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Quando o Amanhã Raiar

Um Poema de Val Porto


val porto

No silêncio que mora em minha alma,

trago dúvidas e incertezas sobre o amanhã.

Meu coração inquieto, carregado de sonhos,

caminha entre sombras que se arrastam.


Com a mente impaciente, como terra fértil,

começam a brotar perguntas sem respostas.

Sinto um grande vazio a me abraçar,

sufocando uma angústia que dói.


Mais uma noite sem luar,

anunciando uma tempestade.

A memória vaga sem destino,

enquanto o silêncio atravessa a alma

como um lampejo perdido dentro de mim.


Pergunto às estrelas o que elas sabem,

mas o céu permanece calado.

Talvez o silêncio não seja ausência,

talvez seja apenas o mundo

me ensinando a escutar o que ainda não compreendo.


Talvez amanhã, ao raiar do sol,

eu encontre respostas para o que senti.

Ou talvez descubra que algumas perguntas

nasceram apenas para me acompanhar.


Guardarei no fundo da alma

a coragem que ainda não sei que tenho.

Porque, às vezes, é preciso caminhar no escuro

sem saber se existe estrada,

apenas confiando no próximo passo.


A caminhada é longa e incerta,

e há noites em que até meus sonhos se perdem.

Mas seguirei em frente.


Talvez o destino não esteja

no final da estrada.

Talvez esteja justamente

naquele instante em que, cansado de procurar,

eu perceba que a estrada

sempre esteve dentro de mim.


E quando finalmente o sol nascer,

não quero que ele apague minhas sombras.

Quero apenas que ilumine o suficiente

para que eu possa enxergar

o que elas tentavam me mostrar.


Então seguirei.


Sem certezas.

Sem promessas.

Mas com a coragem de quem aprendeu

que, às vezes,

o caminho para encontrar o amanhã

é simplesmente não desistir de atravessar a noite.


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