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Nenoka em Dissonância: entrevista exclusiva


Por Natália Benevides, 02/01/2026


nenoka entrevista exclusiva

Cantora e compositora, Nenoka constrói uma obra autoral que atravessa música, simbolismo e investigação do inconsciente. Seu trabalho se destaca pela proposta singular de transformar as cartas do Tarô em canções, criando uma narrativa musical baseada nos arquétipos dos Arcanos Maiores. Com raízes no rock e no blues, e passagens por ritmos como folk e bossa-rock, a artista imprime às suas composições uma abordagem poética e filosófica, na qual cada música nasce do diálogo entre som, imagem e experiência de vida. Nenoka fala com a Revista Dissonância, diretamente de Florianópolis, onde segue expandindo seu projeto ao mesmo tempo em que se apresenta ao vivo e desenvolve novas etapas dessa jornada simbólica.


Dissonância: O que o tarot representa na sua vida? A ligação que você tem com o tarot é um tema artístico ou faz parte da sua vida cotidiana?

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O EloNenoka

Nenoka: Então o tarot ele faz parte da minha vida, já tem aproximadamente uns 30 anos que eu leio sobre isso, estudo e tento interpretar cada figura de cada carta. Eu vejo o tarot mais na linha de Carl Young que usava o tarô como símbolo do inconsciente. E o tarot ele é a história da vida. Ele é o livro da vida. Então além de ser o tema da minha carreira, ele faz parte da minha trajetória eu vivo as cartas conforme eu vou compondo as letras, que elas analisadas, praticamente, eu vivo a história enquanto eu estou no processo de criação, no processo de produção, e tudo isso eu acabo vivendo, eu entro nessa imagem viva. Essa história é uma loucura muito, muito, muito bom.

 

Dissonância: O que te motivou a compor músicas com o tema ‘tarot’?

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A MotivaçãoNenoka

Nenoka: O que me motivou a compor esse tema, as músicas com esse tema, tarô? Aí eu vou te falar um pouquinho da minha história. Desde então, eu morava em Curitiba, em na época da pandemia, e aí teve um tempo que eu fiquei morando nos Estados Unidos, e aí voltei para Curitiba em final de 2020. E eu fui, em fevereiro de 2021, eu fui embora para Recife. E fiquei lá um tempo. E quando eu cheguei lá, toda essa questão da arte que morava em mim desde sempre, principalmente desde a minha adolescência, ela veio voltando junto com o tarô. Eu comecei a trabalhar com leituras de tarô, tarô terapêutico, nesse método de olhar pelo inconsciente por meio das cartas, dos arcanos do tarô. E aí, então, eu comecei a fazer isso, e eu já voltando a cantar lá em Recife, e eu comecei a ler as cartas, assim, e eu olhava para elas e aí começou a vir as músicas, as letras, as composições, as poesias, a filosofia em cima disso. E aí eu falei: "Nossa, eu gostaria muito de explicar para as pessoas o que que significa cada carta dessa, que a gente chama de arcano. É um arquétipo também. Então, eu achei legal contar a história da vida, que é a história de cada figura, de cada carta do tarô, que são partes da vida, eu achei legal cantá-las, porque quando você ouve a música, você entende um pouco mais. Embora as minhas músicas, às vezes, elas são um tanto poéticas ou filosóficas, não sei. Mas é aquilo que vem a respeito daquela carta, daquela figura que eu estou vendo ali. Então, ela fala muito sobre o meu inconsciente ali, através daquelas letras. E aí eu fiquei, nossa, eu fiquei doida. Eu falei: "Nossa, eu preciso contar a história do tarô." Ou melhor, cantar a história do tarô, para as pessoas ouvirem isso. E, na verdade, essa história, eu estou contando a partir da carta zero, até a 21, porque são 22 cartas que o tarô, ele se divide em 22 dos arcanos maiores, que fala mais do lado espiritual, mais dessa jornada do inconsciente da gente. E aí tem 56 cartas dos arcanos menores, não menos importantes, mas eles complementam as cartas dos arcanos maiores. Então, cada carta, ela vem com esse simbolismo, e eu quis cantar isso, colocar a minha arte, essa minha missão de vida, que é cantar, e por que não colocar o tarô no meio disso? E aí deu super certo, e, nossa, é uma loucura.

