Júnior Cordeiro cava a memória coletiva do Nordeste
- Tião Folk
- há 10 horas
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23/08/2026

Forró é um patrimônio nacional e se ele estiver dançando agarradinho com rock é melhor ainda. Foi assim que entrei em "Brenha: Vasto Profundo", o décimo primeiro álbum de Júnior Cordeiro, lançado em 24 de setembro de 2025.

O paraibano, vindo direto de São João do Cariri, conhecido como Bruxo Paraibano volta aqui aos assuntos que abriram sua estrada. Ele mesmo explica que o disco "remete aos primórdios de minha carreira, onde os temas principais remetiam sempre à tradição popular, à memória coletiva do Nordeste brasileiro". É o sertão mítico e místico que, nas palavras dele, "pulsa intensamente, como se estivesse a desafiar a coisificação do homem na pós-modernidade líquida e globalizante".

São onze faixas, quase 49 minutos de viagem por crendices, catolicismo rústico, lendas e aquilo que Júnior chama de "restos ibéricos que ainda sentimos na cultura nordestina". O próprio artista batiza a sonoridade de "psicodelia sertânica, nordestina", com influência dos mestres dos anos 70. Dá pra ouvir o baião e a toada conversando com a psicodelia e o rock progressivo sem que um atropele o outro.

O instrumental do álbum como um todo é executado com muita competência e a voz traz aquele gostinho do rock nordestino que tende a ser mais falado e mais narrativo, o cantor consegue fazer isso muito bem.

Coisa boa é quando um artista independente insiste nas próprias obsessões em vez de correr atrás do que parecer estar funcionando lá fora. Júnior está há duas décadas nessa cava, e "Brenha" mostra alguém que ainda sente prazer em cavar. Se você nunca ouviu esse encontro do sertão com o rock, comece por aqui. Deixa o disco rodar inteiro, de "Centauros do Sol" até "Lamparinas", e me conta se essas brenhas culturais não mereciam mesmo ser mais visitadas na nossa música.
Assista ao show ao vivo de Júnior Cordeiro e Banda gravado no Teatro Paulo Pontes, e João Pessoa-PB.




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