Claudio Wallace em dissonância: entrevista exclusiva
- Max Clark

- há 2 dias
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Por Max Clark

Com quase quatro décadas dedicadas ao rock autoral, Claudio Wallace é uma das vozes persistentes da cena independente amazônica. Natural de Belém do Pará, o músico, compositor e produtor construiu uma trajetória que atravessa gerações, da fundação da banda Aliança Rebelde nos anos 1980 até sua fase solo, marcada por lançamentos recentes e pela atuação como comunicador à frente do projeto Rock Made In Amazon. Em 2026, ao celebrar 40 anos de carreira, ele amplia seu alcance com o projeto “Rock do Norte ao Sul”, iniciativa que busca conectar artistas de diferentes regiões do país e fortalecer o circuito do rock independente brasileiro.
Dissonância: Claudio, você está lançando o projeto "Rock do Norte ao Sul". Qual foi a principal motivação para criar essa iniciativa de conectar artistas da Amazônia com músicos de outras regiões do Brasil neste momento da sua carreira?

Claudio Wallace: A principal motivação, ela vem de um desejo antigo de ponte cultural, que foi amadurecendo ao longo de quase 40 anos de estrada. Depois de tanto tempo tocando rock autoral no Pará, passando pelos meus projetos, o “Aliança Rebelde” dos anos 80 e “Mitos” de início dos anos 2000, lançando trabalhos solo, como o álbum “Fantástico Mundo do Rock and Roll” e projetos de parceria iniciando com “Onze Janelas”, eu sentia que era o momento de dar um passo maior. Então o “Rock do Norte ao Sul”, ele nasceu da vontade de conectar, de verdade, a cena da Amazônia com o resto do Brasil, criando parcerias reais, canções inéditas e trocas que mostrem a força e a contemporaneidade do rock que se faz aqui. A Amazônia tem uma vitalidade musical enorme, com identidade própria, mas, muitas vezes, ficamos isolados dos grandes circuitos. Ao mesmo tempo que há artistas incríveis em São Paulo, Rio, Minas e as outras regiões, que também vivem o rock independente com garra. Então o projeto surge exatamente para unir esses mundos, composições em parceria, shows juntos, entrevistas e uma circulação maior da nossa música. A primeira parceria com Bellini, que é lá de São José dos Campos, em São Paulo, que é a canção “Do Alto da Minha Torre”, é só o começo. É um bonito encontro entre experiências diferentes, mas com a mesma paixão pelo rock. E, neste momento da carreira, depois de consolidar o programa “Rock Made Amazon”, que é o programa que eu divulgo a cena regional, a cena da Amazônia, e o meu selo Walcace Records, eu quis, além da divulgação local, construir pontes concretas. É, sobre visibilidade, respeito mútuo, e mostrar que o rock brasileiro é mais rico e diverso quando o Norte dialoga com o Sul, o Leste com o Oeste, e por aí vai. Não é só lançar uma música, é fortalecer um circuito criativo, mais integrado e vivo. E a recepção em São Paulo, com o show na Casa Lab, e o festival Rock in Lab, com o primeiro show que foi o “Rock Made Amazon invade São Paulo” e o segundo show, o “Festival Rock in Lab”, só me confirmou que esse é o caminho certo. Eu tô muito animado com o que vem pela frente.
Dissonância: O que você busca em um artista ou banda de outra região para que ele se torne um parceiro ideal dentro desta proposta de intercâmbio regional?

