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Lucinnha Bastos em Dissonância: entrevista exclusiva

Por Clara Mello 03/02/2026


lucinnha bastos entrevista exclusiva

Com mais de quatro décadas dedicadas à música, Lucinnha Bastos construiu uma trajetória que se confunde com a própria história cultural do Pará. Cantora de voz precisa e interpretação marcada pela escuta atenta da canção, ela atravessou diferentes fases da indústria musical sem se afastar de suas raízes amazônicas, afirmando-se como intérprete brasileira comprometida com o repertório e com o tempo de cada obra. Em 2026, teve sua produção reconhecida por lei como patrimônio cultural imaterial do Estado do Pará, um marco raro em vida que reforça sua relevância artística e simbólica. É a partir dessa caminhada, feita de escolhas conscientes, resiliência e diálogo constante com a cultura paraense, que Lucinnha conversa com a colunista Clara Mello nesta entrevista exclusiva da 6ª edição da Revista Dissonância.


Dissonância: O que mudou na sua relação pessoal com a sua música depois que a obra foi oficialmente reconhecida por lei como patrimônio cultural e imaterial do Pará?


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O ReconhecimentoLucinnha Bastos

Lucinnha Bastos: Ainda não teve nenhuma grande mudança, ainda não observei nada, mas porque tá muito recente também, né? Tem pouco tempo que a obra, a minha obra foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial do Estado do Pará, o que me deixa muito honrada, muito feliz. Eu fiquei muito emocionada quando eu soube, nem acreditei. Eu achava que era algum engano quando tinham me falado que ia ter essa votação na Assembleia Legislativa. E eu falei, não, gente, eu acho que não. Porque realmente, eu acho uma coisa muito grande, entendeu. Mas eu fiquei feliz pelo reconhecimento em vida, porque todo artista, acho que todos nós, qualquer profissional quer ser reconhecido pelo seu trabalho, né? E o artista que se dedica, eu me dedico há mais de 40 anos para arte, e a gente passa por muito perrengue. Quem tá de fora, às vezes, não tem noção do nosso desgaste, do nosso comprometimento, do tempo que a gente fica, às vezes fora de casa, não passa Natal nem Ano Novo com família quantas e quantas vezes, trabalhando na noite, trabalhando onde os outros tão ali só se divertindo. Mas assim, o que eu fiquei feliz foi com o reconhecimento em vida, para que eu possa, comemorar com a minha família, com os meus amigos, e com certeza, dividindo esse carinho, esse presente com todos que me ajudaram durante toda a minha carreira. E aí eu coloco músicos, além da minha família, dos meus amigos e fãs, mas eu coloco os músicos, compositores que a mim confiaram as suas obras, diretores musicais, arranjadores, produção, toda a cadeia da música, toda a cadeia produtiva, os patrocinadores que também sempre me apoiaram a vida inteira que eu pedi, a imprensa que também sempre me deu espaço para divulgar o meu trabalho e ao público querido que lá atrás compravam os meus vinis, os meus CDs, os meus DVDs, e que agora, com a nova era digital, através das plataformas divulgam, curtem, compartilham, e isso que faz a gente ficar mais forte, né? Então é uma grande equipe.

 

Dissonância: Esse reconhecimento em vida, algo raro, traz alguma responsabilidade que você não sentia antes? Se sim, qual?


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A ResponsabilidadeLucinnha Bastos

Lucinnha Bastos: Acho que a responsabilidade, ela tá muito presente dentro de mim, porque eu puxei muito pro meu pai, meu pai, o dono da Banda Sayonara. Eu comecei a cantar muito cedo, criança, com ele. Então, sempre tive uma visão muito, sabe, madura, muito, sempre fui muito responsável, muito essa coisa assim do respeito com o público, sempre pensar e lembrar das pessoas que me ajudaram, sempre agradecer, sempre ter a consciência da importância de se dividir o palco, de se respeitar o colega. Então, acho que talvez a responsabilidade vai aumentar. Acho que vai, talvez pela questão de alguns começarem talvez olhar, parar e olhar de novo, “ei, deixa eu ver, deixa eu ver como é que tá aqui, como é que tá esse trabalho”, né? Mas eu acho que a responsabilidade continua cada vez mais forte pelo meu compromisso mesmo de sempre entregar o meu melhor.

 

Dissonância: Você já criticou rótulos como "música paraense”, por não existir uma definição se é “música regional folclórica ou é música feita por paraenses”; Hoje, após ser elevada ao status de patrimônio cultural do estado, você se arrisca a definir o que é música paraense?


