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O olhar que a IA não tem: Juliana Fáro, a fotógrafa que trocou a zona de conforto pela lente, e nunca mais parou

Atualizado: 4 de abr.

Por Marcos Paulo, 06/03/2026


juliana faro na cadeira

A arte independente não se limita à música, ao teatro ou ao cinema. Ela também caminha em áreas onde, muitas vezes, o público não percebe de imediato a presença de uma linguagem autoral. É nesse território que a Revista Dissonância cumpre seu compromisso de buscar artistas "fora da curva". Aquele que não apenas executa uma técnica, mas que transborda uma estética própria em cada setor que toca, seja na música, no teatro, no cinema ou, como no caso de Juliana Fáro, na fotografia.


E foi com essa visão de mundo que encontramos a fotógrafa independente Juliana Fáro, uma profissional que decidiu mergulhar de cabeça na profissão e transformar o cotidiano em narrativa visual que desafia o óbvio.


Amante confessa de gatos, fã de música, que toca praticamente em loop em sua rotina, leitora assídua da Dissonância e seguidora atenta dos artistas que a revista apresenta, Juliana tem algo raro num mercado cada vez mais técnico e automatizado: ela transforma o ato de fotografar numa experiência humana, e é justamente isso que nenhum algoritmo vai conseguir replicar.


Quando a Paixão Encontra a Câmera

Há uma foto no Instagram de Juliana Fáro que diz mais do que qualquer legenda poderia. Publicada nos primeiros meses em que ela mergulhou de cabeça na fotografia, a imagem mostra um estúdio com fundo cinza claro. O texto que a acompanha é quase uma declaração de amor:


juliana faro rosto
'Me sinto tomada pelo vislumbre do começo, do despertar da paixão pela arte da fotografia. No estúdio, o fundo cinza claro me remete à tela em branco, telas essas em que tenho podido ser livre pra criar.'


Essa liberdade criativa, cultivada desde os primeiros dias, é o fio condutor de toda a sua produção. Juliana não chegou na fotografia para preencher um portfólio, ela entrou aqui porque seu instinto exigiu e isso se traduz diretamente na qualidade dos registros que entrega a cada cliente.


A experiência que nenhuma IA vai roubar

Em um mundo onde ferramentas de inteligência artificial já conseguem gerar imagens de alta resolução com um simples comando de texto, a questão que paira sobre qualquer fotógrafo profissional é inevitável: o que você tem que uma máquina não tem? Juliana Faro responde sem hesitar, e com uma clareza que poucos conseguem articular com tanta precisão.


"A IA jamais vai ter como dar para o cliente experiência. Jamais, jamais. Isso em hipótese alguma. O cliente que vivencia o ensaio fotográfico, aquilo ali é algo que modifica ele. Assim como todos os dias a gente se modifica um pouco ao viver coisas. Quando a gente vive o novo, isso também muda a gente."

O argumento vai além da técnica. Para ela, cada ensaio é uma sessão transformadora, um encontro humano que deixa marca. E os relatos dos clientes confirmam essa visão:


juliana faro a alegria dos clientes
"Muitas vezes eu já ouvi: 'Eras, nossa, eu não estava me sentindo bem até esse momento, quando tu me mostraste a foto, tudo melhorou. Eu comecei a me sentir mais importante, comecei a me sentir melhor, me sinto mais bonita'. Então, o fator um é a experiência."

Esse é o diferencial que Juliana defende com convicção: não a técnica em si, que, ela admite, a IA domina com facilidade, mas a vivência que acontece antes, durante e depois do clique. Segundo ela, muitos clientes chegam inseguros ou com autoestima baixa e saem transformados. “Quando tu mostras a foto, a pessoa começa a se sentir melhor, mais bonita, mais importante.


A Luz Como Linguagem

juliana faro a luz

Pergunte a Juliana qual é o maior desafio de quem estreia na fotografia, e a resposta virá de um lugar que poucos iniciantes pensam logo de cara: a percepção da luz.


"Acredito que seja o desafio da percepção da luz no mundo. Quando a gente percebe a luz no mundo, em qualquer coisa, sabe? Em qualquer coisa mesmo. Como essa luz tá encontrando o assunto, o objeto — e quando você tem essa sensibilidade de olhar a luz, você vai para outra sensibilidade, que é a de observar mesmo o mundo, como ele se comporta, como as pessoas se comportam no mundo. E só nisso já tem muitas, muitas possibilidades de fotografia."


