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O Viajante

Um poema de Val Porto

val porto o viajante

Quanto tempo já passou. Talvez seja o tempo de olhar o que viveu. Quantas pedras foram retiradas? Talvez duas, talvez dez, quem sabe mil. Quem saberia? As feridas nas mãos suadas sabem.


Ainda assim, seguiu em frente, Talvez por confiança, Talvez por nem saber que continuava. Quem saberia? Talvez a grama verde sob os pés.


A caminhada tem um propósito. É o que dizem. Talvez ela traga um novo ensinamento, Talvez o próximo passo a ser dado. Talvez.


No céu, o sol arde manso, Aquece manso o bendito corpo cansado. O viajante parou, Sentou-se onde pôde E só admirou.


A tarde não tardou em se ir, A noite não demorou a chegar, E trouxe consigo a brisa da escuridão. E o viajante? Ele sempre acha o que contemplar.


Em que momento ele entendeu Que o mais importante é o caminho? A forma como se chega, chega a ser esquecível, Diante dos passos da caminhada.


Eis o momento certo para se viver o intenso. Porque, no fim, tudo vem para ensinar. E amanhã ... Amanhã é outro dia.


Dia de contemplar.


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