 

Dissonância: Quando você decidiu ser artista, qual principal obstáculo teve que superar?

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A DecisãoNenoka

Nenoka: Na verdade, sobre eu ter decidido ser artista, obstáculos tivemos muitos e ainda têm. Eu faço isso desde a minha adolescência, eu acho que eu já nasci assim, né, com essa coisa de artista, de viver personagens. E o meu sonho era fazer teatro e cantar desde pequena. E na minha adolescência, eu realmente fiz teatro durante um bom tempo, inclusive fiz teatro no ali no Teatro Guaíra, de Curitiba. E aí, então, a minha vida mudou um pouco, eu me casei, me casei muito nova, me casei com 18 anos. E aí a minha vida mudou um pouco, já veio as responsabilidades. Mas nessa época ainda, e antes, eu sempre, o meu sonho sempre foi ser vocal, vocalista. Eu sempre gostei de cantar, eu sempre gostei de estar com esse meio da galera. E eu cantava, eu cantava, mas, claro, não profissionalmente. Eu amava, eu sempre amei tudo isso. Estudei piano quando eu era pequena; e estudei flauta, e depois dei aula de flauta para as crianças no colégio, quando eu dei aula, logo depois que eu tinha me casado. Aí nesse meio tempo, eu acho que os obstáculos foram a vida adulta que a gente tem as responsabilidades. E tive filhos e tudo isso. E a minha vida mudou radicalmente nesse período. Foram alguns anos ali. E aí foram bons anos. Eu acho que eu tinha que ter vivido, foram maravilhosos. Mas aí depois, então, eu já me separei. E aí eu recomecei tudo. E tudo recomeçou, na verdade, com um convite que eu tive de uma agência de modelo, que me convidou para fazer um trabalho para Coca-Cola, que foi viajar com aquele caminhão da Coca-Cola, que vai pelo Brasil. Foi em 2019. E aí, então, eu viajei com eles e aí, comecei a me envolver com o pessoal do teatro de novo, que estava nessa caravana junto com a gente. E eu comecei a me envolver muito com isso e voltei com tudo e fiz um pouco de teatro musical nessa época. E aí, nesse meio tempo, eu estava terminando o meu doutorado na Engenharia Mecânica, na Federal de Curitiba. E aí eu terminei, defendi minha tese e tal. E quando eu terminei tudo isso, começou a pandemia. Começou a pandemia e aí tudo ficou muito louco na vida de todo mundo. E foi nesse meio tempo que eu fui embora, que eu fiquei um tempo fora do Brasil, mas eu fui na transição, quando estava começando a pandemia. Aí passei um bom período fora do Brasil durante a pandemia, mas aí eu já comecei a fazer arte na internet, fazer coisas e tudo mais assim, e fazer letras e, enfim, cantar no Instagram, um monte de coisa, comecei a voltar, eu tava tudo aquilo, eu fazia umas aulas de música, de teatro musical pela internet e tal, porque era o único jeito que a gente tinha, né? E aí eu, quando eu voltei para Curitiba, fiquei uns meses ali, e logo eu fui para Recife. E aí que tudo voltou. Mas os obstáculos são muitos. Eu acho que primeiro, porque a gente, para ser artista independente, é bem complicado, porque você tem uma série de despesas, né, de coisas financeiras que você tem que bancar, e nem sempre a gente tem tudo isso. Você tem que pagar, enfim, tudo, né? Tudo você tem que pagar. E aí, você acaba que você não consegue, você não consegue se manter vendendo o seu show, ou fazendo as suas coisas, porque até a música autoral, ela é um pouco mais complexa de aparecer por aí. Eu fiz algumas coisas, a gente fez um show em São Paulo, na arena Galeria do Rock, que foi maravilhoso. Foi nesse ano ainda. Então, assim, essas coisas, elas foram acontecendo, mas ainda tem muitos obstáculos. E o principal deles é você conseguir se manter, porque a gente tem que viver, a gente tem que ganhar dinheiro, a gente tem que comer e tudo isso. E nem sempre eu tenho conseguido me manter só com isso. Eu tenho outras fontes. Mas, eu acho que o amor pela arte, o amor pela música é o que me mantém, é o que me mantém viva, na verdade. É o que eu gosto de fazer.

 

 

Dissonância: Fora do ambiente musical, você é uma profissional das Ciências Exatas, a engenharia não seria exatamente o oposto da subjetividade do tarot?  Como você lida com essa relação?