Claudio Wallace: Com relação as parcerias, eu busco acima de tudo, uma afinidade genuína, respeito mútuo e vontade real de criar junto. O programa não é só sobre fama ou currículo. É sobre química humana e musical. E dentro dos critérios que eu uso para escolher um parceiro ideal no Rock do Norte ao Sul, estão autenticidade e linguagem própria. O artista, ele precisa ter uma assinatura sonora ou poética clara. Eu quero que a parceria destaque o que cada um traz de sua região, sem tentar padronizar o som. A ideia é justamente o contraste enriquecedor. Seria tipo o groove amazônico encontrando o peso paulista, a lírica nordestina, e por aí vai, sempre dialogando os estilos. E também o artista, ele tem que ter um espírito colaborativo, ele tem que gostar de verdade do processo de co-criação. E isso inclui estar aberto a trocar ideias, aceitar sugestões, ceder em alguns pontos e defender aquilo que acredita. O Rock independente, ele vive de atitude, e parceria exige humildade e generosidade. Eu busco quem valorize a cultura do Norte, que respeite a cena amazônica, e que entenda que estamos trazendo não só um artista do Pará, mas toda uma identidade regional forte. Quem chega com preconceito ou visão folclórica não se encaixa no projeto “Rock do Norte ao Sul”. No caso também, um artista, ele tem que ter o compromisso com o independente. Eu prefiro artistas que, como eu, vivem o dia a dia do circuito autoral, que fazem shows, produzem, divulgam, e acreditam no boca a boca e na internet. Não procuro salvadores da pátria, mas sim companheiros de estrada, gente que venha realmente pra somar, que tenha pontualidade, seriedade no trabalho, boa energia no palco e fora dele. Isso aí faz toda a diferença. Eu já passei por muitas situações nesses meus 40 anos de carreira, e sei o quanto o clima do projeto influencia o resultado final. E gosto também quando a parceria pode gerar algo maior que uma música, um show, um vídeo, um videoclipe, entrevistas cruzadas, quem sabe até um mini tour, ou um festival futuro. Na verdade, no fundo, o parceiro ideal é aquele que vê o “Rock do Norte ao Sul” como uma via de mão dupla. Ele ganha a visibilidade da Amazônia, e nós ganhamos a força da cena dele. É sobre somar talentos, ampliar públicos e fortalecer o Rock Brasileiro como um todo, sem hierarquia de regiões. E com o Bellini deu muito certo porque ele tem essa cabeça aberta, uma experiência sólida e respeito pelo que estamos construindo aqui. E é exatamente esse perfil que eu quero replicar nas próximas parcerias. Então, a gente continua procurando artistas ou bandas que queiram, que se identifiquem com o projeto, podem mandar seu material. A porta, ela está aberta para quem realmente quer se conectar, quer fazer parte do Rock do Norte ao Sul.
Dissonância: Você é um grande defensor do espaço para o rock nas rádios. De que forma sua experiência como radialista e o programa "Rock Made in Amazon" auxiliam na logística e na divulgação dessa rede nacional de artistas independentes?

