». La gente que acudió esa noche y la siguiente lo hicieron de forma totalmente espontánea. Pero no me sorprendería si el poder llegara a la falsificación de pruebas. Han vertido la especie de que nosotros somos «la mano de Moscú», «la quinta columna», que estaríamos preparando un golpe de estado.
A mí y a mi compañero de la dirección de «Nochnoi dozor», A. Korobov, todavía no nos han citado para ser interrogados. Pero esa forma de intimidación, como es las citaciones para interrogatorios, aunque sea de forma antijurídica, se utiliza hace tiempo. A mí, como uno de los dirigentes del movimiento en defensa del «Soldado de bronce», me echaron del trabajo. Ahora hay quien reclama que me excluyan de la Unión de Periodistas de Estonia, porque si me enjuician, eso será una deshonra para la Unión de Periodistas.
Viacheslav Titiokin: ¿Y dónde trabajaba usted?
Dmitri Klensky: Era redactor del periódico municipal Kristiine leht. El poder en Tallin pertenece al Partido Centrista. Este tiene relaciones de socio con «Rusia Unida» (N del T: partido del presidente de Rusia, Putin). Pero, en mi opinión, a los de «Rusia Unida» les toman el pelo. En cualquier caso, los dirigentes «rusófilos» de Tallin me echaron del trabajo. Ahora, después del viaje a Moscú y mi aparición en uno de los canales rusos de televisión, habrá que esperar nuevas represalias.
Viacheslav Titiokin: ¿Habrá que pensar que la «civilizada» Europa, tan preocupada por la libertad de expresión y la defensa de los periodistas, no mueve ni un dedo en defensa de usted?
Dmitri Klensky: Sí, la prensa estonia ya está sometida. En conjunto se ha convertido en un instrumento de propaganda. Juzgue usted mismo. El año pasado, cuando sólo acababa de empezar la campaña por la retirada del monumento, apenas un 21% de los estonios estaba a favor de esta ofensa. Y ahora es un 47%. ¿Por qué?
Porque todo el año se ha llevado a cabo una activísima campaña propagandística a través de la prensa. Pero, por cierto, si el 47% está a favor, porque no tienen en cuenta la posición de la mayoría, el 53% que no apoya la retirada del monumento?
Viacheslav Titiokin: Volvamos a las causas profundas del conflicto. ¿En qué consisten?
Dmitri Klensky: Estonia es un estado joven. En total, de muchos siglos, sólo ha tenido 35 años de existencia independiente. 20 años antes de la Segunda Guerra Mundial y 15 después de la destrucción de la URSS. La estatalidad de Estonia se alcanzó no a través de un largo periodo de lucha, sino como resultado del derrumbe de la URSS.
Es decir, de forma fácil e indolora. Pero aquí aparece también otra faceta: en vista de la falta de experiencia histórica y sabiduría, la élite estonia se comportó de forma bastante soberbia y presuntuosa. Da la sensación de que a algunos les dominaba la sed de revancha por las ofensas de los siglos pasados.
El tema llegó hasta el punto de que, a los vecinos fineses en Estonia empezaron a llamarles «losi» (alces). Pero los finlandeses cortaron esto rápidamente. Pero inventaron otra denominación ofensiva para los rusos: «tibla». Me callo de que componentes está formada la palabra, especialmente las 3 últimas letras (N del T.: es una alusión a una palabra soez en ruso).
Muchos de nuestros conciudadanos se sienten como en un campo de concentración espiritual. Los funcionarios te dan a entender a cada paso que tu eres una persona de segunda clase.
En Estonia se utiliza un modelo nuevo, anglosajón, de opresión de los sentimientos nacionales rusos, a través de la aculturación de la población. La intención es privar a los rusos de educación superior, de intelecto, convertirlos en una fuerza de trabajo resignada y sin derechos.
El problema no es el monumento como tal. Su retirada fue simplemente el catalizador de un estado de ánimo que viene madurando desde hace tiempo, y que es de profundísimo descontento de la población rusa por el despiadado menoscabo de su dignidad, de sus derechos sociales y económicos.