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Música Popular ParaenseLucinnha Bastos

Lucinnha Bastos: Essa crítica, às vezes, que a gente faz, não só eu, o Nilson Chaves também. A gente não gosta muito dessa sigla MPP, porque a gente fala assim, "música popular paraense", como se não fosse brasileira. E acho que a gente é muito maior. Não existe MPBH, música popular de Belo Horizonte. Então eu acho que a gente tem uma preocupação, às vezes, as pessoas meio que excluir a gente do mapa, que já aconteceu isso muito lá atrás. Hoje em dia, acho que não, hoje em dia acho que a gente começou a conquistar realmente nosso espaço, a mostrar a força da diversidade cultural do nosso estado, a nossa música extremamente, não só a música, a cultura de uma maneira geral. Todas as linguagens, linguagem visual, teatral, de música, enfim, é muito forte. E eu acho que a gente conseguiu conquistar isso muito e hoje em dia você vê que as pessoas vêm aqui e falam muito. Já querem conhecer e falam muito da nossa cultura. Mas eu acho que, é lógico, se você for falar de cultura paraense, você vai precisar falar dos ritmos diversos, do lundu, do retumbão, da lambada, do brega, das vertentes do brega, que hoje não é só mais uma, né? E aí tem milhões de coisas para a gente mostrar, inclusive com as danças e com tantas coisas que acontecem no estado, como o juriti, O Festribal, lá o Festribal, que é o Moirapinim e Munduruku. E aí tem os Prentinhos do mangue, tem o carnaval forte de Vigia e de Cametá que é diferente do carnaval lá do Rio de São Paulo, tem Os Cabeçudos lá de São Caetano de Odivelas. E aí tem várias cidades que têm essa cultura forte do carimbó. Temos a Marujada lá em Bragança, ou seja, nós temos milhares de coisas que a gente pode identificar como música paraense porque foi criada aqui. E agora, eu acho que é importante a gente entender que nós temos um talento muito grande, de compositores, de cantores, de artistas que não só fazem a música com a linguagem, vamos dizer, com a linguagem regional. Então nós temos grupos de samba, de bossa nova aqui, nós temos pop rock maravilhoso, chorinho, nós temos tudo, porque nós somos brasileiros. Agora, é lógico que a nossa música regional, ela é muito forte porque nós temos uma diversidade enorme. Mas aí eu não acho que seja MPP. Então tem essa, essa coisa assim, que às vezes, me preocupa, né? Não sei se pode ser besteira minha.

 

Dissonância: Nos anos 80 você foi convidada para gravar música brega e até tentou carreira fora do Pará. Em que momento você percebeu que seguir a cultura paraense era mais importante do que buscar projeção nacional?


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A TrajetóriaLucinnha Bastos

Lucinnha Bastos: Eu passei oito anos no Rio de Janeiro, um ano em São Paulo. E quando eu fui pra lá, eu fui para tentar fazer a carreira nacional. Meu pai me deu muito apoio. Eu fui, eu era muito nova, tinha 18 anos, então maturidade zero ainda. E quando eu fui pra lá, eu não tinha ainda essa noção da importância que a música amazônica tinha pra mim. Essa coisa forte que eu tenho hoje, que eu gosto de cantar. Sempre digo, eu sou uma intérprete brasileira. Canto de tudo. Até porque eu cantei no Sayonara, cantei, foi na época que eu, que eu fui crooner da banda. Então, como crooner, eu cantava tudo, xote, baião, forró, rock, música romântica, enfim, cantava tudo. E cantava compositores do Brasil todo, não cantava só músicas feitas por compositores paraenses e nem músicas tão regionais quanto essas que eu falo, falando da linguagem mesmo, nossa. Então, eu cantava de tudo, sempre cantei de tudo. E quando eu fui pro Rio, eu, coincidentemente, eu levei na minha bagagem Paulo André Rui Barata, levei Nilson Chaves, levei vários compositores, Waldemar Henrique, pra mostrar. E toda vez que eu ia num lugar mostrar alguma coisa, os produtores perguntavam, e eu mostrava alguma música daqui. E eles falavam que era, que era muito regional, que eu precisava cantar alguma coisa mais universal. Então eles queriam que eu cantasse mais aquela, o amor, mas na linguagem deles. E eu comecei a ficar um pouco preocupada com isso, porque, pra mim, eu cantava o amor, só que eu cantava o amor do Paulo André Rui, né? Mas era o amor. E aí eles me pediam muito pra me falar qual era o meu estilo; e eu tinha muita dificuldade de falar, porque eu não me considerava uma cantora romântica, não me considerava roqueira nem sambista, apesar de gostar de tudo. E eu falava que eu era uma pessoa, eu falava: “eu sou uma cantora eclética”. Eu achava essa palavra linda, porque eu entendia que eu era uma cantora, uma intérprete, que eu gostava de cantar música boa, independente do estilo. Mas eles me forçavam a dizer que eu precisava escolher, que eu precisava ter um estilo. E isso eu fui fazendo shows, fui conhecendo artistas fantásticos, músicos, eu fiz muita coisa interessante, muita coisa que marcou muito a minha vida pessoal e profissional no Rio de Janeiro, mas teve um momento que isso me incomodou tanto que eu resolvi voltar pra Belém. Eu voltei em Belém, em 1991, porque eles queriam que eu, por força, escolhesse um estilo que eu não sabia. E eu costumo dizer que até hoje eu não sei, se você me perguntar: "Qual o teu estilo?", eu não sei o que te dizer. Eu vou te dizer que eu sou uma cantora, uma intérprete brasileira, nascida no Pará, que ama a cultura amazônica e que divulga mais, nos seus trabalhos, músicas feitas por compositores amazônicos. E acho que foi a melhor coisa que eu fiz, juro. Sabe? Sem querer, sem demagogia, foi a melhor coisa que eu fiz, foi ter voltado pra Belém, pro meu Pará, e poder cantar o que eu queria, o que me identificava, o que me deixava feliz.