É essa filosofia que guia cada trabalho seu, seja numa sessão de estúdio, numa cobertura de evento ou num ensaio ao ar livre às margens de algum igarapé paraense. A câmera, para Juliana, é instrumento de observação antes de ser instrumento de registro.


A Foto Mais Difícil - e a Mais Amada

Entre todos os trabalhos que Juliana carrega no portfólio, há um que ela elege como o mais desafiador e, paradoxalmente, o mais amado. Trata-se de um ensaio feito em estúdio para o casal Luana e seu companheiro, registrando a espera pelo pequeno Eros.


juliana faro a foto mais difícil

"Essa foto, eles queriam muito que eu reproduzisse com eles, e aí eles trouxeram, né? Eu olhei para a foto, eu olhei como que a luz estava se comportando, e aí prontamente eu peguei a tocha e fui apontando ela. Coloquei ela bem alta, de cima para baixo, iluminei eles, afastei eles do fundo, e eu comecei a ter o resultado que eu queria."

Essa atenção aos detalhes é o que diferencia um verdadeiro artista de um mero apertador de botão. “Hoje tenho um olhar muito mais sensível para a luz do que a Juliana que começou na fotografia”, conta.


Ritual, Checklist e a Arte de Estar Presente

Quem acha que fotógrafo de evento chega no local com a câmera no pescoço e pronto está redondamente enganado, pelo menos se esse fotógrafo for Juliana Fáro. Ela tem rituais. Muitos.


"Para quase tudo, para quase tudo. Mas quando eu vou fazer um evento, primeira coisa: carregar tudo o que eu preciso carregar, especialmente pilhas recarregáveis, elas precisam de pelo menos 10 horas de carregamento. Então, dois dias antes de cada evento que eu faço, eu já vou carregando todo o meu equipamento, vendo se os meus cartões de memória estão livres."
juliana faro evento

Antes de qualquer evento, Juliana segue um ritual preciso: carrega pilhas por 10 horas dois dias antes, verifica cartões de memória e faz checklist rigoriso: câmera, bateria, cartão de memória, flash, pilha para flash, difusor do flash, lentes (abertas ou fechadas, dependendo da proposta), baterias extras. Só então ela parte tranquila para o trabalho.


Em eventos como o Círio de Nazaré ou shows de rock, onde a luz escapa ao controle, o segredo é estar 100% atento:


Mas o que garante tantas fotos boas, afinal? Para Juliana, a resposta está na atenção e numa compreensão profunda da natureza do evento como algo que nunca pode ser completamente controlado:


juliana faro círio de nazaré

"Evento é um tipo de trabalho que você não tem controle sobre a luz, você não tem controle sobre o que vai acontecer. Surpresas podem acontecer. A fotografia é sobre registrar coisas únicas, momentos únicos. Você pode até refazer, mas não vai ficar com aquele entusiasmo de quando você foi surpreendido. Então, estar atento, principalmente em eventos."


Essa atenção obsessiva aos detalhes rendeu frutos. Juliana já fotografou casamentos, noivados, gestantes, mulheres empreendedoras, o Círio de Nazaré em Belém, bandas de rock, artistas solo, cabeleireiras, estilistas, cantores e gaitistas. Seu portfólio é um mapa afetivo da sociedade paraense e brasileira.


Mulher com Câmera: O Mercado e os Dados que Não Mentem

A trajetória de Juliana Fáro existe dentro de um contexto maior e mais desafiador. A fotografia, como tantas outras áreas criativas, ainda carrega os traços de uma história construída majoritariamente por e para homens.

juliana fáro com revista

De acordo com relatórios da organização World Press Photo, menos de 20% dos profissionais atuantes na área fotográfica no mundo são mulheres. No Brasil, os números reforçam esse quadro: um levantamento do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) revelou que, dos 41 repórteres fotográficos sindicalizados regulares na entidade, nenhum era do sexo feminino. E uma análise de capas do jornal Folha de S.Paulo realizada pela iniciativa YVY — Mulheres da Imagem constatou que, das 53 fotos publicadas em 32 edições analisadas, apenas três foram feitas por fotógrafas.


O Sebrae aponta que o mercado fotográfico brasileiro conta com mais de 86 mil empresas ativas, espalhadas por 5.063 municípios, com pequenos empreendedores representando 98,85% do setor. Nesse universo vasto e competitivo, a mulher precisa provar o dobro para ser vista.


Juliana Fáro navega nessa realidade sem se esquivar dela. Seu sorriso, que desarma os clientes, também desmente qualquer tentativa de diminuí-la. E sua câmera, capaz de capturar tanto a fé do Círio quanto o riff de uma banda de rock, responde por ela melhor do que qualquer argumento.


