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Zazou Wave: a brasilidade não conhece fronteiras

26 de ago.
3 min de leitura
zazou wave

Brasilidade sem fronteiras


Sempre me chama a atenção quando um artista consegue transformar influências diferentes em uma identidade própria. Foi exatamente essa sensação que tive ao ouvir o novo EP de Zazou Wave. Para mim, é uma brasilidade conquistada, construída com respeito, qualidade e um feeling magnético que aproxima o ouvinte logo nos primeiros acordes.


Francês radicado no Brasil há mais de duas décadas, Zazou mantém a proposta de provocar reflexões sem abrir mão da musicalidade. O destaque fica para "Le temps", uma canção que discute nossa relação com o tempo de forma sensível e atual. Em seguida, "Danse ta vie" convida a celebrar a vida apesar das dificuldades, enquanto "On est dev'nus tout l'monde" reforça a ideia de que, no fim, somos todos iguais. A rock-balada "L'Amérique Sang d'or – s'endort" fecha o trabalho com uma visão crítica e poética sobre o sonho americano.


Ao lado de Leopoldo Nantes, Marcos Vinícius Aguiar e outros parceiros, Zazou Wave entrega um EP maduro, elegante e autêntico, confirmando que a música não conhece fronteiras quando há verdade naquilo que se canta.



Assista ao clipe de Le Temps


Le Temps (tradução)


Você não está disposto a querer me escutar

Por que a gente não escuta mais

Aqueles que quiseram dar um pouco de si

A gente aponta eles com o dedo


Adeus ao tempo de ler, época que só piora

A gente lê nas entrelinhas, e isso já é um sinal

Não me façam perder tempo, meu crédito de tempo tá estourando

Façam isso bem mais rápido, pra gente poder evitar vocês

Sanções pelos seus atrasos, vocês foram pegos no radar


As pessoas não têm mais paciência pra amadurecer seus projetos

Hoje em dia a gente exalta… já acabou?

Pra quando você precisa? Eu precisava pra ontem

Com certeza estamos errados, mas enfim… pela minha carreira


A gente precisa analisar o fundo dos nossos pensamentos

Mas a gente não quer pensar que precisa analisar

Paris não foi construída em um dia, meu amigo

Mesmo que todo mundo saiba, a gente quer o mundo hoje


Seria bom se esforçar, dar tempo ao tempo

Situação forçada, queremos tudo agora

Mas o que teremos aprendido, nós pobres idiotas?

Que o mundo se constrói gota por gota


Vamos refletir um pouco sobre o que vamos nos tornar

Grandes degenerados, com a cabeça vazia

Cansados de falar com quem está em outro lugar

Um minuto já é tempo demais pra esses aves de mau agouro


Você leu meu relatório, parceiro a estibordo?

Eu cuido de mim primeiro, desculpa, meu amor

Um projeto vai nascer assim que a gente decidir

Tarde demais, já nasceu, você se meteu em encrenca


Eu me senti deixado pra trás, muito atrasado

Levei um fora, fui deixado de lado

Não tente explicar o que a gente já entendeu

Você foi derrubado, é lento e todo mundo ri


Você gostaria de mostrar que eles estão no caminho errado

Mas eles estão no topo, e você tá feito um idiota

Do que você tem medo? Medo de não fazer

O que você poderia fazer, correndo atrás do tempo


De tanto querer abraçar tudo, eu tive um burnout

Agora eu tô fora, bem hospitalizado

É certo que vamos morrer sem ter conseguido fazer tudo

Voltar desse mundo pra concluir nossos assuntos


Eu perdi o fio do tempo, o fio do meu tempo

Aquele do início dos tempos que não volta na hora

Eu me perco no tempo pra não estar mais no tempo

Quis matar o tempo pra não perder meu tempo


Eu vivo fora do tempo, implorando ao céu

Pra me deixar tempo, recomeçar no tempo certo

Sem que o tempo escape, mas ninguém me ouve

Eu não pedia tanto, só um pouco do seu tempo


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