La segunda noche de disturbios me encontré en la plaza con un muchacho de unos 12 años. Le pregunté: «¿Qué haces tu aquí? Esto es peligroso, vete a jugar con el ordenador». Pero él me respondió seriamente, como un adulto: «Mi abuelo murió en la guerra. ¡Y ahora ellos retiran el “Soldado”!». ¿De donde sacaba eso este chico, que ha estudiado en la escuela donde dan una versión antirrusa de la historia y de la Segunda Guerra Mundial? De sus padres. Pero los padres no vinieron a la plaza, porque tienen miedo. Les pueden quitar el trabajo por las buenas.
Por regla general tienen ciudadanía «adquirida». Así que, por cualquier falta, se la pueden retirar. Deben ser leales por triplicado en relación al estado estonio. Esos son los instrumentos ocultos de opresión de la personalidad. No protestes, no abras la boca...
Si Estonia ha entrado en la Unión Europea, entonces debería respetar sus estándares. Pero la «élite» de Estonia preferiría pasar de ellos. En uno de los documentos importantes de la ONU se incluye la afirmación muy concreta de que «la violación de los derechos humanos no puede justificarse por el pasado histórico». Esto es muy apropiado para Estonia, donde la discriminación de los rusos se intenta justificar por la «ocupación soviética». Por cierto, pocos saben que, según estadísticas de la UE, Estonia está en el primer puesto de Europa en nivel de xenofobia. Pero la UE no reacciona ante esto en absoluto. Todo lo contrario, la UE apoya por la vía de hecho la política discriminatoria de los poderes estonios...
Viacheslav Titiokin: ¿Y se dirigió usted por el asunto del soldado de bronce a las misiones diplomáticas de los países occidentales?
Dmitri Klensky: Lo hice, y más de una vez. A las embajadas de los países de la coalición antihitleriana y a la de la RFA. Pero me contestaron que eso era un asunto interno de Estonia. Nuestros activistas escribieron al presidente de EEUU, al canciller de la RFA y hasta a la reina de Gran Bretaña. Pero de ellos no hubo ni respuesta.
Es decir, que para ellos, un tercio de la población de Estonia – los rusófonos – es como si no existiera. Pero por causa del incumplimiento de la Convención de Viena en relación a la embajada de Estonia en Moscú, la UE reaccionó instantáneamente. (N del T.: la embajada estuvo varios días bloqueada por jóvenes simpatizantes del gobierno de Putin, como protesta por los sucesos de Tallin)
Viacheslav Titiokin: Ahora se habla de un renacimiento del fascismo en Estonia...
Dmitri Klensky: Cuando se habla del nazismo en Estonia, no se explica del todo bien. Se presta atención, ante todo, a las legiones estonias de las SS. Eso ocurrió, efectivamente. Pero hay que tener en cuenta que una parte de los que sirvieron en ellas fueron movilizados forzosamente. Y los estonios llevan en la sangre, después de muchos siglos de existencia bajo el dominio de Prusia, la costumbre de someterse a los alemanes.
Además, incluso en la época del imperio ruso, el campesino estonio se hallaba sometido a la servidumbre, no del terrateniente ruso, sino de los barones alemanes, que, a su vez, servían al zar. El meollo del renacimiento del nazismo en Estonia está en otra parte. Está en la ideología de superioridad nacional, que la cúpula gobernante impone a la población estonia.
¿Qué interés nacional había en la retirada del monumento del soldado de bronce? El de asegurarse el apoyo de los elementos nacionalistas. ¿Y qué hacía Hitler? Hacía cerrar filas a los alemanes en oposición a las «razas inferiores», es decir, los eslavos. Y he aquí que la cuota del Partido Reformista (N del T. : partido del primer ministro, de derecha neoliberal) entre los estonios étnicos, después de estos sucesos, se disparó hasta el 47%.
Ahora hasta la prensa estonia habla de las tendencias totalitarias en la política del poder. Me ha tocado escuchar que, después de los combates montados por la policía, los médicos temían dar a los heridos informes de sus traumatismos, y los abogados temían hacerse cargo de la defensa de los detenidos. ¿De que nos habla esto, si no es de una atmósfera de miedo generalizado?
Una organización estonia sin ánimo de lucro con el simbólico nombre de «Nueva Europa»(¡!) no hace mucho que editó un folleto de contenido absolutamente pronazi y antisemita, con una gran esvástica en la cubierta.
Según datos no confirmados, la tirada era de 15,000 ejemplares. Eso es una tirada enorme para Estonia. El folleto estaba en cinco lenguas europeas. Lo que significa que estaba diseñado para su distribución por todo el continente. Con motivo de esto, escribí una carta a la policía de seguridad de Estonia.