De Belém a São Paulo: O Crowdfunding que Virou Conquista

Em dezembro de 2024, Juliana recebeu um convite inesperado: fotografar a 99ª Corrida de São Silvestre, em São Paulo, no dia 31 de dezembro. O problema é que o convite chegou sem o orçamento necessário para a viagem. A solução foi a que artistas independentes encontram quando o mercado ainda não chegou até eles: pedir ajuda à comunidade.



Ela abriu uma vaquinha online e, com uma transparência que não é de todos, explicou a situação publicamente: 'Olá pessoaaaaaal, com muita alegria venho anunciar que fui convidada para capturar momentos únicos na 99ª Corrida de São Silvestre em São Paulo no dia 31/12! Infelizmente, o convite chegou inesperadamente e não tenho recursos financeiros para cobrir as despesas de viagem. Estou pedindo ajuda para comprar passagens. A estadia está garantida graças a familiares. Qualquer contribuição será fundamental para realizar esse sonho e avançar na minha carreira. Vamos juntos fazer parte da realização desse sonho.'


A resposta dos fãs e clientes não tardou. Dias depois, ela anunciou a conquista com a euforia de quem sabe exatamente o tamanho do que está vivendo: 'Corrida de São Silvestre 2024 — EU VOU ESTAR LAAAAAAÁ! É real, tá acontecendo!!!!!! Obrigada a cada um que fez isso se tornar possível! Vai ser fera.'


Esse episódio diz muito sobre quem é Juliana Faro. Ela não esperou as circunstâncias perfeitas. Ela criou as condições que precisava e levou sua câmera até lá.


Para Quem Está Começando: a Mensagem de Juliana

Quando a Dissonância perguntou que mensagem ela deixaria para os artistas independentes, Juliana não falou de câmeras, de softwares de edição nem de estratégias de marketing. Ela falou de invenção.


"Sempre invente alguma coisa, sempre invente alguma coisa. Eu lembro que eu ainda não havia feito nenhum ensaio de gestante na praia. E eu tinha uma amiga que ela estava gestante. E eu falei: 'Amiga, vamos pra praia?' Aí a gente começou a imaginar algumas fotografias que a gente poderia tirar. E eu levei ela pra praia e agora eu tenho um portfólio na praia de gestantes que eu não tinha antes. E as fotos estão lindas, porque as coisas fluíram. Então, sempre invente alguma coisa. Se você não tem algo hoje concreto, inventa, inventa com alguém que tu podes contar, inventa exatamente aquilo que tu queres fazer. E aí depois vai acontecer naturalmente. E quando chegar até você essa demanda oficial, esse trabalho oficial, tu vais estar prontíssimo — ou prontíssima."

Nessa última palavra, prontíssima, no feminino, está todo o manifesto de Juliana Fáro. Uma fotógrafa que desafia o mundo e ocupa seu espaço nele. Que ri, que inventa, que carrega o equipamento dois dias antes, que faz vaquinha quando precisa, que aprende a luz do mundo e a usa para fazer as pessoas se sentirem mais bonitas, mais importantes, mais vivas.


A Dissonância continuará de olho nela. Afinal, é exatamente para isso que existimos.



A Mostra — Uma Lente sobre Cada Universo

A amplitude do trabalho de Juliana Fáro é um dos seus maiores trunfos. Em poucos anos de carreira profissional, ela já se embrenhou por universos radicalmente diferentes, construindo um portfólio, ao mesmo tempo, coeso na estética e diverso nas histórias. Apresentamos a seguir alguns desses registros, que ilustram a versatilidade de seu olhar.


  • Beleza & Empreendedoras

juliana faro kaka karneiro

Juliana entende que a imagem de uma profissional é, em si, um ativo de negócios. Em sua sessão com uma Hair & Beauty Stylist, a mensagem é direta:


'A força que sua imagem carrega pode alcançar muito mais o seu público do que palavras. Investir em imagens de boa qualidade é o primeiro passo na construção de uma boa marca pessoal.'


Essa mesma visão guia as sessões que faz com cabeleireiras, estilistas e empreendedoras — mulheres que precisam de imagens que traduzam autoridade e identidade.




  • Círio de Nazaré

A maior festividade católica da Amazônia já passou pelas lentes da Juliana, fotos que capturaram a sensibilidade do momento e ao mesmo tempo a força que a fé pode ter sobre as pessoas. Um momento único capturado por quem sabe se fazer única.