Claudio Wallace: Com relação ao papel da mídia, das rádios, sim, é verdade. Eu sou um defensor ferrenho do espaço para o rock nas rádios, especialmente o rock autoral independente, que muitas vezes ele é deixado de lado na rádio comercial. A minha experiência como radialista é uma das principais ferramentas do “Rock do Norte ao Sul”. O Rock do Norte ao Sul, junto com o programa “Rock Made Amazon”, eles vão ajudar na divulgação integrada. O programa Rock Made Amazon, que já roda em várias web rádios e rádios de todo o Brasil e exterior, onde eu apresento ao vivo na Omaria FM, da região metropolitana, localizada em Marituba, município da região metropolitana aqui da nossa capital. Todos os sábados estou ao vivo lá recebendo artistas. Essas entrevistas vão para as plataformas, vão para o canal do YouTube. Então, isso tudo vai ser um dos principais canais de divulgação do projeto. Nós vamos tocar as faixas, as parcerias, fazer entrevistas com os artistas convidados, contar os bastidores das composições e mostrar o processo de conexão norte-sul. A rede nacional e internacional, ela existe. Nós já temos contatos consolidados com rádios de várias regiões do Brasil, de exterior. Chile, Uruguai, Argentina, Estados Unidos, Espanha. A ideia é usar essa malha existente para que as novas músicas e os artistas parceiros sejam ouvidos em São Paulo, Rio Sul, Nordeste, Centro-Oeste, exterior. É uma logística que já existe, mas que agora vai servir de ponte para os parceiros. E assim como eu fiz com o Bellini, em São Paulo, nós faremos as entrevistas cruzadas. Eu fui na rádio Rock News falar sobre o projeto, falar sobre o Rock Made Amazon, falar sobre lançamento. E a gente vai repetir esse modelo depois. O Bellini estava lá conosco na rádio, sendo entrevistado, falando sobre o projeto, sobre a criação do projeto, ou seja, unindo as parcerias, fazendo as referências cruzadas e assim a gente vai aumentando a força ainda mais do projeto que conecta o rock do norte ao sul. Isso cria conteúdo orgânico e genuíno, além de fortalecer a visibilidade mútua. E existe também a questão dos formatos multiplataformas, porque além da rádio tradicional e das web rádios, todo esse material, ele irá, as entrevistas, lives, make-off, eles serão utilizados, replicados no meu canal do YouTube, Cláudio Wallace, nas redes sociais, Instagram, Facebook, tanto minha rede, Cláudio Wallace, como da nossa produtora Débora Borba, como Rock Made Amazon, como do Rock do Norte ao Sul. Então, a gente vai ali unindo forças no formato multiplataforma. O rádio, ele continua sendo o coração, mas assim a gente está amplificando juntos com o digital. E nas rádios parceiras, a gente prioriza tocar o projeto completo, não só o single, mas falar sobre a proposta cultural. Isso ajuda a sensibilizar outros radialistas e programadores a darem mais espaço para o rock autoral brasileiro. Assim, a minha visão é que o rádio ainda é um dos mais democráticos e potentes meios de comunicação, que chega ao público e, principalmente, o público que ama o rock de verdade. Por isso, o Rock do Norte ao Sul não é só um projeto de lançamentos, ele também é uma estratégia de ocupação de espaços. Quanto mais rádios, podcasts e programas independentes aderirem, mais forte fica a rede. Nós queremos transformar cada parceria em um evento cultural que circule, música nova, mais entrevistas, mais possível show. Isso vai criar um ciclo virtuoso de produção, divulgação e apresentação ao vivo. Eu aproveito para convidar você aí, que é radialista ou que tem um programa de rock e que quer entrar nessa rede, entre em contato com a gente, o contato está aberto. Vamos juntos fortalecer o rock brasileiro, de verdade, do norte ao sul.
Dissonância: Em 2026, você celebra quatro décadas de trajetória. Como o "Rock do Norte ao Sul" reflete o amadurecimento do jovem músico que começou na banda Aliança Rebelde em 1987?

Claudio Wallace: Falar da celebração dos meus 40 anos de carreira de estrada é uma pergunta que toca o coração. Sim, em 2026 completo 40 anos de estrada no rock. Desde que comecei com a “Aliança Rebelde” lá em 87. Naquela época eu era um jovem cheio de energia, revolta e vontade de botar pra fora tudo que a Amazônia e a vida me provocavam. O rock era meu instrumento de protesto, de descoberta e de afirmação. Tocávamos com garra na garagem, em bares, onde desse, sem estrutura, mas com muita verdade, muita vontade. E eu vejo assim, o Rock do Norte ao Sul, ele é de certa forma a versão madura daquele jovem de 87. Esse projeto, ele reflete todo esse amadurecimento. Antes a energia era mais nós contra o mundo. Hoje eu continuo com a mesma intensidade, mas eu aprendi que conectar é mais poderoso que confrontar. O projeto é exatamente isso, é estender a mão para artistas de outras regiões, criar em conjunto e mostrar que o rock brasileiro, ele fica mais forte quando o norte conversa com o sul e vice-versa. Na Aliança Rebelde nos primeiros anos, a luta era ser ouvido dentro do Pará. Depois veio o Mythus, em 2000, e depois disso minha carreira solo e o programa Rock Made in Amazon. O rock do norte ao sul, ele é o resultado lógico de toda essa trajetória. Agora, eu quero levar a cena amazônica para o Brasil inteiro e trazer o Brasil para dentro da nossa música. Então, isso tem uma urgência de construção. O jovem Cláudio queria tocar e ser ouvido imediatamente. O Cláudio de hoje entende que construir algo duradouro exige paciência, estratégia e parcerias. Lançar singles inéditos com artistas de outras regiões, planejar shows, entrevistas e uma rede de divulgação é fruto dessa maturidade. Na verdade o que não mudou dentro de mim, foi o amor pelo rock autoral, a vontade de falar de temas reais, seja falar sobre a vida, lutas, liberdade, sentimentos e, claro, a fidelidade à Amazônia. O projeto carrega a mesma alma do rock dos anos 80, mas com a produção, a visão e os recursos que 40 anos de experiência trouxeram para a minha vida. Esse projeto é a minha forma de celebrar essas quatro décadas, não olhando só para trás, mas projetando o futuro. É uma declaração de que o rock paraense e amazônico não é um capítulo fechado da minha história, mas uma força viva que continua se expandindo, expandindo e se conectando. É como se o garoto da Aliança Rebelde tivesse viajado pelo Brasil todo e agora estivesse dizendo, "Ei, cara, ei, venham pra cá, vamos fazer som juntos." E é exatamente isso que estamos fazendo. 2026 está sendo o ano simbólico, celebrar o passado, viver o presente com intensidade, replantar sementes para o futuro do nosso rock. Eu fico muito feliz pelas pessoas que acompanham a minha trajetória e o rock continua sendo a minha vida. Yeah!
Dissonância: Você costuma citar que o rock na Amazônia é "onda verde" e pura resistência. Quais os maiores desafios de fazer essa música circular em um país de dimensões continentais e com centros musicais tão distantes?