Todavía no he recibido respuesta. Y todavía antes apareció el folleto Hitler y los niños, que se vendía libremente y en el que se glorifica al Führer. El nazismo todavía está en embrión, pero no hay garantías de que no se desarrollará.
Viacheslav Titiokin: Dicen que en Estonia se está creando un modelo local de apartheid...
Dmitri Klensky: Sí, esto es apartheid, aunque con sus propias características locales. Tomemos el ejemplo de Tallin. Aquí la correlación entre población rusa y estonia es del 53% y el 47%. Pero el paro entre la juventud rusa es 2.5 más alto, y el nivel de educación superior 2 veces más bajo que entre sus coetáneos estonios. Aunque en tiempos de la URSS no había ninguna diferencia en absoluto. En Tallin casi la mitad de la población son rusos, pero el 90% de los funcionarios son estonios. En el gobierno de Estonia, en todos los años de su existencia, prácticamente no ha habido ni un ministro ruso. Amnistía Internacional estudió la situación en Estonia y llegó a la conclusión de que hay una discriminación lingüística de los rusos. ¿Y qué? En Estonia inmediatamente se esforzaron en tratar de desacreditar a esa organización.
Viacheslav Titiokin: ¿Cómo se percibe entre los rusos de Estonia la política del gobierno de la Federación Rusa (FR) con respecto a los asuntos bálticos?
Dmitri Klensky: Con ironía. Ya hemos aprendido, a base de experiencias amargas, que tras las declaraciones altisonantes no hay nada. Más aún, el lío creado en los días del asunto de la embajada de Estonia en Moscú nos perjudicó notablemente. Eso posibilitó desviar la atención del conflicto en torno al soldado de bronce hacia el conflicto en torno a la embajada. Y después de eso empezaron a acusarnos de que éramos la «mano de Moscú».
Viacheslav Titiokin: Pero a los políticos rusos les gusta afirmar que si hubiera sanciones (contra Estonia) sufrirían sobre todo nuestros compatriotas.
Dmitri Klensky: Eso es hipocresía. ¿Nos han preguntado los políticos? En tanto cuanto yo sé, el 53% de los rusos en Estonia apoyan las sanciones, incluso si eso nos supone complicaciones. Pero algo hay que hacer para acabar con esta situación artificial. De otro modo, todo esto va a estirarse indefinidamente. Y, en general, existe la sensación de que en el gobierno ruso dominan los intereses comerciales sobre los de estado.
Viacheslav Titiokin: Después de la feroz represión de la protesta, ¿no ha caído la gente en un estado de temor y apatía?
Dmitri Klensky: No, lo que predomina es un sentimiento de profunda indignación.
Viacheslav Titiokin: ¿Y ahora qué? ¿Están dispuestos a seguir luchando?, ¿y qué objetivos se fijan?
Dmitri Klensky: Ahora se debate ampliamente la necesidad del diálogo interétnico para evitar la repetición de acontecimientos similares. Pero el diálogo solo puede darse entre iguales. Y el poder aún busca los «socios» más cómodos para ellos entre la población rusófona, los que estén dispuestos a condenar a las fuerzas patrióticas rusas por su «radicalismo». Han aparecido «rusos profesionales» de esos, que hacen coro al gobierno.
Nosotros planteamos determinadas cuestiones de entrada al diálogo: - restauración del Monumento al Soldado Liberador y devolución de los restos de los soldados caídos a su lugar anterior; - disculpas públicas y renuncia del gobierno; - formación de proceso a Ansip (N del T.: primer ministro estonio), por provocación del odio entre nacionalidades; - creación de una Comisión Internacional para la investigación de la brutalidad policial.
Estamos interesados, no en cambiar un gobierno declaradamente «pardo» (N del T.: color asociado a los nazis y la extrema derecha en general) por otro algo mejorado, de color beige. Es imprescindible un cambio radical de los principios de política en relación a las minorías nacionales. Pues en Estonia el 25% de la población son rusos, el 34% rusófonos.
En Macedonia, unos años atrás, los albaneses locales, que constituyen sólo el 20% de la población se alzaron en armas y lograron grandes concesiones de parte de los macedonios, que fueron obligados a ello bajo presión de la UE y la OTAN. Y a nosotros, las minorías nacionales, que en Estonia somos casi el doble en porcentaje, nos niegan los derechos políticos más elementales.
