Val Porto em dissonância: entrevista exclusiva
- Tião Folk
- 11 de jul.
- 4 min de leitura
Por Tião Folk

Teve um tempo em que a Val Porto não estava nos planos de ninguém, nem mesmo nos dela. Aos 72 anos, mora em Novo Hamburgo, cuida da casa, cuida do marido, e vive como uma pessoa comum. Mas à noite ela senta e escreve poemas. Alguns desses inclusive já viraram música na mão de artistas independentes. É colunista desta revista desde a primeira edição, quando publicou "Encontro de Almas", poema que eu mesmo estou gravando agora e com orgulho declaro meu conflito de interesses na matéria de capa. A Val é minha amiga, minha colunista e, quando precisa, minha consciência. A entrevista que você lê a seguir foi gravada com exclusividade para a Dissonância e vale por cada resposta curta e direta que ela deu, econômica das palavras, grande na mensagem, exatamente como ela escreve.
Dissonância: Fale sobre sua infância, com foi seu primeiro contato com a música?

Val Porto: Sempre ouvíamos muito rádio. Lá fora, morei no interior, era só radinho de pilha mesmo, mas tínhamos horário para ouvir. E o pai sempre ouvia muita música gaúcha, que era meio do mato. Imagina que era só isso, né? Então a minha referência musical naquela época era os música antigos, Teixeirinha, Gil de Freitas, César Passarinho e alguns outros. Tive uma infância muito simples, muito humilde, morando no meio do mato, como eu tô hoje, mas foi uma infância boa, bem tranquila, feliz na medida do possível. E foi isso aí. Foi tudo bem simples, bem tranquilo, com muito amor de família. E uma coisa que o pai sempre ensinava é que música tu tem que sentar para ouvir, não posso só escutar. Foi assim que eu aprendi a gostar de música.
Dissonância: Hoje, nos altos dos teus 72 anos, você vivenciou mudanças relevantes no mundo e na sociedade, qual mudança te chamou mais atenção?

Val Porto: A mudança mais forte, mais importante na minha vida. Acho que foi uns dois, dois anos e pouco atrás, quando eu tive uma decepção, que me machucou muito e eu parei para repensar no caminho que eu estava trilhando e resolvi mudar a direção do olhar. Foi quando eu encontrei vários amigos novos, vários músicos, que eu acabei mostrando tudo que eu escrevia e foi uma mudança que me fez muito bem, me fez renascer, me fez ficar mais forte. Hoje eu vejo o mundo e a vida de outra maneira, de uma maneira bem mais saudável.
Dissonância: O que a Val Porto poetisa faz de diferente da Val do dia a dia?

Val Porto: É mesmo com essa idade, com tudo que eu já vivi, eu tenho uma rotina bem distribuída. Trabalho bastante, cuido da casa, cuido do marido, ouço muita música, leio bastante e de noite eu sempre paro para escrever alguma coisa que seja um sentimento meu, algo não programado, algo que vem na hora para mim.
Dissonância: Quando você escreve, você se sente uma outra Val, ou os versos no papel refletem exatamente a mesma pessoa?

Val Porto: Ah, quando eu escrevo, eu escrevo exatamente o que eu tô sentindo, que nada eu programo. Então, é a mesma Val. Aquilo é o sentimento do dia a dia. Exatamente o que eu penso e ali eu só passo alguma coisa que eu tô sentindo, alguma coisa nova, um sentimento, uma palavra que vem no dia a dia.
Dissonância: Você já compôs para diversos artistas independentes e continua escrevendo poemas que virarão músicas em algum momento, quando você escreve, você já pensa em como aquelas palavras seriam virando uma música?

Val Porto: Hoje em dia, eu até penso. Mas quando eu comecei a escrever, eu escrevo há muito tempo. Mas de dois anos para cá, dois ou três anos para cá, eu comecei a escrever com mais frequência. E quando eu tô escrevendo, eu nunca pensava ah que podiam virar uma música. Até o dia que um músico, que tu sabe quem é (risos), leu e falou que dava para fazer. Aí eu comecei a escrever tendo esse sentimento. Hoje, quando eu escrevo, sempre imagino que ela possa virar uma música, e isso é muito bom.
Dissonância: Você é colunista da Revista Dissonância e escreve poemas que chegam a milhares de leitores no Brasil, como é fazer parte de um projeto tão diferentão?

Val Porto: É um projeto muito bonito. E fazer parte desse projeto, dessa revista, foi uma honra muito grande para mim. Quando eu recebi o convite, eu não me imaginava. E hoje eu gosto muito de fazer parte dele. É uma sensação muito gostosa e muito importante para mim.
Dissonância: Você começou a escrever para a Dissonância aos 72 anos, que recado você deixa para os artistas independentes que estão começando hoje? O sonho tem data de validade?

Val Porto: O recado que eu posso deixar para os artistas independentes é que nunca desistam dos seus sonhos. E eu tô realizando um sonho que nunca foi sonhado. Então, é algo assim que eu não tenho palavras para descrever. É muito importante, é muito gostoso realizar um sonho, mesmo que seja um sonho que foi, que nunca foi sonhado. Como eu sempre digo, eu participo de tudo isso com muito orgulho. E o sonho não tem prazo de validade. Quem não começou ainda, tem que tentar, tem que tentar e conseguir.
Leia Contos e Poemas da Val Porto.










Comentários