Riáh sabe onde pisa: ancestralidade indígena e linguagem urbana no mesmo passo
- Luanda Barreto

- há 1 dia
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"Ser Tão Agreste" chegou em dezembro de 2025, cinco faixas em pouco menos de dezoito minutos, com distribuição da Tratore. O nome do EP guarda o sertão dentro dele, e é desse chão que Riáh, cantora indígena do povo Xukuru do Ororubá, tira o que canta.

Escuto uma artista que sabe onde pisa. Afinal são quase três décadas de palco somados a uma formação em Canto Popular pelo IFPE; isso explica o controle da voz: doce num verso e firme no outro. Em "Aboio Avoado", existe uma espécie de canto de vaqueiro que se mistura com a levada eletrônica, e nesse encontro o EP se diferencia de disco regionalizado, porque ele conversa com modernidade e raízes numa mesma toada. "Nascimento de Matuto", com participação de Marco Suzano, a viola inicia os trabalhos trazendo a marca característica do instrumento aplicado à música brasileira de raiz, após isso a percussão entra e falar por si, para mim, musicalmente falando, é o momento mais bem acabado do conjunto.

A mistura de pop com ritmos regionais funciona quando a viola e a batida dividem o mesmo espaço sem uma abafar a outra. Em "Lábia", por exemplo, na qual o xote é mais evidente, é possível ver o instrumental de mãos dadas com a voz, formando um conjunto agradável de se ouvir, da mesma forma "Sem Fronteiras" que também caminha bem nesse sentido. Em "Tábua de Sustentação", o dedilhado é quase um canto encantado, nessa música o vocal se mistura ao som numa tonalidade que lembra divas da música brasileira como Gal Costa e Vanessa da Mata, tudo isso com um toque exclusivo que só o Nordeste brasileiro é capaz de imprimir numa canção.

Pode até ser muito difícil ouvir esse EP e não se derramar em elogios ao trabalho da cantora, porque é isso que a obra merece, sem modéstias. Um disco bem feito, bem produzido, no qual Riáh costura ancestralidade indígena, agreste e linguagem urbana num mesmo tecido, e faz isso com firmeza, já sabendo quem é. Cinco faixas são pouco para um universo tão cheio, e talvez seja essa a minha única reclamação que podemos deixar à Riáh, queremos mais.
Se você ainda não conhece o trabalho dela, comece por aqui e depois volte ao "Retinta". Vale o caminho.
E por falar em Retinta, que outra obra de alto nível da Riáh, deixo aqui o álbum visual, tá completo no YouTube. Vale cada segundo:
00:00 - Daqui pra frente: Ceumar e Carlos La Terza
3:27 - Tour: Isabela Moraes e Juliano Holanda
6:36 - Pra chuva cair: Riáh
10:15 - Retinta: Déa Trancoso
13:44 - Ororubá: Riáh
15:43 - Venho de longe: PC Silva
19:58 - Obá Xangô: Riáh
24:18 - Você diz: Kleber Magrão
É como um verdadeiro portal no qual eu reencontro meus ancestrais, representando um retorno às minhas origens e uma reparação com minha trajetória. Tenho meu pai, avós e bisavós nascidos em território Xukuru do Ororubá no município de Pesqueira, no Agreste, onde vivi até os 15 anos. Posteriormente, por força maior, migrei para Caruaru, afastando-me de minha ancestralidade. Em algumas cenas, performo ao lado dos meus familiares indígenas, simbolizando esse reencontro, mostrando que meus antepassados estão sempre me guiando.
Gravado com incentivo da Lei Paulo Gustavo (LPG) Município de Caruaru-Ministério da Cultura - Governo Federal.
FICHA TÉCNICA
DIREÇÃO GERAL: RIÁH
DIREÇÃO DE IMAGEM (PROJEÇÕES E HOLOGRAMA): FELIPE CORREIA
VJ E AUXILIAR DE PRODUÇÃO: FELIPE CORREIA
ROTEIRO: RIÁH E FELIPE CORREIA
DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA E STILL: HELENO FLORÊNCIO
VÍDEO MAKER: HELENO FLORÊNCIO
EDIÇÃO DE VÍDEO E ANIMAÇÃO: HELENO FLORÊNCIO
LUZ CÊNICA: BABI SABINO
TÉCNICO DE ELETRICA: MARCOS DANIEL
CENÁRIO: RIÁH E JULIANA ZUPPARDO
ATORES INDÍGENAS: ALYSSON XUKURU/ BEATRIZ DE OLIVEIRA/ MARIANA LEITE DE LIMA/RUDSON ÍGARO/ MARIA EDUARDA ACCIOLY
ATOR ÍNDIGENA MIRIM: BASÍLIO EMANUEL
ATRIZ MIRIM: AYLLA OLIVEIRA
ATORES: RIZONI DA SILVA SANTOS/ROSBERG ADONAY/REGINA PAULA
MAKING OF, REGISTRO FOTOGRÁFICO: MARIANA GRANJA
IMAGENS DE PROJEÇÃO: VJ PICLES
IMAGENS PROJEÇÃO DO DISCO: TRÍCIA MOTA
ANIMAÇÃO MÚSICA “VOCÊ DIZ”: TRÍCIA MOTA
ESTRATÉGIA DE MARKETING E SOCIAL MÍDIA: ANDRÉ MEDEIROS (CALANGO, AGÊNCIA DIGITAL)
CABELO E MAQUIAGEM: AMANDA FREIRE
FIGURINOS: ACERVO DE RIÁH
FIGURINO (MÚSICA RETINTA): ROBERTA MÁRTIRES/ MULTIFARIO_ARTE
DESIGNER: NOELLE MARÃO
INTERPRETE DE LIBRAS: MARTHA FERNANDA
SOCIAL MEDIA: MARIANA GRANJA
SOCIAL MÍDIA: MARIA EDUARDA OLIVEIRA
PRODUÇÃO EXECUTIVA: JULIANA ZUPPARDO
ASSESSORIA DE IMPRENSA:1000 TONS COMUNICA
PRODUÇÃO GERAL: RIÁH
LOCAÇÃO: TEA CARUARU: TEATRO EXPERIMENTAL DE ARTE




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