¿Qué tenemos que hacer para que nos oigan, coger las armas?
Desearíamos mucho que la cosa no llegue a esos extremos.
{Red Voltaire}
19 de junho de 2007
Informação como fetiche
¿Sociedad del conocimiento?
Por Ismael Clark (*)
Desde La Habana
Se trataría de una etapa aún no alcanzada de la civilización, posterior a la era de la información. Necesitamos igualar las oportunidades ante los medios técnicos y humanizar las sociedades actuales
Se trata de un dilema contemporáneo que implica bastante más que el aparente juego de palabras. Han transcurrido apenas unos pocos decenios desde que Peter Drucker esbozara por primera vez el concepto de sociedad del conocimiento, la que poco después llamaría también como "sociedad post-capitalista": en su seno la producción de riqueza sería una función cada vez más directa del conocimiento, o por mejor decir, de la productividad del mismo. Lo de "post capitalista" no pasaba de ser un calificativo, toda vez que, examinada con ojo crítico, su modelo de sociedad desemboca en un mercado mundial unificado, cuyo única fuente de regulación, si así pudiera calificarse, sería precisamente su "libre operación".
En la pasada década de los ´90, otros autores vinieron a reforzar la idea a partir de la impresionante expansión de las capacidades de acumulación, procesamiento y transmisión de información, en virtud de los explosivos avances tecnológicos resultantes de las ciencias informáticas y la exponencial multiplicación de las capacidades de telecomunicación. Durante esa década, por momentos se confundían los términos en uso: sociedad del conocimiento o sociedad de la información.
En realidad, y como apunta en un muy reciente libro el académico británico Paul Cilliers, "conocimiento" ha sido uno de los términos mercantilizados en esta época: se habla de "industria del conocimiento" e (incluso) de "gerencia del conocimiento", como si el conocimiento fuera algo susceptible de comercializarse, con independencia del sujeto que posee ese conocimiento; se le trata como una "cosa", algo que "existe" y puede colocarse en portadores digitales o sitios de Internet.
En propiedad, tales "cosas" debieran identificarse como datos o incluso como "información", pero el concepto de conocimiento hay que reservarlo para aquella información que es contextual e históricamente situada por un sujeto "conocedor".
La cuestión no es nada abstracta: son los hombres los que crean y aplican el conocimiento. La información, el discurso, los datos, necesitan ser elaborados e interrelacionados - por las personas y no sólo por las máquinas - con respecto a un tiempo y a un lugar, a una situación dada. Sólo la intervención de las personas puede conferir a la información la categoría de conocimiento.
Coincido por tanto con quienes afirman que la llamada "sociedad del conocimiento" sería más bien una etapa aún no alcanzada de la civilización, posterior a la actual era de la información, para alcanzar la cual serán esenciales por igual las oportunidades que abre el impetuoso desarrollo de los medios técnicos y la humanización de las sociedades actuales.
En tanto sumen millones e incluso cientos de millones los seres humanos para quienes nada significan las gigantescas cantidades de datos y otras formas de información almacenadas y transmitidas, a causa, digamos, de carecer de la más elemental educación, no podrá hablarse con seriedad de una sociedad del conocimiento.
Contradictoriamente, la reproducción y expansión del modelo capitalista neoliberal derrochador, hiperconsumista, parece confirmar más allá de toda duda que bajo sus premisas el conocimiento no se multiplica como un bien público, sino como una fuente de competitividad de apropiación cada vez más privada, corporativa, al cual sólo puede tener acceso una fracción minoritaria, cada vez más pequeña pero con más solvencia, de la sociedad.
No podrá haber entonces sociedad del conocimiento hasta que transcurra una imprescindible "humanización" de la sociedad.
Esto último implica, como premisa indispensable, comprender cada vez mejor cómo funciona la sociedad: sus normas, las relaciones de poder entre sus componentes, la estratificación social y las fuentes de cambio en el orden prevaleciente.
No pretendo incursionar en las interioridades de las ciencias de la sociedad, de las que sin embargo me siento deudor y convencido defensor. Trato simplemente de llamar la atención sobre que el conocimiento científico no es completo en tanto no incluya a los hombres y las relaciones sociales entre ellos. En tanto no conozcamos a profundidad la sociedad y, sobre todo, cómo transformarla en el sentido creciente de su "humanización", las invocaciones casi litúrgicas al "conocimiento" significarán poco más que propaganda comercial del último modelo.