Claudio Wallace: Desafios do rock autoral. Sim, eu sempre digo que o rock na Amazônia é onda verde e pura resistência. Isso não é romantismo, é uma realidade vivida na pele durante 40 anos. Eu vejo, assim, como os maiores desafios de fazer a nossa música circular pelo Brasil, que é continental, é justamente, a distância geográfica e logística é muito cara. O Pará fica a 2.500 de São Paulo e mais ainda distante do Sul. Levar uma banda completa para tocar fora custa caro, entre passagens aéreas, transporte de equipamentos, hospedagem. Muitos artistas independentes, simplesmente, não conseguem bancar isso com frequência, e isso cria um isolamento natural. A grande mídia, gravadoras, festivais de grande porte, circuitos pagos, ainda estão muito concentrados no eixo Rio-São Paulo. O rock autoral do Norte, raramente entra nas playlists das grandes rádios comerciais ou nas curadorias de grandes festivais. Você compete com o mainstream e com a cena do Sudeste, que tem mais visibilidade e estrutura. Existem poucos festivais e casas de shows que priorizam a troca real entre regiões. Muitos eventos são fechados ou focam apenas na cena local. Por isso a importância de projetos como o Rock do Norte ao Sul. Criar pontes concretas, não apenas desejar que elas existam. Na Amazônia, o apoio cultural existe, sim, mas ele é mais voltado para outros segmentos. Para o rock autoral, a gente sobrevive basicamente de shows pequenos, vendas de merchandise, plataformas digitais, e muito, muito suor. A burocracia para editar também é um complicador, e ainda existe a ideia de que rock bom só vem do Sul, do Sudeste, ou que a Amazônia só produz carimbó, tecnobrega, guitarrada ou MPB. Quebrar esse estereótipo exige insistência diária, nas entrevistas, nas parcerias, nos lançamentos. É difícil viver só de música no interior da Amazônia. Muitos talentosos acabam desistindo ou reduzindo o ritmo por necessidade financeira. Manter a chama acesa por décadas exige paixão quase que irracional, e o Rock do Norte ao Sul, ele nasce exatamente como resposta prática a esses desafios. Em vez de reclamar da distância, estamos criando conexões diretas, composições conjuntas, lançamentos simultâneos, shows compartilhados, entrevistas cruzadas, e uso inteligente das rádios e do digital. A internet ajudou muito, sim, mas ela sozinha não resolve. É preciso corpo a corpo cultural, o artista do Norte no palco com o artista do Sul, histórias sendo trocadas, públicos se misturando. O rock amazônico sempre foi resistência. Hoje queremos transformar essa resistência em construção de rede. Não é mais só sobreviver, é crescer, circular e ser respeitado em todo o território nacional. O Brasil, ele é continental, mas a música não precisa respeitar essa distância toda. Com garra, estratégia e parcerias certas, a onda verde pode chegar forte em qualquer canto do país.
Dissonância: O projeto também envolve o seu selo musical, o Wallace Records. Como essa estrutura independente pretende dar suporte não apenas à sua carreira, mas também aos parceiros desse projeto?