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As Ciências ExatasNenoka

Nenoka: Well, fora do meu ambiente musical. Sim, eu sou uma profissional das ciências exatas, Mas, veja bem, eu estudei foi tecnologia radiológica quando eu fiz faculdade, né? Então, a gente estudava muito física quântica, física nuclear. A gente trabalhava muito com isso, com átomos, com esse tipo de coisa. Isso tem muito a ver com essa coisa do tarô, com física quântica na espiritualidade ou mesmo na psicologia, dependendo da área que a pessoa vai ali, que o profissional vai. Mas na verdade minha faculdade foi nessa área de radiologia. Física nuclear, essa coisa toda. E aí eu fiz mestrado e doutorado na engenharia mecânica, porque ela engloba isso também. Então, quando eu fiz o mestrado, ela foi na Engenharia Mecânica, mas ela foi na área de medicina também. Que a radiologia, ela envolve tanto a área da engenharia quanto à área da medicina. E aí, da área da física, eu fiz exames médicos que tem tudo isso. Trabalho com radiação, essa coisa toda. E o meu doutorado eu fiz trabalhando com física nuclear. Até tenho patente tudo de um azulejo que barra à radiação ionizante, radiação até para hospitais que trabalham com raio x, essa coisa toda, energia nuclear e tudo. Então, essa foi a minha tese. Mas eu, eu trabalhei durante todo esse tempo que foram quatro, cinco, seis, sete, eu fiquei sete anos lá na Federal fazendo isso. E eu na verdade eu era cientista. Eu ainda sou, né? Só que agora eu não estou atuando, eu não estou trabalhando como professora nem nada. Eu só estou na música nesse momento. Mas tem muito a ver. Tudo que eu estudei sobre física. A física quântica tem muito a ver com as coisas subjetivas do tarô, porque é um lado da física. A metafísica é um lado que é muito louco também, então tem tudo a ver com isso. Mas nesse momento eu não estou, eu não estou na área da engenharia não.

 

Dissonância: Qual futuro da artista Nenoka você gostaria de enxergar nas cartas?