Un estimado compatriota cuyo campo es precisamente la sociología, Juan Luis Martín, ha examinado recientemente las que ha llamado "razones del peligro" en el siglo XXI.
Para él, las formas de organización económica y social que hoy en día aun prevalecen no parecen encaminarse a una "globalización" propiamente dicha sino, por el contrario, apuntan de modo simultáneo a un proceso de fragmentación cuyo resultado podría ser la bifurcación progresiva de la especie humana.
De mi parte me gustaría recordar al efecto que los actuales seres humanos somos la resultante de un muy largo proceso adaptación a lo largo del cual hemos ido adquiriendo comportamientos corporales y extra corporales que constituyen nuestra característica principal: la inteligencia aplicada a la modificación (en provecho propio) del medio circundante.
Es precisamente esa capacidad la que ha permitido (hasta ahora) que nuestra especie haya logrado apartarse relativamente de la selección natural.
En otras palabras, los humanos hemos ido conformando una evolución histórica en que los factores culturales tienden a sobrepasar ampliamente a los puramente biológicos.
Las ventajas aparentes de la cultura como factor evolutivo humano son evidentes: es acumulativa y fácilmente socializable, y con ella la capacidad de adquirir, difundir y asimilar, de forma rápida y sistemática, estrategias que permiten la adaptación de forma más fácil.
Una sociedad del conocimiento, por tanto, verdaderamente humanizada a la altura del siglo XXI, supondría una fácil y rápida diseminación de los medios para mejor hacer frente a los conflictos ambientales generados por la propia civilización.
Lo que se requiere es un enfoque multidisciplinario, que se acompañe de una capacidad de evaluación y predicción, asentados en la razón teórica, y también de la razón practica, las que deben estar guiadas por la justicia para alcanzar una justa redistribución de los bienes de la tierra.
Quien así se expresa es el obispo Marcelo Sánchez Sorondo, canciller de las Academias Pontificias, con quien no podemos sino coincidir, recordando como él que, según Tomás de Aquino: "en casos de necesidad todas las cosas son propiedad común" y ello se hace aun más evidente en el caso del conocimiento resultante de tantas generaciones, a partir del momento en que los homínidos encontraran en la cultura el camino que nos hace humanos.
En un sustanciado informe acerca del futuro de la sostenibilidad (de las sociedades humanas y su relación el ambiente) difundido a escala internacional por la Unión Internacional para la Conservación de la Naturaleza (UICN), el académico británico W. M. Adams subraya que "la sostenibilidad debe convertirse en la base de un nuevo entendimiento de la aspiraciones y logros humanos, así como que un elemento clave en esto es el vínculo entre el bienestar y la seguridad".
Ahora bien el propio autor nos recuerda que: "de hecho, la seguridad entre las personas depende fundamentalmente de los problemas de equidad, dentro de y entre las generaciones" y que "tanto la seguridad como el bienestar están enraizados en los problemas de justicia a escala global". Poco más adelante, afirma que la justicia tiene suma importancia para el futuro del planeta: equidad en el disfrute de los beneficios del uso de los recursos de la Tierra entre y dentro de las generaciones.
Sabemos no obstante que, al menos por ahora, ese no es el panorama. Por el contrario, de continuar "como hasta ahora" el crecimiento económico de las sociedades opulentas, y la hegemonización cultural para imponer un modelo único, se arriesga la supervivencia misma de la especie.
¿O quién sabe si no? Recuerdo la ocasión en la que, al final de una conferencia pronunciada en la sede de nuestra Academia de Ciencias, preguntaron acerca del tema al ya fallecido y notable antropólogo Thor Heyerdall. A la interrogante acerca de si, en su opinión, corría realmente peligro de desaparecer nuestra especie contestó, con una sonrisa no exenta de cierta sorna: "bueno, realmente no; lo que es casi seguro es que puede desaparecer la civilización, tal y como la conocemos hasta hoy".
Para María T. Pozzoli, la actual sociedad "globalizada" requiere en realidad de una del conocimiento, que modifique, entre otras cosas, el modelo de poder que internalizan los sujetos y que constituyen su subjetividad.
