Um quilombo musical no palco: Ki'Mbanda e a força do coletivo
- Clara Mello

- há 7 horas
- 2 min de leitura
23/08/2026

Ki'Mbanda chegou no Showlivre com o pé na porta, com muito rock, batuque e contestação. O disco chegou em 13 de março de 2026, gravado ao vivo nos estúdios do Showlivre, e marca os cinco anos de estrada que a banda paulistana celebra. A Ki'Mbanda existe desde 2019 e faz um rock onde o tambor de terreiro divide o mesmo compasso com as guitarras distorcidas.
Fico animada quando vejo um grupo inteiro sustentando o mesmo som. Aqui são muitas mãos: Krisx no vocal e na direção, Yves Remont na guitarra, Rogério Luís no baixo, Igor Mamuth na bateria, Marcos Guarujá e Andersen Kafé na percussão, Nissa e Mayra Costa nos backing vocais. O formato ao vivo não esconde ninguém, e cada camada ocupa seu lugar.

Na formação atual do grupo temos: Yves Remond (guitarra), Nissa (backing vocal), Anderson Kafe (percussão), Igor Mamuth (bateria), Rogério Menudo (baixo), Henrique Krispim (voz), Marcos Guaruja (percussão) e Mayara Costa (voz).
O repertório é montado como um xirê. Começa na abertura, com o sino da igrejinha, e caminha até "Walwera", passando por "Como Vovó Já Me Dizia", "Preto Véio", "Afronte" e "Ferro e Fogo". As letras tratam de racismo, ancestralidade e memória preta trata como patrimônio real da sociedade. Gosto de como "Como Vovó Já Me Dizia" recupera a tradição oral, os ensinamentos que passam de geração em geração, e devolve isso em canção. Além do quê é muito bom ouvir as vozes de Nissa e Mayra reforçando esse recado, a gente sabe que as mulheres seguram essa bandeira com orgulho e força.

No aspecto técnico, a guitarra de Yves tem pegada rítmica, quase percussiva, e casa bem com a base de tambores. A voz de Krisx baila pelo repertório, dando a firmeza que o tema precisa, sem necessitar se impor no meio do peso instrumental. A captação preserva o suor da apresentação e a presença do público, o que dá ao registro um clima de celebração coletiva difícil de repetir em estúdio.
Tenho simpatia por bandas que trabalham assim, juntas, se apoiando como um quilombo musical. A Ki'Mbanda entrega um disco com muitas camadas, é até muita pretensão da minha parte tentar desvendar tudo num único texto. Mas o importante é que o álbum soa conforme a bandeira defendida pela banda, forte. Vale sentar e ouvir do começo ao fim.




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