Claudio Wallace: O Selo Wallace Records, ele vai atuar como uma estrutura independente, fundamental no projeto Rock Made Amazon e no projeto Rock do Norte ao Sul, focando no suporte colaborativo e na profissionalização de artistas do underground, especialmente na cena paraense amazônica. O suporte aos parceiros, ele vai acontecer de diversas frentes, com produção em lançamento, é, vamos nos organizar para viabilizar gravações, produções fonográficas, o lançamento de singles, é esse álbum de artistas. Nós já estamos já começando a trabalhar o nosso catálogo. Então, o Wallace Records, ele vai atuar como uma ponte cultural, né, focando em bandas autorais que muitas vezes não teriam espaço na grande mídia, e oferecendo visibilidade através do portal Rock Made Amazon e do programa Papo de Rock, onde entrevisto artistas, enfim, a gente vai usar todo o nosso suporte digital para divulgar esses artistas. E o selo também atua na conexão de artistas locais com o cenário de outros estados, trabalhando junto com o Rock do Norte ao Sul. O selo, ele fomenta a valorização de artistas independentes. Então, eu creio que o selo, sendo gerido por um artista como eu, com décadas de estrada, ele vai também ajudar a orientar os parceiros sobre direitos autorais, registrando suas obras, fonogramas, fazendo os artistas se associarem as associações, né, que protegem os direitos autorais. Isso tudo, a Wallace Records vai trabalhar para ajudar os artistas independentes do rock brasileiro, principalmente da cena amazônica. Então, ele vai funcionar como um catalisador para o rock autoral e amazônico, oferecendo uma estrutura que prioriza a liberdade criativa e a união de forças, funcionando como uma alternativa à gravadora tradicional.
Dissonância: Como você enxerga o impacto de projetos de conexão regional como este para o fortalecimento do rock independente brasileiro a longo prazo? Como você espera que o rock independente esteja na próxima década?

Claudio Wallace: O futuro da cena eu enxergo que projetos de conexões, projetos que façam conexão regional, como o rock do Norte ao Sul, eles atuam para o fortalecimento do rock independente brasileiro. A conexão regional, elas são fundamentais para que esse fortalecimento ocorra a longo prazo, porque eles vão quebrando a hegemonia dos grandes centros, que eu vou dar como exemplo aqui o eixo Rio-São Paulo, e criam uma rede autossustentável de circulação. Ao mapear e conectar bandas, técnicos, festivais de diferentes regiões, a gente vai transformando o underground de um espaço isolado em um circuito nacional orgânico, capaz de valorizar a identidade local, ao mesmo tempo em que fortalece o cenário nacional. O rock brasileiro trabalhando dessa forma, ele vai deixar de depender apenas das rádios ou grandes gravadoras. A produção independente, ela pode se consolidar através de selos e festivais itinerantes, como é o caso dos programas Rock Made Amazon, ou o projeto Rock do Norte ao Sul, trabalhando a divulgação desses artistas e mostrando para todo o Brasil o exterior. Com a identidade regionalizada, a gente pode esperar um rock mais diverso, que mistura peso de guitarra com os ritmos regionais, desafiando os estereótipos que nós somos, né, bombardeados todos os dias pelos grandes centros de gravadoras. E o uso das novas mídias especializadas e plataforma digital, será a principal forma de consumo, com os fãs consumindo rock através de festivais focados em experiências. O rock independente, ele continuará sendo um ato de resistência, com letras engajadas e atitude, sobrevivendo em um cenário musical pop, eletrônico, rock and roll. Então, os projetos de conexão regional, torna a dizer, eles vão unir artistas e técnicos, ajudarão a criar normas, técnicas de produção, elevando a qualidade dos shows e facilitando a captação de recursos. Eu acredito que a próxima década do rock brasileiro independente, será pautada pela autenticidade regional, conectada em rede, garantida a sobrevivência e a renovação do gênero, com voz própria. E juntos aqui a gente está fazendo a nossa parte, com o Rock Made Amazon e o rock do Norte ao Sul.

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