Valores y comportamientos esenciales del modelo, como la competitividad, la motivación de lucro, el consumo, la posesión, la acumulación, en fin, el individualismo, deben dar paso a valores humanísticos como la cooperación, la solidaridad, e incluso algunos otros de larga data como la compasión, la alegría, la bondad la benevolencia y la amabilidad. Al decir de otro contemporáneo, Raúl Motta, se requiere una educación basada en un modelo reflexivo, que active una visión ética en la toma de decisiones.
Conocer, comprender la sociedad y transformarla es, a todas luces, no una mera utopía, proclamada en su época por Carlos Marx, sino una apremiante necesidad de la especie humana, si es que realmente aspiramos a mantener el significado del término "civilización", sin abandonar la especie al azar de la mera selección natural.
(*) Ismael Clark es el presidente de la Academia de Ciencias de Cuba.
Publica en la revista Cubadebate
{Agencia Periodística del Mercosur}
16 de junho de 2007
Coroné
Coronelismo eletrônico na radiodifusão educativa
Por Venício A. de Lima
Somente agora chegou ao conhecimento público, por intermédio de matéria da jornalista Elvira Lobato, na edição da Folha de S.Paulo de quinta-feira (7/6) ["Justiça veta concessão de TV educativa sem licitação", acesso restrito a assinantes do UOL e/ou da Folha], uma decisão de juiz da 2ª Vara Federal de Goiás, tomada em abril de 2006, que pode pôr fim a uma "brecha" legal que é uma das portas abertas para a continuidade do que tem sido chamado de "coronelismo eletrônico". Na decisão, provocada por ação do Ministério Público Federal iniciada em 2003, e ampliada em 2005, o juiz considerou inconstitucional o decreto-lei 236, de 1967, que serve de base à não-exigência de licitação pública para as concessões de televisão educativa.
Na verdade, o decreto-lei 236/67 exclui as TVs educativas de exigência estabelecida pelo Código Brasileiro de Telecomunicações de 1962. Diz o parágrafo 2º do Artigo 14 do decreto-lei:
"A outorga de canais para a televisão educativa não dependerá da publicação do edital previsto do artigo 34 do Código Brasileiro de Telecomunicações."
O Artigo 34 do CBT, por sua vez, diz que:
"As novas concessões ou autorizações para o serviço de radiodifusão serão precedidas de edital, publicado com 60 (sessenta) dias de antecedência (...)."
Essa norma, por incrível que pareça, conseguiu "sobreviver" à Constituição de 1988, cujo artigo 175 exige licitação para a concessão de serviços públicos:
"Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos."
Nova alteração
Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o decreto 1.720, de 28/11/1995, estendeu à radiodifusão as exigências de licitação regulamentadas pela lei 8.666/1993, alterando o Regulamento dos Serviços de Radiodifusão (decreto 52.795 de 31/10/1963). A partir de então, as outorgas de radiodifusão comercial só poderiam ser feitas por meio de licitação.
Passou despercebida, todavia, a redação do Parágrafo 2º do inciso XV do Artigo 13 do decreto 1720/1995, que dizia:
"Não dependerá de edital a outorga para execução de serviço de radiodifusão por pessoas jurídicas de direito público interno e por entidades da administração indireta instituídas pelos Governos Estaduais e Municipais, nem a outorga para a execução do serviço com fins exclusivamente educativos" [grifo meu].
As emissoras de rádio e televisão educativas ficavam, portanto, dispensadas das licitações e poderiam continuar autorizadas através de critérios estabelecidos diretamente pelo Ministério das Comunicações, embora continuassem tendo que ser submetidas ao Congresso Nacional conforme manda a Constituição de 1988.
Estava discretamente "aberta a porta" para a continuidade do uso das concessões de rádio e televisão como moeda de barganha política - só que, agora, exclusivamente para as rádios e televisões educativas.
Cerca de um ano depois, o decreto 2.108 de 24/12/1996 promove nova alteração que consagrava a "brecha". Está lá no Parágrafo 1º do inciso XV do Artigo 13:
"É dispensável a licitação para a outorga para a execução de serviço de radiodifusão com fins exclusivamente educativos."