O Círio de Nazaré, a maior manifestação religiosa da Amazônia,



  • O surgimento da vida


As sessões de gestantes, como a do casal à espera de Eros, são uma especialidade à parte, capturadas tanto em estúdio quanto em ambientes naturais, como a praia. 'Eu levei ela pra praia e agora eu tenho um portfólio na praia de gestantes que eu não tinha antes', conta ela, sem deixar de sorrir.


  • Mulheres empreendedoras

O olhar da fotógrafa também se debruça sobre o trabalho desbravador de outras mulheres. Aquelas que fazem de suas jornadas um incentivo real para tantas outras. Através de sua lente, ela capta a alma empreendedora de guerreiras que, com ela mesma, fazem do mundo seu palco.




  • Artistas independentes da música

É claro que nossa heroína capturou artistas independentes. Registrou guitarristas, vocalistas e bastidores da arte e música belenense.





Leia e ouça na íntegra a entrevista com a fotógrafa independente Juliana Fáro:

juliana fáro entrevista exclusiva

Dissonância: No cenário atual em que as IAs estão gerando imagens de alta qualidade, o que um fotógrafo deve ter para se diferenciar e se manter no mercado?


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O DiferencialJuliana Fáro

Juliana Fáro: Bom, no cenário atual, onde as IAs, ou seja, as inteligências artificiais, estão cada vez mais bem desenvolvidas, o que vai diferir ela de um fotógrafo, ou seja, os resultados que essa IA pode ter de um fotógrafo: Um, ela jamais vai ter como dar para o cliente experiência. Jamais, jamais. Isso em hipótese alguma. Então, o cliente que vivencia o ensaio fotográfico, aquilo ali é algo que modifica ele. Assim como todos os dias a gente se modifica um pouco ao viver coisas. Quando a gente vive o novo, isso também muda a gente. E cada vez que eu faço um ensaio fotográfico, cada cliente meu sempre fala que aquilo ali melhorou muito a autoestima dele, que naquele dia não estava legal. Claro que não são todas as vezes que a pessoa fala que naquele dia não estava legal, mas muitas vezes eu já ouvi. “Eras, nossa, eu não estava me sentindo bem até esse momento, quando tu me mostraste a foto, tudo melhorou. Eu comecei a me sentir mais importante, comecei a me sentir melhor, me sinto mais bonita”. Então, o fator um é a experiência. E o dois é técnica, né? Mas como ela é uma IA, ela consegue tranquilamente matar a técnica de letra.

 

Dissonância: Dentre as muitas formas de arte, a fotografia é uma das mais complexas, porque envolve talento e equipamentos de alto valor. Em quais desafios alguém que desbrava o mundo da fotografia deve focar em superar para se tornar um profissional de excelência?


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A LuzJuliana Fáro

Juliana Fáro: Sobre quais desafios alguém que desbrava o mundo da fotografia deve focar em se superar para se tornar um profissional de excelência? Eu acredito que seja o desafio da percepção da luz no mundo. Quando a gente percebe a luz no mundo, em qualquer coisa, sabe? Em qualquer coisa mesmo. Como essa luz tá encontrando o assunto, o objeto, e quando você tem essa sensibilidade de olhar a luz, você vai para outra sensibilidade, que é a de observar mesmo o mundo, como ele se comporta, como as pessoas se comportam no mundo, sabe? E só nisso já tem muitas, muitas possibilidades de fotografia.

 

 

Dissonância: Qual fotografia mais difícil você já tirou?


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A FotografiaJuliana Fáro

Juliana Fáro: A fotografia mais difícil que eu já tirei até hoje, acredito que foi uma de gestante que eu fiz em estúdio. Essa foto, eles queriam muito que eu reproduzisse com eles, e aí eles trouxeram, né? Eu olhei para a foto, eu olhei como que a luz estava se comportando, e aí prontamente eu peguei a tocha e fui apontando ela. Coloquei ela bem alta, de cima para baixo, iluminei eles, afastei eles do fundo, e eu comecei a ter o resultado que eu queria. Depois eu fui para as configurações de câmera e acabou que cheguei no resultado que eu gostaria, e fiquei assim, extremamente feliz de conseguir reproduzir com eles, porque hoje eu tenho um olhar mais sensível para luz no mundo, para luz nas coisas, do que a Juliana de quando começou na fotografia. Então, essa é a foto, eu acho ela muito linda, ela tem meu coração.