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O FuturoNenoka

Nenoka: Gente, essa pergunta é maravilhosa, né? O futuro que a Nenoka vê. Que eu enxergo nas cartas do Tarot. Bom, são os meus sonhos que eu gostaria de ver nas cartas do Tarot. Mas eu até vejo tudo isso. Quando tudo isso começou, na verdade, eu comecei com a carta número zero, que é a carta do louco. O nome dessa carta é o louco, que é o ser chegando no mundo e sem saber de nada. Ele só se joga, quer conhecer a vida. Essa carta, eu fiz lá em Recife, onde tudo começou. E aí esse louco que somos nós, ele passa em cada carta do Tarot. E aí então, foi quando eu comecei a carta número um, a carta do Mago, onde tudo se inicia. E aí eu comecei a trabalhar com a produtora dois mundos, do Wagner Pimentel, que é o cara que faz o som acontecer, que faz essa parte da produção e ele é multi-instrumentista, e a gente tem uma parceria musical, uma química musical muito grande. Um trabalha a letra, outro a música, outro a melodia, outro não sei o quê, e a gente vai fazendo isso tudo juntos e acaba saindo as músicas, que na minha opinião, claro, modéstia à parte, são maravilhosas. Que é a história. E cada carta dessa, ela tem um ritmo diferente. Todas são ligadas ao rock, mas elas têm, ela pende... ela tende a cair pra uma área do rock ali, ou blues, ou então uma bossa rock ou um folkzinho, uma coisa assim, e vai, ele vai se moldando de acordo com a história de cada carta, porque ela tem vida, ela tem um ritmo. Eu tô falando tudo isso até para complementar tudo e para deixar claro o que que eu vejo nas cartas pro futuro ou o que eu quero enxergar como artista nessa, nessa coisa toda. Então, a gente, tendo essa parceria com essa produtora, que é essa produtora lá de Minas Gerais, a gente tem essa coisa e a gente tem essa vontade de continuar. Isso fechando na carta número 21, que é a zero, ela pode ser o zero ou a 22, porque sempre é um, é uma roda, né? Vai, ela chega na última e recomeça tudo de novo, mas cada vez com mais experiência. Então, a ideia é transformar tudo isso. Lançada, a gente já tem 11 músicas, contando com o zero, 11 cartas. E agora, a carta número 12, ela já está pronta. Essa música vai ser lançada agora no final de janeiro, aproximadamente. A próxima, que é a 13ª carta, também, ela já está quase pronta também, e aí, depois disso, ela também vai ser lançada. E quando a gente chegar na carta 21, né? Que vão completar as 22 cartas dos Arcanos Maiores, o grande sonho. O que eu vejo, o que eu gostaria de ver muito claramente, é um show magnânimo, que vai ser assim, um espetáculo como um teatro musical, ou um musical, alguma coisa assim, que a gente consiga colocar no palco a banda toda e mais os personagens, ou eu vestida como os personagens da carta. Enfim, é um espetáculo maravilhoso que eu gostaria de fazer uma turnê com isso. Esse é o grande sonho que eu gostaria de ver nas cartas. Eu até vejo, né? E quando eu comecei esse trabalho com essa produtora Dois Mundos, até chegar nessa produtora, foi um bocado difícil, porque é difícil de gente se combinar com alguém, essa química com uma produtora, ou com alguém, ou com algum músico, não é assim tão simples. Até a gente chegar aonde a gente quer chegar. E aí quando eu fui fazer essa parceria, eu joguei as cartas, óbvio, né? Para saber se era uma boa parceria e como que ia ser esse caminho, e acabou vindo o Cavaleiro de Pentáculos, que é o cavaleiro de ouros. Traduzindo essa carta, ela significa tudo o que pode vir da área espiritual, da área filosófica, ou do inconsciente para a matéria, porque ela fala sobre matéria, essa carta, o Cavaleiro é aquele que tá na batalha ali para que tudo aconteça na materialidade, na parte material. Essa parte, que eu diria, ou psicológica, ou mística, como a gente quiser chamar, ou quântica, que ela venha pra matéria, ou seja, que tudo isso se transforme em matéria. E foi a história do Cavaleiro de Pentáculos, que, de repente, um dia vai acontecer uma banda com esse nome, quem sabe, né? Nenoka e os Cavaleiros de Pentáculos. Então, é isso que eu, que eu gostaria de ver e que eu vejo nas cartas.

 

Dissonância: O podemos esperar da Nenoka para 2026?

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2026Nenoka

Nenoka: Olha só o que esperar de 2026. Bom, eu falei um pouquinho já sobre esse sonho de quando terminar as cartas para fazer o grande espetáculo, mas ele não vai terminar em 2026, não vai dar tempo. Provavelmente a gente vai terminar isso em 2027, para fazer esse espetáculo maravilhoso que vai acontecer. Mas hoje eu moro em Florianópolis e eu não sei até quando vou morar em Florianópolis, porque eu estou sempre rodando por aí. Mas enquanto eu estou aqui, eu estou com uma parceria com o Gui, que é o cara que toca violão comigo e a gente tá aí fazendo show pelos bares, botecos mesmo. Às vezes rola um show em algum outro lugar, mas a gente mistura um pouco de autoral com as músicas cover, que é o que o que acontece, assim, para trabalho no momento. E eu estou firme nos meus estudos de teclado, porque a minha vontade mesmo que eu adoro fazer cantar blues e até jazz é, eu estou fazendo um repertório só meu para tocar um piano com os blues e também colocar as minhas músicas no meio disso tudo para vender shows por aí também, comigo própria. E enfim, provavelmente esse ano eu vá sair daqui e vá para algum outro lugar. Ainda estou estudando para onde? Mas esse é o que está para acontecer. E shows. E também, como autoral, a gente já tem duas músicas para serem lançadas. E aí a construção dos videoclipes, porque cada música que a gente lança nas plataformas, aí logo no próximo mês, a gente sempre lança o videoclipe. Às vezes simples, às vezes um pouco mais elaborado, mas sempre tem um videoclipe na área para mostrar, né? Para fazer a figura da música que a gente fez. E a ideia é lançar agora, no primeiro semestre, duas ou três e depois no segundo semestre também. Mais para a gente conseguir terminar esse ciclo em 2027, no final de 2027. Para começar com essa ideia desse grande show que a gente quer fazer. Mas 2026, muito trabalho e sempre com muito amor, porque a música, a música é tudo, né? E dá lhe rock and roll.


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