Golpe importante
Em agosto de 2002, uma seqüência de reportagens realizadas pela mesma repórter na Folha mostrava detalhadamente como o governo de Fernando Henrique Cardoso havia dado continuidade à pratica de distribuição de TVs educativas a políticos aliados. Na matéria inicial, sob o título "FHC distribuiu rádios e TVs educativas para políticos", publicada em 25/8/2002, está escrito:
"Em sete anos e meio de governo, além das 539 emissoras comerciais vendidas por licitação, FHC autorizou 357 concessões educativas sem licitação. (...) A distribuição foi concentrada nos três anos em que o deputado federal Pimenta da Veiga (PSDB-MG), coordenador da campanha de José Serra, esteve à frente do Ministério das Comunicações. Ele ocupou o cargo de janeiro de 99 a abril de 2002, quando, segundo seus próprios cálculos, autorizou perto de cem TVs educativas. Pelo menos 23 foram para políticos. A maioria dos casos detectados pela Folha é em Minas Gerais, base eleitoral de Pimenta da Veiga, mas há em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Maranhão, Roraima e Mato Grosso do Sul."
Da mesma forma, quatro anos depois, em junho de 2006, novamente Elvira Lobato publicou matéria na mesma Folha de S.Paulo, de 19/6/2006, sob o título "Governo Lula distribui TVs e rádios educativas a políticos", na qual se afirmava:
"O governo Lula reproduziu uma prática dos que o antecederam e distribuiu pelo menos sete concessões de TV e 27 rádios educativas a fundações ligadas a políticos. (...) Entre políticos contemplados estão os senadores Magno Malta (PL-ES) e Leonel Pavan (PSDB-SC). A lista inclui ainda os deputados federais João Caldas (PL-AL), Wladimir Costa (PMDB-PA) e Silas Câmara (PTB-AM), além de deputados estaduais, ex-deputados, prefeitos e ex-prefeitos. Em três anos e meio de governo, Lula aprovou 110 emissoras educativas, sendo 29 televisões e 81 rádios. Levando em conta somente as concessões a políticos, significa que ao menos uma em cada três rádios foi parar, diretamente ou indiretamente, nas mãos deles."
A decisão do juiz goiano, até agora desconhecida inclusive pelas dezenas de concessionárias de radiodifusão educativa diretamente atingidas, poderá colocar um fim nessa "brecha" - que, aliás, não é a única.
A prática sofrerá, sem dúvida, um importante golpe. Existem, no entanto, outras "brechas" e, através delas, o "coronelismo eletrônico" continua se perpetuando travestido em diferentes disfarces.
{Observatório da Imprensa}
12 de junho de 2007
Acesso à informação
Um direito também dos surdos
Por Roberta Lage
A Organização das Nações Unidas (ONU) enfatiza, como fundamentais, o direito à informação e à comunicação, que são essenciais para o exercício da cidadania. A informação é um direito tão importante quanto os demais e deve ser oferecida igualmente a todos, de modo claro, impessoal, preciso, sem direcionamentos e sem interesses ocultos. Mas será que ela é oferecida igualmente a todos?
Analisando os meios de comunicação de massa, pode-se perceber que todos exigem bom funcionamento dos canais sensoriais. A televisão é um veículo constituído por imagens visuais e sinais auditivos; os jornais e revistas exigem atenção visual; o rádio pede pelo nosso canal auditivo e a internet acopla situações de leitura, audição e até fala. Mas e aquelas pessoas que apresentam alguma deficiência nos sentidos e não conseguem acessar o conteúdo oferecido pelos veículos de comunicação? Como se informam a respeito das notícias de sua cidade, estado, país e do mundo? Será que elas têm sempre que depender de uma terceira pessoa que possa explicar - de maneira adequada - os fatos que são divulgados nos telejornais, revistas, jornais impressos e internet?
Segundo o último censo, realizado em 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hoje há no Brasil cerca de 6 milhões de pessoas com problemas relacionados à surdez. Dessas, cerca de 170 mil se declararam surdas e apenas 15% entendedores da língua portuguesa. Essa porcentagem representa a minoria que consegue captar as notícias jornalísticas divulgadas pela mídia. A maioria, por não ser oralizada, fica excluída do mundo da informação.
Formato inadequado
Ler um jornal ou uma revista, por exemplo, é extremamente difícil para surdos que se comunicam apenas pela Língua Brasileira de Sinais (Libras). A Libras é um idioma próprio, que apresenta uma gramática completamente diferente do português. Para os surdos que usam sinais, a frase "vou para a casa dele" se transforma em "casa dele vou". Esse é apenas um pequeno exemplo da barreira que eles têm de transpor ao tentar ler e entender o português.
