Zazou Wave: a brasilidade não conhece fronteiras

Brasilidade sem fronteiras
Sempre me chama a atenção quando um artista consegue transformar influências diferentes em uma identidade própria. Foi exatamente essa sensação que tive ao ouvir o novo EP de Zazou Wave. Para mim, é uma brasilidade conquistada, construída com respeito, qualidade e um feeling magnético que aproxima o ouvinte logo nos primeiros acordes.
Francês radicado no Brasil há mais de duas décadas, Zazou mantém a proposta de provocar reflexões sem abrir mão da musicalidade. O destaque fica para "Le temps", uma canção que discute nossa relação com o tempo de forma sensível e atual. Em seguida, "Danse ta vie" convida a celebrar a vida apesar das dificuldades, enquanto "On est dev'nus tout l'monde" reforça a ideia de que, no fim, somos todos iguais. A rock-balada "L'Amérique Sang d'or – s'endort" fecha o trabalho com uma visão crítica e poética sobre o sonho americano.
Ao lado de Leopoldo Nantes, Marcos Vinícius Aguiar e outros parceiros, Zazou Wave entrega um EP maduro, elegante e autêntico, confirmando que a música não conhece fronteiras quando há verdade naquilo que se canta.
Assista ao clipe de Le Temps
Le Temps (tradução)
Você não está disposto a querer me escutar
Por que a gente não escuta mais
Aqueles que quiseram dar um pouco de si
A gente aponta eles com o dedo
Adeus ao tempo de ler, época que só piora
A gente lê nas entrelinhas, e isso já é um sinal
Não me façam perder tempo, meu crédito de tempo tá estourando
Façam isso bem mais rápido, pra gente poder evitar vocês
Sanções pelos seus atrasos, vocês foram pegos no radar
As pessoas não têm mais paciência pra amadurecer seus projetos
Hoje em dia a gente exalta… já acabou?
Pra quando você precisa? Eu precisava pra ontem
Com certeza estamos errados, mas enfim… pela minha carreira
A gente precisa analisar o fundo dos nossos pensamentos
Mas a gente não quer pensar que precisa analisar
Paris não foi construída em um dia, meu amigo
Mesmo que todo mundo saiba, a gente quer o mundo hoje
Seria bom se esforçar, dar tempo ao tempo
Situação forçada, queremos tudo agora
Mas o que teremos aprendido, nós pobres idiotas?
Que o mundo se constrói gota por gota
Vamos refletir um pouco sobre o que vamos nos tornar
Grandes degenerados, com a cabeça vazia
Cansados de falar com quem está em outro lugar
Um minuto já é tempo demais pra esses aves de mau agouro
Você leu meu relatório, parceiro a estibordo?
Eu cuido de mim primeiro, desculpa, meu amor
Um projeto vai nascer assim que a gente decidir
Tarde demais, já nasceu, você se meteu em encrenca
Eu me senti deixado pra trás, muito atrasado
Levei um fora, fui deixado de lado
Não tente explicar o que a gente já entendeu
Você foi derrubado, é lento e todo mundo ri
Você gostaria de mostrar que eles estão no caminho errado
Mas eles estão no topo, e você tá feito um idiota
Do que você tem medo? Medo de não fazer
O que você poderia fazer, correndo atrás do tempo
De tanto querer abraçar tudo, eu tive um burnout
Agora eu tô fora, bem hospitalizado
É certo que vamos morrer sem ter conseguido fazer tudo
Voltar desse mundo pra concluir nossos assuntos
Eu perdi o fio do tempo, o fio do meu tempo
Aquele do início dos tempos que não volta na hora
Eu me perco no tempo pra não estar mais no tempo
Quis matar o tempo pra não perder meu tempo
Eu vivo fora do tempo, implorando ao céu
Pra me deixar tempo, recomeçar no tempo certo
Sem que o tempo escape, mas ninguém me ouve
Eu não pedia tanto, só um pouco do seu tempo





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