Zambrotta em Dissonância: entrevista exclusiva
- Fábio Drummond

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Atualizado: há 3 dias
Por Fábio Drummond, 04/02/2026

Formada no Recife por três amigos de infância, a Zambrotta é uma banda que transformou amizade em discurso artístico. Com Adner Matheus, Lucas Emanuel e Renan Pessoa, o trio construiu uma trajetória curta em tempo, mas intensa em produção e circulação. Recusaram fórmulas prontas e buscaram uma linguagem própria. No álbum de estreia, "Ensaio Sobre a Noite e o Dia", lançado em 2025, a banda expõe os dilemas do fazer artístico e os conflitos entre sonho e realidade, sem perder o vínculo com suas raízes pernambucanas. Nesta entrevista exclusiva à Dissonância, a Zambrotta fala sobre amizade, processo criativo, cena independente e os caminhos que escolheu para existir e resistir fora dos eixos tradicionais.
Dissonância: Por que o nome Zambrotta?

Adner Matheus: Então, nós três somos amigos de infância. E além de dividir o tempo da vida, o bairro que a gente cresceu, a gente também tem um amor pelo futebol e a gente queria alguma referência que relatasse essa época também. Então, a gente estava procurando o nome de algum jogador, de algum clube que fizesse sentido e chegamos no Zambrotta como esse jogador que representa uma época afetiva da nossa infância, da nossa formação enquanto pessoas. Acho um nome sonoro, um nome forte e acho que isso tem relação um pouco com o nosso som também.
Dissonância: Como ocorreu a reunião do grupo?

Adner Matheus: Boa. Eu e o Lucas a gente se conhece desde a infância e Renan na época da adolescência. E nossa amizade, ela sempre se pautou muito pela forma como a gente compreendia o mundo e a forma como a arte e a música e a cultura nos interessavam. Então, isso sempre foi nosso interesse em comum. E chegou o momento que a gente começou a criar coisa, que a gente começou a compartilhar a figura demais e que formar uma banda meio que se tornou óbvio. E, desde então, a gente tem tido uma caminhada, não somente de companheiros de banda, mas de grandes irmãos assim, sabe? De ser um padrinho de casamento do outro. E eu acho que a Zambrotta, ela também ocupa esse espaço afetivo. De continuidade, de sonhos de infância, e de acompanhamento do amadurecimento da vida de cada um também.
Dissonância: Vocês se uniram à banda Emerald Hill numa turnê pelo Estado. Qual a proposta da união e da turnê?

Adner Matheus: A gente tocou pela primeira vez com o Emerald Hill, há, sei lá, oito anos atrás, abrindo pro Gordura Trans em Recife, e a gente sentiu identificação na época. Continuou mantendo contato, mas muito digitalmente. E aí, no ano passado, a gente lançou um álbum mais ou menos na mesma época. Eles lançaram “À Queima Roupa”, a gente lançou “Um Ensaio Sobre A Noite E O Dia”. E aí desde então a gente se acompanha, troca figurinha, e se reencontrou no show em João Pessoa, que foi muito divertido, foi uma noite que fez muito sentido para ambas as bandas, e a gente viu que compartilhava muita coisa em comum e decidiu, “pô, vamos dar esse passo, vamos unir forças e vamos sitiar as cidades nordestinas levando nosso som”. Então o “Ensaios de Guerrilha” surge a partir dessa ideia.
Dissonância: O que vocês têm aprendido até aqui dessa fase atual da banda que pode servir de inspiração para outros artistas independentes que estão começando?

Adner Matheus: Olha, a gente teve um momento, aí em 2017, quando a gente lançou um EP, depois a gente deu uma pausa, para amadurecer artisticamente, e tá voltando. Então, tem muita coisa que a gente também tá aprendendo, sobre como compreender que esse sonho, ele continue de uma forma viável. Mas, assim, algumas coisas que a gente tem refletido é de que as coisas elas não acontecem por a gente mesmo, sabe? Obviamente que oportunidades surgem, mas a gente tem que procurar essas oportunidades. Então, a gente é muito envolvido em tudo que gira em torno da produção cultural. Desde a comunicação, desde a produção de eventos, desde fazer parcerias. E, no final, construir amigos e relações, porque eu acho que, no final, acaba sendo sobre isso, né? Construir essas relações com a intencionalidade de fazer amigos; e se divertir no meio do caminho, porque se não houver diversão, acaba não fazendo sentido, o capitalismo vai acabar nos esmagando, destruindo nossos sonhos.
Dissonância: Apesar de estarem fora do eixo Rio-São Paulo, vocês têm conseguido desenvolver um trabalho de reconhecimento nacional. Vocês pretendem continuar no Nordeste ou já pensam numa mudança para outros palcos?

Lucas Emanuel: A gente ainda não tem nenhum planejamento para tocar em outras regiões do Brasil. Mas seria interessante sim. Tá tocando no Norte, tá tocando lá mais pro Sul, também Sudeste. Uma coisa que a gente tem também, antes disso, é que a gente possa tocar, conhecer nossa região Nordeste antes de partir para outras e tentar desmistificar um pouco essa narrativa de que existe esse eixo cultural que tá focado em Rio-São Paulo e mostrar que o Nordeste ele é um grande polo, sim. Um grande polo cultural, um grande polo de produção artística também.
Dissonância: O que podemos esperar para 2026?

Lucas Emanuel: A gente atualmente está numa turnê chamada “Ensaios de Guerrilha” com nossos primos da Emerald Hill. Uma banda amiga nossa, lá da Paraíba. Estamos percorrendo alguns estados do Nordeste tocando. Além disso, a gente quer tocar mais, talvez lançar um single que tenho essa pretensão e, no final do ano, começar a pensar numa produção de um novo álbum.

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