Para acompanhar os noticiários da televisão há possibilidade, em alguns televisores, de ativação de uma tecla que permite o acesso ao closed caption, sistema de transmissão de legendas via sinal de televisão. Ele descreve as falas dos apresentadores e também qualquer outro som presente na cena, como palmas, passos, trovões. Porém, muitas vezes, a captura do áudio não é a correta para o som da língua e ocorre uma distorção da mensagem falada, resultando na escrita de uma palavra errada na tela da TV. Além disso, a velocidade acelerada das legendas é mais um obstáculo para a compreensão da notícia.
Outra alternativa utilizada pelas emissoras de TV para a comunicação com o surdo, principalmente os que não entendem o português, é a janela de Libras. Seu formato corresponde a um espaço delimitado no vídeo onde as informações são interpretadas na língua brasileira de sinais. Entretanto, nem todos os programas televisivos contam com este recurso e, quando o disponibilizam, não o fazem em um formato adequado. Para compreender a Libras é necessária a visualização dos gestos das mãos e da expressão facial, mas, normalmente, a veiculação da imagem é feita em pequenas janelas no canto da tela, fugindo do modelo ideal.
O Telelibras
Algumas leis até já foram criadas com o objetivo de garantir à pessoa com deficiência o acesso à informação. Um exemplo é a NBR 15.29/2006, que dispõe que os programas políticos, eleitorais, noticiosos, jornalísticos, educativos, campanhas institucionais e informativos de utilidade pública devem conter janela com intérprete de Libras. Ainda assim, as ações para disponibilizar interpretação em Libras em conteúdos audiovisuais, como cinema, jornais ou novelas, são praticamente inexistentes. Nenhum telejornal veiculado na TV aberta brasileira, por exemplo, utiliza a representação na linguagem de sinais, reconhecida desde 2002 como meio legal de comunicação e expressão (Lei nº. 10.436).
Portanto, fica claro que o problema referente ao acesso às informações jornalísticas pelas pessoas com deficiência auditiva existe. Algumas providências já foram tomadas, mas muitas ainda precisam ser desenvolvidas.
Um exemplo de que é possível oferecer às pessoas com deficiência auditiva um produto jornalístico que as informe sobre as principais notícias do Brasil e do mundo é o Telelibras, primeiro telejornal inclusivo da internet brasileira voltado para a comunidade surda e para os interessados em aprender a Libras.
Braile e datilologia
Criado pela organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) Vez da Voz em abril de 2007, o noticiário semanal voltado para a comunidade surda tem cerca de cinco minutos de duração e aborda notícias variadas sobre esporte, cultura, lazer, política, ciência, economia, inclusão social, entre outros. Diferente do que acontece em outros telejornais, em que o intérprete aparece em uma pequena janela, no Telelibras o profissional divide a cena com o apresentador. Além da diversidade encontrada na equipe que apresenta os boletins, a novidade é que, em breve, o público poderá acompanhar a desenvoltura de repórteres com deficiência. Inúmeros e-mails de pessoas com deficiência auditiva elogiando a iniciativa têm motivado os profissionais a darem seqüência a este trabalho.
Há uma grande preocupação para que as mensagens sejam transmitidas de uma forma clara e adequada e, para isso, a Oscip conta com as orientações de um surdo que integra a Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida do Estado de São Paulo (Seped).
O Telelibras pode ser acessado em qualquer lugar através da internet, no site da Vez da Voz, mas a organização já tem planos de transmiti-lo em um canal de TV.
E este não é o único serviço oferecido pela Vez da Voz. Desde 2004, a Oscip mostra à sociedade que é possível integrar todas as formas de comunicação, independente das diferenças. Suas ações incluem a produção de materiais didáticos em braile e datilologia (alfabeto escrito para surdos); palestras em escolas e universidades; participação em eventos sociais; treinamentos em empresas e produção de vídeos inclusivos. Através da interação com seus membros, a organização descobre novas maneiras de suprir as carências expostas pelas pessoas com deficiência e foi assim que surgiu o Telelibras, prova de que é viável a construção de uma mídia democrática e inclusiva, na qual todos tenham acesso à informação.
{Observatório da Imprensa}
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