 

 

Dissonância: Quando você sai para a cobertura de um evento fotografia de estúdio, existe algum ritual preparativo? Qual o segredo de tantas fotos boas?


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Os RituaisJuliana Fáro

Juliana Fáro: Bom, se eu tenho ritual? Tenho rituais, vários. Para quase tudo, para quase tudo. Mas quando eu vou fazer um evento, primeira coisa, carregar tudo o que eu preciso carregar, especialmente pilhas recarregáveis, elas precisam de pelo menos 10 horas de carregamento. Então, dois dias antes de cada evento que eu faço, eu já vou carregando todo o meu equipamento, vendo se os meus cartões de memória estão livres. E quando chega no dia, propriamente, do evento, faço um checklist antes de sair de casa: câmera, bateria, cartão de memória, flash, pilha para flash, difusor do flash, lente – se eu quero uma para muito mais perto, se eu quero a mais aberta, se quero a mais fechada –, baterias extras, e aí assim, eu fico tranquila para ir fazer o meu evento. E sobre a pergunta adicional, qual o segredo para tantas fotos boas? É estar atento a tudo, especialmente em evento. Evento é um tipo de trabalho que você não tem controle sobre a luz, você não tem controle sobre o que vai acontecer. Mesmo que você saiba o script de tudo que está ali, programado, pensado para acontecer, um evento é algo que foge do controle. Surpresas podem acontecer. Então, estar atento, sabe? Porque a fotografia, ela é sobre registrar, registrar coisas únicas, momentos únicos. Você pode até refazer, mas não vai ficar com aquele entusiasmo de quando você foi surpreendido, por exemplo. Então, estar atento, principalmente em eventos. É isso.

 

 

Dissonância: Na sua visão, o que é mais importante, equipamento fotográfico de ponta ou pós edição?


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O EquipamentoJuliana Fáro

Juliana Fáro: Na minha visão, o que é melhor, é um equipamento de ponta, mas levando em consideração que eu sei mexer nesse equipamento de ponta, por quê? Para extrair o melhor que esse equipamento pode me oferecer, pura e simplesmente, por isso. Mas, se eu tenho um equipamento mediano ou de menor porte, sei lá, um equipamento de entrada, algo assim, eu vou, ainda assim, tentar extrair o que de melhor aquela câmera pode me oferecer, configurando manualmente e depois eu vou pra pós, sabe? Porque assim, tem coisas que, se por exemplo, digamos, vamos supor que você está com uma câmera de entrada, você baixou bem a velocidade para você conseguir uma lâmina, uma iluminação legal, botou o ISO ali, não no limite, mas um pouco perto do limite da câmera, o que essa foto vai conseguir te trazer em resultados, provavelmente vai ter muito ruído nela. E se você for para um software para tentar reduzir esses ruídos, você pode até conseguir reduzir esses ruídos, mas, a depender de como foram esses ruídos, talvez você tenha uma imagem completamente artificial, daí pode se afastar da tua proposta, sabe? E aí, então, a pós ela pode ser perigosa.

 

Dissonância: A Dissonância busca artistas que se superam, mesmo diante das adversidades, que mensagem você deixa para os artistas independentes leitores da revista?


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A MensagemJuliana Fáro

Juliana Fáro: A mensagem que eu deixo para os artistas independentes é: sempre invente alguma coisa, sempre invente alguma coisa. Eu lembro que eu ainda não havia feito nenhum ensaio de gestante na praia. E eu tinha uma amiga que ela estava gestante. E eu falei, “amiga, vamos pra praia?”. Aí a gente começou a imaginar algumas, fotografias que a gente poderia tirar. E eu levei ela pra praia e agora eu tenho um portfólio na praia de gestantes que eu não tinha antes. E as fotos estão lindas, estão lindas, porque as coisas fluíram. Então, sempre invente alguma coisa. Se você não tem algo hoje concreto, que veio do teu trabalho, da tua arte, de alguma coisa assim, inventa, inventa com alguém que tu podes contar, inventa exatamente aquilo que tu queres fazer. E aí depois vai acontecer naturalmente. E quando chegar até você, essa demanda, esse pedido oficial, esse trabalho oficial, tu vais estar pronto, tu vais estar prontíssimo, ou prontíssima.

2 comentários


faroafonso59.af
06 de mar.

Minha filha ❤️💓🌹👏👏👏👍🤠 siga o caminho certo parabéns 🙏 🤠

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marcos paulo
marcos paulo
06 de mar.

Quando tu mostras a foto, a pessoa começa a se sentir melhor, mais bonita, mais importante.

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