 

Dissonância: Hoje, olhando para a sua discografia, dos LPs aos singles recentes, qual obra você sente que representa melhor a essência da sua visão artística?


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A DiscografiaLucinnha Bastos

Lucinnha Bastos: Essa pergunta, ela é complicada porque difícil identificar só um, porque aí a gente tá falando, igual tá falando de filhos, né? Cada um teve uma importância, cada um tem um significado, teve um momento. Então, todos são muito importantes, muito, muito importantes mesmo. Desde o compacto duplo que eu gravei com 14 anos de idade. E aí passando pelo vinil que eu fiz com 17 anos, que era um vinil só de música brega, só músicas do Alípio Martins e que eu descobri ali, por exemplo, eu gostava das músicas dele, sempre gostei de brega, eu gosto de brega, canto, mas que era, eu não queria fazer só uma, uma coisa, ou talvez aí tá a história do estilo, né? Eu não queria cantar só uma coisa, porque eu sentia a falta de mesclar. E quando você grava um CD só com um estilo e você estoura, faz sucesso, você vai subir no palco e você vai ter que fazer duas horas de show cantando só aquilo. E eu sentia a falta de mudar, cantar outras coisas, e o produtor na época dizia: "Não, você não pode, você só pode cantar o disco". E eu ficava assim meio incomodada com isso. E aí depois que eu fui para o Rio de Janeiro, com 18 anos, eu gravei um disco que foi também muito marcante na minha carreira, porque foi um vinil dirigido pelo Sebastião Tapajós, que teve os arranjos do Gilson Peranzetta, que eu adoro, que era, que foi arranjador do Ivan Lins, com músicos maravilhosos, que somaram muito também na minha vida, como Luizão no baixo, que também tocou com a Elis Regina, que era minha referência de intérprete, de cantora da vida. Então, foi um momento muito importante, de eu me aproximar do Billy Blanco, a gente fez muitos shows juntos. Eu, Billy Blanco, Sebastião Tapajós e Gilson Peranzetta. E aí depois que eu vim embora pra Belém, eu fiz o “Antipop do Que Nunca”, que foi um outro vinil, até entrar em 1997 no “Canta Amazônia”, que foi quando eu comecei, acho que a moldar mais o estilo que eu queria pro meu trabalho em relação a arranjos, em relação a escolha de repertório. E aí veio o “Canta Amazônia 2”, o “Pimenta com Sal”, “Minha Aldeia”, enfim. Eu acho que todos são muito, muito importantes.

 

Dissonância: Nossa Senhora de Nazaré aparece em muitas narrativas paraenses. A música é uma forma de fé para você? Ou fé é uma forma de música?


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A FéLucinnha Bastos

Lucinnha Bastos: É, com certeza, a música é uma forma, sim, de fé, né? A gente através da arte transforma a vida das pessoas para melhor. E é uma das coisas mais bonitas, acho que da minha carreira é isso. A quantidade de momentos que eu sei que eu propiciei para as pessoas ficarem mais felizes, mais alegres, mais soltas, e o que eu ganhei em troca, que é também essa felicidade, essa alegria, essa paz de saber que eu pude fazer isso, então, é uma troca, e eu também fiquei feliz. Então, assim, sou muito católica, acredito em Deus, acredito que tudo que a gente faz, que o caminho está ali realmente, ele está ali no comando. Sou devota de Nossa Senhora de Nazaré, canto o Círio de Nazaré a minha vida inteira, e acho isso, que música cura, sabe? A arte, ela cura, com certeza.

 

Dissonância: Considerando que sua família, como o Banda Sayonara fundado por seu pai, moldou o cenário musical paraense, como você imagina que sua carreira teria se desenrolado se você tivesse crescido continuado fora do Pará e desenvolvido a carreira no eixo Rio - São Paulo desde o início?


