Onde o Tempo Não Alcança
- Val Porto

- há 2 dias
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Um conto de Val Porto

A história de Dona Quitéria pode até parecer banal, mas há um detalhe que a torna interessante, talvez até especial e inspiradora.
30 anos? 70 ou um pouco mais? Quem sabe?
Dona Quitéria poderia ser apenas mais uma pessoa comum, mas há algo em sua alma que provoca reflexão: será que ela vive no tempo da idade cronológica? Com certeza, não.
Dona Quitéria é daquelas que, às vezes, choram sozinhas, em um silêncio que corta a alma. Mas, no momento seguinte, muda a direção do olhar. Onde antes via nuvens escuras, passa a enxergar um sol brilhante, aquecendo o coração e lembrando, mais uma vez, que amanhã é outro dia, e tudo pode acontecer.
Com um olhar cheio de esperança, ela sorri, tímida, e segue sua caminhada.
Então surge a pergunta: viver com 30 ou com 70?
Vamos definir.
Setenta ou mais é a idade cronológica. Mas 30 é a idade do raciocínio, da mente, do coração, da alma inquieta. É a idade da vida que escolhe continuar viva.
Foi aos 70 que Dona Quitéria começou novos sonhos. Escreveu poemas, desejou compor músicas e, para surpresa de muitos, conseguiu.
Porque sonhos não envelhecem. Não morrem. Quando se sonha, renasce todos os dias.
Sonhar aos 70 ou aos 30 é sempre possível.
O passado torna-se lição. O presente, escolha. E viver passa a ser um exercício de sabedoria, respeito e amor. Um coração limpo, pensamentos firmes, mesmo quando a tristeza insiste.
Porque a vida ensina. E o tempo, inevitavelmente, cura.
Dona Quitéria é mulher de fibra. Caiu muitas vezes, mas sempre se levantou e recomeçou, porque desistir nunca foi uma opção.
Essa é Dona Quitéria.
E, no fim, resta a pergunta:
Quem sou eu?
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