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A FamíliaLucinnha Bastos

Lucinnha Bastos: Olha, difícil porque eu não me imagino. Eu sou muito família, né? A minha família é muito unida, ela é muito carinhosa e muito amorosa. A gente é muito assim, grudento, sabe? Se fala muito e fala todo dia, fala eu te amo. A gente é muito assim. Então, não imagino a minha vida desde o início. Se eu vivesse fora do Estado. Eu não ficaria tão distante da minha cultura, porque meus pais sempre colocaram isso para mim. Eu sempre ouvi, sempre aprendi muito de música com meu pai. Então, eu acho difícil eu ficar distante e seguir outra coisa. Acho bem difícil. E quando eu morei, mesmo, quando eu morei no Rio, eu ficava agoniada. Vinha muito em Belém fazer show, porque eu sentia muita falta de Belém. Então, eu não sei como seria minha vida longe de Belém, não.

 

Dissonância: Se amanhã você precisasse escolher entre preservar sua arte em museus ou repensá-la constantemente em colaboração com jovens artistas, qual caminho escolheria? E por quê?


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O FuturoLucinnha Bastos

Lucinnha Bastos: Com certeza, eu escolheria repassar o que eu pudesse, eu já faço isso. Sempre que eu posso, eu ensino, divido com os colegas, com quem está começando, ou, às vezes, até colegas que já estão há mais tempo, e me pedem conselhos, e eu não tenho o menor problema nisso, sabe? Em dividir, em repassar o meu conhecimento. Eu acho que é assim que a gente multiplica realmente a arte, que a gente valoriza cada aprendizado é quando você consegue passar adiante. Eu acho isso fantástico. A gente tem um trabalho, por exemplo, na trilogia, eu, o Marco Monteiro e Nilson Chaves, que a gente divide o palco. E a gente fala, é engraçado, né, que são três artistas de muitos anos de carreira, um admira o outro, mas a gente sempre está aprendendo, a gente sempre também se abre para beber das fontes e está o tempo todo querendo aprender. Acho que isso é crescimento pessoal, profissional, e é viver, né? Viver, querer aprender e dividir isso com esse ensinamento com outras pessoas, com os jovens que podem depois multiplicar, eu acho fantástico.

 

Dissonância: Para você, o que é mais difícil: tocar o coração de quem já te conhece há décadas ou conquistar uma nova plateia que nunca ouviu sua música?


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Novos OuvintesLucinnha Bastos

Lucinnha Bastos: Olha, tocar o coração de quem me conhece há muito tempo, eu acho que é mais fácil, porque se já me conhece, me segue e gosta do meu trabalho, porque também a gente acaba criando laços. Então, de carinho, de amor de fã, de amizade. Eu sou uma pessoa muito carinhosa, muito próxima dos meus fãs, do meu público. Então, eu acho mais fácil tocar essas pessoas. Mais difícil, com certeza, é conquistar públicos novos, porque hoje você não tem mais só a rádio e a televisão. Hoje você tem o Instagram, o Facebook, o TikTok, o YouTube, são milhares de vertentes, as pessoas estão muito ligeiras, elas não param muito para prestar atenção. E se dar, de repente, a oportunidade de conhecer o novo. Porque mesmo eu tendo mais de 40 anos de carreira, sou nova para muitos, para muitos jovens. Então, fazer com que esse público novo aí pare e diga, “pera aí, olha, tem uma cantora aqui fazendo um show aqui nesse teatro, vou comprar o ingresso, vou entrar e vou ver”. Se dar a oportunidade de gostar ou não, de conhecer um trabalho novo. Então, eu acho mais difícil.

 

Dissonância: Existe algo na tradição do Pará, na música, na fé ou na cultura, que você gostaria de desconstruir e reconceber para os próximos 50 anos?


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As TradiçõesLucinnha Bastos

Lucinnha Bastos: O Pará é um estado de muitas tradições. E tradições lindas, como o Círio de Nazaré, por exemplo. Eu não diria desconstruir. Eu acho que a gente precisa se aprimorar mais, sei lá, fazer mais reflexões sobre tudo que é importante aqui para nós, para o nosso povo, para que a gente possa valorizar cada vez mais, sem tantas críticas, sem tantas richas, sem tantos lados. Acho que a gente pudesse enxergar um pouco mais, ter empatia com as pessoas e contribuir sempre para o melhor, independente de escolhas, independente da própria religião, de times, essa coisa, essas brigas, às vezes, política, enfim, eu acho que nós somos maravilhosos, nós somos um povo fantástico, e a gente poderia crescer ainda mais se a gente conseguisse ter um cuidado maior um com o outro. Acho que isso é até no Brasil, né?



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